Fotografia

As fotografias experimentais de René Magritte


Nessa matéria, examinaremos algumas fotografias experimentais de René Magritte, grande artista belga do século XX que conquistou grande popularidade por sua abordagem única ao surrealismo.


Suas inúmeras fotografias foram descobertas em meados dos anos 70, quase uma década após sua morte. Elas incluíam desde momentos íntimos do artista até trabalhos experimentais produzidos como auxílio para sua prática de pintura.

Magritte se recusou a exibir ou reproduzir suas obras fotográficas durante sua vida. “Foi para ele um tipo de experiência, uma experimentação secreta”, diz Xavier Canonne, historiador de arte e curador da exposição René Magritte: The Revealing Image, na galeria ArtisTree de Hong Kong.

René Magritte | Variante da fotografia associada ao título “Dieu, le huitième jour” Bruxelas, Rue Esseghem, 1937
René Magritte | Shunk-Kender Main en train de peindre le dernier empire des lumiéres, rue des Mimosas, c. 1953-1954

Assim como suas pinturas pegam as iconografias do mundo real e as tornam surreais, por exemplo, o artista estava determinado a “negar à fotografia a capacidade de reproduzir realidade, porque ele preferia imaginar as coisas ou explorar o que chamava o mistério do universo”, argumenta Canonne.

Um de seus métodos favoritos para gerar tal modificação era ocultar um objeto atrás de outro, especialmente rostos. “Tudo o que vemos oculta outra coisa, sempre queremos ver o que está oculto”, ele explicou certa vez sobre essa preocupação.

René Magritte | The Giant, 1937

Em The Giant (1937), temos um “anti-retrato” tirado de seu amigo Nougé em uma praia na Bélgica. Magritte captura o artista escondendo o rosto atrás de um tabuleiro de xadrez. Isso força o espectador a se concentrar nos detalhes de suas roupas e no cachimbo que segura na mão.

Em outra imagem, um retrato de 1962 tirado pelo fotógrafo Shunk Kender para acompanhar um artigo sobre o artista em uma revista francesa, Magritte mostra seu próprio rosto com um painel de sua pintura de 1954, The Eternally Obvious, que mostra um rosto feminino.

Segundo Magritte, um rosto não pode expressar a natureza real de alguém, mas oferece apenas uma aparência, um espelho falso. “Também não fornece um meio de conhecer a pessoa a quem está retratando ou quem é retratado. É restrito à superfície e é incapaz de penetrar no mistério”, completa o curador.

Courtesy Latrobe Regional Gallery

Em outras fotos, mais exemplos das ideias “visíveis ocultas” do surrealista estão em jogo: em uma cena dele e de sua esposa Georgette, o rosto da mulher esconde a maior parte do artista. Em The Bouquet (1937), os dois embrulham seus corpos em lençóis dando a impressão de suas cabeças flutuarem no ar.

René Magritte | The Shadow and Its Shadow, 1932. Courtesy of Brachot Gallery, Brussels
René Magritte | The Bouquet (Le Bouquet), 1937. Courtesy of Brachot Gallery, Brussels

Seja qual for a técnica que Magritte usasse – óleo, guache, colagem, esculturas ou fotografias – ele era, no fundo, o mesmo homem, a mesma mente que nunca parava de tentar “ampliar as possibilidades de o universo”.



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Fontes:


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Paulo Varella

Estudou cinema na NFTS (UK), administração na FGV e química na USP. Trabalhou com fotografia, cinema autoral e publicitário em Londres nos anos 90 e no Brasil nos anos seguintes. Sua formação lhe conferiu entre muitas qualidades, uma expertise em estética da imagem, habilidade na administração de conteúdo, pessoas e conhecimento profundo sobre materiais. Por muito tempo Paulo participou do cenário da produção artística em Londres, Paris e Hamburgo de onde veio a inspiração para iniciar o Arteref no Brasil. Paulo dirigiu 3 galerias de arte e hoje se dedica a ajudar artistas, galeristas e colecionadores a melhorarem o acesso no mercado internacional.

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