Cláudio Caropreso
O que temos para hoje? A estratégia da publicidade, alimentada pela fotografia, é a de oferecer constantemente, e seduzir pela promessa de satisfação, alimentando incessantemente o desejo de ter mais, mas o quê?
Caropreso tem feito de sua estratégia artística o questionamento da ação propagandística de cartazes e fotografias, que comenta com ironia cortante em suas gravuras e colagens, as antigas assim como as mais recentes.
A paisagem do título desta exposição refere-se não à paisagem natural, mas a esta que filtra o nosso olhar cotidiano com o fito de capturar os nossos desejos, potencializar os nossos medos e ansiedades, alienar-nos quanto ao sentido do que realmente seja necessário.
Caropreso não a despreza, fingindo recolher-se para um mundo no qual os filtros da indústria cultural sejam suspensos pelo mundo proporcionado pela arte e pelo comportamento estético, algum deles, pois são muitos a prometer a redenção. Ao contrário, desenvolve os seus próprios filtros para lidar com essa paisagem, fragmenta-a com colagens e desenhos ironizando seus cartazes e anúncios costumeiros feitos para a rua, mesmo os mais fuleiros ou baixos. Assimila deles a monumentalidade, o seu sintetismo ou caráter pragmático.
Da fotografia apreende também algo de suas estratégias, dos ângulos e posições, a maneira como reproduz os retratos, da pintura em livros e sites de arte e sobre artistas. Caropreso embaralha e refaz as mensagens que foram feitas originariamente para nos alienar. E combate-as com fúria honesta. Ele percebe a paisagem do dia não como um tecido inconsútil, sem fissuras e descontinuidades. São as fissuras que o interessam, são elas as matérias de suas composições e aquilo que anunciam.
Luiz Armando Bagolin
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