O senso comum sugere que vivemos em um mundo da arte “sem fronteiras”, onde o talento é o único critério para o sucesso. No entanto, a lista das 100 personalidades mais influentes de 2025 revela uma realidade distinta. Com apenas 4 brasileiros figurando no ranking, confrontamos uma verdade incômoda: a influência global não é uma meritocracia artística, mas uma hierarquia de infraestrutura.
A presença de Adriano Pedrosa (44º), Dalton Paula (68º), Rafael Fonseca (74º) e Thiago de Paula Souza (97º) não deve ser lida apenas como uma vitória individual, mas como uma exceção à regra de um sistema que ainda privilegia o Norte Global.
Neste cenário, o tamanho do Brasil e sua produção cultural vibrante são incoerentes com sua representação nos rankings de poder. O país produz arte em escala monumental, mas ainda importa a “legitimação” de sua própria relevância através de filtros estrangeiros.
Um dos pontos mais reveladores da análise crítica é que a influência na arte contemporânea não é medida pelo pincel, mas pela capacidade de criar e sustentar redes. Na lista de 2025, os brasileiros presentes não estão lá apenas por sua produção estética, mas por sua habilidade em navegar e construir infraestruturas de legitimação.
Enquanto o Brasil possui uma produção artística vasta e diversificada, a maioria dos nossos agentes esbarra em uma limitação estrutural: a falta de vínculos continuados com as instituições hegemônicas.
O texto crítico aponta uma lacuna fundamental: a escassez de políticas públicas robustas no Brasil que promovam a internacionalização de forma sistemática. Enquanto países do Norte Global possuem redes de suporte que garantem que seus artistas e curadores circulem permanentemente em Berlim, Londres ou Nova York, o brasileiro muitas vezes depende de iniciativas isoladas ou do esforço de galerias privadas.
Ter 4 nomes em uma lista de 100 não reflete uma “falta de talento” brasileira, mas sim a nossa fragilidade institucional. O Brasil é um exportador de matéria-prima criativa que ainda luta para ser o dono das “fábricas” de prestígio (os museus e feiras que dão a palavra final sobre o que é importante).
Para concluir este ensaio, vamos focar no papel transformador que esses brasileiros exercem e no que é necessário para que a nossa influência finalmente corresponda ao nosso tamanho.
Se o sistema de arte ainda é dominado pelo eixo Norte Global, como o Brasil pode expandir sua influência? A resposta reside em um movimento que os quatro brasileiros da lista dominam com maestria: a revisão das narrativas históricas.
A presença de nomes como Dalton Paula e Thiago de Paula Souza sinaliza uma mudança na “moeda de troca” do prestígio mundial. O mundo da arte está faminto por perspectivas que desafiem o passado colonial e tragam novas formas de entender a identidade.
A conclusão é um “ainda não”. Para que o Brasil seja representado de forma coerente com sua extensão territorial e riqueza cultural, o país precisa superar a fase da “exceção individual”.
Ter quatro nomes na lista é um sinal de prestígio, mas o verdadeiro sucesso será medido quando não precisarmos mais pedir licença para entrar nos rankings de “influência”. O Brasil tem o talento e a narrativa; o desafio agora é construir os próprios palcos para que o mundo venha até nós, e não o contrário.
A trajetória de Pedrosa, Paula, Fonseca e Souza prova que o Brasil já sabe o caminho. Agora, resta ao país dar o suporte estrutural para que esses quatro se transformem em quarenta.
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