Interessada por geometrias complexas e suas transformações no tempo e no espaço, Sandra Kranich aprendeu técnicas de pirotecnia e utiliza fogos de artifício em suas esculturas, quadros e instalações desde o final dos anos 1990. A pirotecnia é um espetáculo momentâneo e altamente sensorial que divide claramente nossa percepção em antes, durante e depois. São eventos que duram poucos minutos e se gravam na memória do espectador, mas que nas exposições geralmente permanecem visíveis apenas como rastros e resquícios. Dentro do contexto de um museu ou galeria, a prática de Kranich critica a lógica baseada na estabilidade, e, em vez disso, se refere incansavelmente ao momento da transformação e do acaso. Seus trabalhos tornam difusas as fronteiras entre criação e destruição, construção e desconstrução. Para a 32ª Bienal, Kranich desenvolveu dois novos grupos de trabalhos – R. Relief, 7, 8, 9, 10 [R. Relevo, 7, 8, 9, 10] (2016) e Times Wire[Fio dos tempos] (2016) –, um deles sendo uma série de quadros tricotados, feitos de fios elétricos, e o outro uma série de quadros de metal geométricos e coloridos. Ambos são equipados com explosivos cuidadosamente conectados entre si para que sejam incendiados pela artista de forma coreografada. A queima dos fogos de artifício em si ocorre antes da abertura da exposição para o público, confrontando o espectador com uma apresentação claramente marcada pela força transformadora da explosão.
Veja também:
O CCBB BH apresenta, até 28 de fevereiro de 2026, esta no Céu – Mirĩ'kʉã…
1. O Fim da "Geografia de Permissão" Houve um tempo em que o endereço de…
O Mercado Pós-Intermediação O ano de 2026 marca a consolidação de uma mudança sísmica que…
A exposição Joaquín Torres Garcia – 150 anos em cartaz no CCBB se destaca de forma surpreendente pela sua…
O mundo da arte viveu, em 2025, um período de inflexão decisivo. Entre grandes exposições…
A Tarsila do Amaral S/A (TALE) e a LiveIdea venceram o Prêmio Caio, considerado o…