Lyz Parayzo
A Casa Triângulo tem o prazer em anunciar Cosmo Parayzo, exposição que celebra a primeira década de produção de Lyz Parayzo, no Paço Imperial, Rio de Janeiro. Diante de uma cena artística brasileira ainda atravessada por estruturas coloniais e de um contexto europeu sustentado pelo universalismo, a artista constrói estratégias de presença institucional a partir de um trabalho intrinsecamente autobiográfico. Mobilizando um savoir-faire ancestral com o metal, transforma as violências que atravessam sua trajetória em armas, escudos e armaduras poéticas, instaurando um debate público sobre o corpo feminino e dissidente.
A partir dessa prática, Parayzo propõe uma não-violência radical em contraposição aos movimentos coloniais e imperialistas históricos. A mostra é dividida em quatro núcleos que reúnem a produção multidisciplinar da artista nos últimos anos, atravessando joalheria, performance, escultura, audiovisual e instalação cinética.
Lyz Parayzo, nascida em 1994 no Rio de Janeiro, Brasil. Representada pela Galeria Casa Triângulo, Lyz é uma artista e pesquisadora baseada em Paris, França. Seu trabalho autobiográfico reinterpreta a tradição artística modernista brasileira através dos prismas do gênero, da identidade e da política. Centrada em “objetos mágicos” moldados a partir do metal — material que simboliza a exploração industrial — sua prática, que abrange escultura, performance e instalação, explora temáticas como poder, violência e desejo, ao mesmo tempo em que propõe novos rituais de cura.
Parayzo é formada pelo mestrado (DNSAP) da École nationale supérieure des Beaux-Arts de Paris (2022) e concluiu o Diplôme Inter-Universitaire Arts, Technologie, Création (DIU ArTeC+) na Université Paris 8 (2024–2025), uma formação pós-mestrado voltada à especialização em pesquisa-criação e ao desenvolvimento de projetos artísticos. Sua trajetória inclui também estudos em teatro na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (2013-2016), além do programa Práticas Artísticas Contemporâneas da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (2013–2016).
O trabalho de Parayzo foi apresentado em exposições importantes, como a 17a Bienal de Lyon (2024), a 60a Bienal de Veneza (2024, em colaboração com Guerreiro do Divino Amor para o pavilhão suíço), Histórias da Diversidade LGBTQIA+ no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (2024), a instalação pública Tempête Magique para L’EXPO 100% em La Villette (2024) Paris, França, assim como Dissident Practices no John Jay College of Criminal Justice (2023) Nova Iorque, Estados Unidos. Entre suas participações notáveis estão também Histórias Feministas (MASP, 2019), Histórias da Sexualidade (MASP, 2017), Entre Esculturas e Objetos, Capítulo II (Museu de Arte Contemporânea de Niterói, 2024), Mulheres no Acervo do MAR (Museu de Arte do Rio, 2018), além de sua participação na exposição dos finalistas do Prêmio EDP das Artes (Instituto Tomie Ohtake, 2018).
Sua pesquisa propõe uma releitura crítica dos projeto construtivo brasileiro a partir de perspectivas queer e transfeministas, reinterpretando o modernismo em relação às questões de identidade de gênero e política. Sua dissertação de mestrado, Thérapie Narrative : Lettres à Lygia Clark, assume a forma de um relato epistolar que explora as relações entre arte e terapia por meio de um diálogo com a artista brasileira Lygia Clark. Esse trabalho destaca a influência de Clark em sua própria prática, especialmente por meio da desmaterialização da obra e seus desdobramentos nas práticas participativas.
As obras de Parayzo fazem parte de importantes coleções, incluindo o Musée d’Art Contemporain de Lyon (MAC Lyon), a Pinacoteca do Estado de São Paulo, o MASP, o MAR, o MAC de Niterói, Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro, a Casa de Cultura da América Latina (Brasília), o Centro Cultural do Alumínio (CCA), assim como o Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, Ribeira Grande, Arquipélago de Açores, Portugal.
Parayzo foi reconhecida com diversas distinções, incluindo indicações ao Prêmio PIPA (2017, 2020, 2021), seleção como finalista do Prêmio EDP das Artes pelo Instituto Tomie Ohtake (2018), a obtenção do Prix Jeudi des Beaux-Arts, concedido pelo Comité professionnel des galeries d’art de Paris, além de uma nomeação ao programa Grants & Commissions da Cisneros Fontanals Art Foundation (2020).
Cosmo Parayzo: exposição individual de Lyz Parayzo
Local: Paço Imperial, Rio de Janeiro – RJ
Data: até 22.11.2026
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