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Arte e resistência indígena com Rosi Araújo

De origem Kariri, no Sertão do Ceará, “onde tudo tem aroma de vida pulsando”, Rosi traz a sustentabilidade em um mix entre tradições ancestrais e a modernidade em artes visuais, plásticas, desenhos, fotos, vídeos, poemas e ficções.

Com seu trabalho já exposto pelo Brasil e carimbado no calendário oficial das Olimpíadas 2016, a artista tem seu currículo marcado, também, na exposição “A Terra Vista do Céu”, do francês Yann Arthur Bertrand. No próximo sábado (30), ela assina presença na mostra Brésil em Mouvement, em Paris, com argumento e pesquisa do documentário GRIN, sobre a situação indígena na ditadura do Brasil (em breve disponível em canais de vídeos gratuitamente).

Em uma conversa descontraída com a artista, captamos a alma indígena transcrita em seu trabalho:

Fotos: Danilo Bezerra

Natureza & técnica

“Vejo com os olhos e também com a alma. Os cantos e sons da natureza me conectam com os cosmos, e as cores, formas e luzes convidam para um contato interno e espiritual com todos os seres viventes em um atelier a céu aberto, com argilas, pigmentos de urucum, jenipapo, frutos e plumas. E quando estou escrevendo, sinto-me como em um vôo no horizonte.

Junto a pigmentos naturais e reutilização de materiais, procuro usar a criatividade e intuição. Procuro instigar as pessoas a perceber que é possível unir tradições ancestrais e modernidade.”

GRIN:

“Eu sempre questionei os filmes que tratam da história de massacres, guerras e direitos humanos, mas nunca vi nenhum que tratasse disso com o povo indígena. Foi esse sentimento que me fez, em 2012, após assistir uma reportagem com Marcelo Zelic – que dizia ter encontrado documentos e vídeos das torturas indígenas da época da ditadura – começar eu mesma um documentário sobre o tema. Depois de muito preparo e apoio, lançamos o documentário em 2016, e ele está nos circuitos e festivais de cinema até hoje.

O documentário traz depoimentos de sobreviventes, imagens reais em vídeos e fotos, além de documentos sobre como foi a Criação da Guarda Rural Indígena (GRIN), a visita às aldeias e imagens de como o território indígena foi reduzido e invadido nesta época.É muito forte.”

O que está por vir?

“Mais documentários! Quero relacionar mais os povos indígenas e o meio ambiente, trazer a resistência e a luta por demarcação e preservação de seus territórios. Aguarde mais pinturas e, em breve, uma coleção sobre penas, plumas e aves; e dois livros.”

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Stephany Melo

Estudante de jornalismo e dona do blog Garota da cidade. Apaixonada por moda, arte e tudo o que for vintage

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