Luana Vitra
A arte brasileira marca presença contundente na Frieze New York 2025 com a participação da Mitre Galeria, que destaca a artista mineira Luana Vitra. Suas esculturas e desenhos têm chamado atenção do público e da crítica internacional por sua abordagem crítica aos impactos socioambientais causados pela mineração em Minas Gerais.
Luana Vitra é reconhecida por uma produção artística profundamente enraizada em experiências territoriais e em denúncias contra o extrativismo predatório. Em suas palavras e obras, ela investiga as feridas abertas no solo e nas comunidades do estado que mais sofre com tragédias ambientais provocadas por grandes mineradoras, como as de Mariana e Brumadinho.
As esculturas de Vitra, compostas por materiais como ferro oxidado, barro, resíduos e elementos naturais da paisagem mineira, evocam um tipo de arte visceral, que expressa dor, força e memória coletiva. Já seus desenhos, muitas vezes carregados de simbologia afro-brasileira e espiritualidade, dão corpo a narrativas silenciadas.
A participação da Mitre Galeria ocorre na seção Focus, dedicada a galerias emergentes com programas curatoriais inovadores. A curadoria da feira selecionou Vitra por sua capacidade de criar uma poética visual que vai além das fronteiras nacionais, abordando temas globais como destruição ambiental, colonialismo e resistências periféricas.
A escolha de Luana Vitra reflete uma tendência crescente nas feiras de arte internacionais: valorizar artistas do Sul Global que tratam de questões urgentes como justiça climática e preservação cultural.
Nas palavras da própria artista, suas obras buscam “dar forma àquilo que foi violado, mas que insiste em continuar vivo”. Cada peça evoca os deslizamentos, o envenenamento das águas, o deslocamento das comunidades e o luto coletivo que assombra diversas regiões de Minas Gerais.
Além do impacto ambiental, Vitra também explora as dimensões sociais da mineração, como a precarização das condições de vida, o racismo ambiental e a ausência de reparações reais para os afetados.
A presença da Mitre Galeria e de Luana Vitra na Frieze NY consolida o protagonismo da arte brasileira no cenário internacional e destaca a importância de discursos que conectam território, política e memória.
Essa projeção é fundamental não apenas para dar visibilidade a artistas brasileiros comprometidos com causas urgentes, mas também para mostrar que a arte contemporânea pode ser um instrumento poderoso de denúncia, cura e transformação.
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