Exposições e Eventos

Simões de Assis apresenta exposição individual de Manfredo de Souzanetto

Simões de Assis apresenta, até o dia 26 de julho, a exposição da terra, o que vem…, individual do artista Manfredo de Souzanetto. A mostra reúne 16 obras criadas entre os anos 1970 e 2025, além de uma instalação de piso e uma vitrine com estudos e pigmentos naturais utilizados pelo artista.

A seleção inclui trabalhos centrais das décadas de 1970 e 1980, ao lado de obras realizadas a partir dos anos 2000 e dois trabalhos de 2025. Estão presentes pinturas que articulam formas orgânicas e geométricas em composições que misturam referências à arquitetura e à paisagem.

Parte dos trabalhos apresentados tensiona os limites entre pintura e escultura. O próprio artista fabrica os chassis das obras, explorando formatos irregulares e estruturas que conectam diferentes telas por meio de elementos de madeira, como triângulos e retângulos. Em alguns casos, essas estruturas criam formas angulares e geométricas que rompem com a orientação tradicional da pintura, sendo instaladas em posições construídas e não convencionais. Em outras obras, a construção assume contornos circulares e fluídos, com arranjos oblíquos e sinuosos.

Manfredo De Souzanetto. Crédito: Erika Mayumi, cortesia Simões de Assis

Desde os anos 1980, Souzanetto emprega pigmentos naturais misturados à resina acrílica. O material é extraído de regiões de Minas Gerais, muitas vezes em minas abandonadas, onde o solo é rico em minerais como óxidos de ferro e alumínio. Além disso, o artista incorpora madeira, pedra e metal em sua produção. A instalação de piso presente na exposição é composta por pedras fundidas em bronze com diferentes tipos de esmaltação.

A vitrine exibe estudos preparatórios e amostras dos pigmentos utilizados pelo artista, destacando sua pesquisa contínua sobre os materiais e os processos. Ainda nos anos 1970, Souzanetto realizava obras com telas articuladas por dobradiças, pintadas pelo verso, com imagens formadas pela absorção do pigmento. O interesse pela natureza atravessa toda sua trajetória, desde registros fotográficos de intervenções no ambiente até o uso de materiais extraídos diretamente da terra.

A exposição apresenta obras inéditas, incluindo uma produção recente de 2025, e evidencia a diversidade de suportes, técnicas e procedimentos que caracterizam a prática de Manfredo de Souzanetto.

Sobre o artista Manfredo de Souzanetto

Manfredo de Souzanetto (Jacinto, Brasil, 1947) é pintor, desenhista e escultor. Viveu a infância no Vale do Jequitinhonha e passou parte da juventude entre cidades do Vale do Mucuri, no nordeste de Minas Gerais, e no norte do Espírito Santo, onde teve seus primeiros contatos com as pedras, granitos e cerâmicas da região. Iniciou seus estudos em arte na Escola Guignard, em Belo Horizonte, em 1969, e ingressou na Escola de Arquitetura da UFMG em 1972. Entre 1975 e 1979, viveu em Paris, onde estudou fotografia na École Nationale Louis Lumière, experiência que ampliou sua pesquisa sobre intervenções na paisagem.

Manfredo De Souzanetto. Crédito: Erika Mayumi, cortesia Simões de Assis

A partir da década de 1980, começou a desenvolver uma obra que une preocupações ambientais e formais, utilizando pigmentos naturais extraídos da terra em composições que articulam pintura, escultura e arquitetura. De Souzanetto ganhou destaque com prêmios importantes, como o Gustavo Capanema de melhor conjunto de obra, e consolidou sua trajetória em exposições de relevância nacional e internacional, incluindo a Triennale des Amériques, na França, em 1993, ao lado de artistas como Lygia Clark, Julio Le Parc e Cy Twombly. Sua obra está representada em importantes acervos públicos e privados no Brasil e no exterior, como o MASP, MAM São Paulo, Pinacoteca de São Paulo, MAC USP, Instituto Cultural Itaú, Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, MAM Rio (Coleção Gilberto Chateaubriand), MAC Niterói (Coleção João Satamini), IMS Rio, Museu de Arte de Belo Horizonte, além do Fond National d’Art Contemporain e do Musée de l’Abbaye Sainte-Croix, na França, e da Coleção Statoil, na Noruega.

Sobre a Simões de Assis

Desde a sua abertura, em 1984, a Simões de Assis dirige o seu olhar para a arte moderna e contemporânea, especialmente para a produção latino-americana. Ao longo de quatro décadas de trabalho, a galeria se especializou na preservação e na difusão do espólio de importantes artistas como Abraham Palatnik, Carmelo Arden Quin, Cícero Dias, Emanoel Araujo, Ione Saldanha e Miguel Bakun, contando com a parceria de famílias e fundações responsáveis.

A partir do contato estreito com pesquisadores e curadores, a Simões de Assis conseguiu a articulação necessária para difundir e representar seus artistas no Brasil e no exterior. Ampliando o alcance no mercado de arte do Brasil, atualmente, a galeria tem três espaços: em São Paulo (SP), Curitiba (PR) e Balneário Camboriú (SC), estimulando trocas e debates, além de fomentar o talento e a carreira de seus artistas.

Serviço

Exposição: Manfredo de Souzanetto: da terra, o que vem…
Período expositivo: até 26 de julho de 2025
Endereço: Simões de Assis | Alameda Lorena, nº 2050 – Jardins, São Paulo/SP

Leia também: “Cerrado Ralo”, individual de Bruno Weilemann Belo na Aura Galeria

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