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Um olhar em imagens do Rio

Certas cidades são marcantes representam a identidade de uma nação com toda a força da diversidade cultural conjugada com momentos históricos expressivos. Dentre as cidades mais fotografadas e apreciadas nos quatro cantos do mundo, Rio de Janeiro e Paris se destacam como as mais retratadas no final do século XIX e início do século XX e ainda hoje atrai os olhares do mundo. A beleza natural ou o próprio cenário de cidade com suas características arquitetônicas preservadas são fatores atraentes para quem busca o equilíbrio estético da trama urbana.

O Brasil, com sua rica natureza é um campo fértil para registros visuais excepcionais, mas desde o século XIX, fotógrafos dos mais representativos retrataram o Rio em diversos ângulos e épocas como Marc Ferrez, Augusto Stahl, George Leuzinger, Revert Henrique Klumb, Juan Gutierrez, Augusto Malta, Carlos Bippus, entre tantos outros que focalizaram os encantos da tropical cidade.

Debret, um olhar dos trópicos

As imagens captadas pelos fotógrafos do passado com as dos atuais são bem diferentes, a cidade mudou, cresceu, mas algumas características marcantes continuam, a luz natural, as montanhas, a floresta da Tijuca, o Jardim Botânico, a exuberância dos contornos da orla, a beleza de antigas construções, o charme de diversos exemplos de arquitetura art déco, a grandiosidade da Baia da Guanabara, o aspecto monumental da área central além da atual recuperação da área portuária entre tantas atrações, que fazem da cidade, um campo fértil de contínuas descobertas.

Imbuído no intuito de desvendar detalhes da dimensão urbana da cidade maravilhosa, a mostra “Machina Mundi – Rio do Céu”, do fotógrafo Claudio Edinger na Galeria Lume, registra imagens incríveis de helicóptero reunindo 11 fotos que surpreendem o visitante. Utilizando o foco seletivo, a brutalidade do urbano fica desfocada, se concentrando somente na beleza, como no caso dos Arcos da Lapa, da Candelária, do Parque Lage, do Cristo Redentor, do Museu do Amanhã, do Jockey Clube, dando a impressão de serem miniaturas de um conto de fadas. Buscando a beleza na sua dimensão poética e ideal eliminando as imperfeições surge o lado lúdico da fotografia que capta a magia de um momento único, num emaranhado de sensações reais e irreais.

A fotografia permite registrar sutilezas que desnudam a realidade selecionando o encantamento como foco de análise e confronto entre o belo e o imperfeito.

O resultado plástico das fotos expostas permite ao visitante vislumbrar o essencial, pontos cruciais de uma cidade que se alinha como o mais forte símbolo iconográfico do país. O Corcovado e o Pão de Açúcar, são por exemplo dois marcos que representam o Brasil no imaginário de todos os estrangeiros, sem falar de outros itens que deslumbram os visitantes. O Rio, encravado numa das mais belas paisagens do mundo, é um patrimônio precioso que deve ser preservado com competência e espírito visionário por parte do poder público, enfrentando os problemas vitais com eficiência.

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José Henrique Fabre Rolim

Jornalista, curador, pesquisador, artista plástico e crítico de arte, formado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Unisantos (Universidade Católica de Santos), atuou por 15 anos no jornal A Tribuna de Santos na área das visuais, atualmente é presidente da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), colunista do DCI com matérias publicadas em diversos catálogos de arte e publicações como Módulo, Arte Vetrina (Turim-Itália), Arte em São Paulo, Cadernos de Crítica, Nuevas de España, Revista da APCA e Dasartes.

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