Categories: Movimentos

Pop Art – bem antes de Warhol: Stuart Davis, conhece?

A história da arte, assim como a própria história, às vezes comete injustiças lançando holofotes em alguns fatos e pessoas, enquanto outros ficam esquecidos nas sombras.

Pelo menos foi essa a sensação que tive ao sair da exposição Stuart Davis – In Full Swing, na National Gallery of Art em DC.

Digo isso porque meu conhecimento de história da arte, aprendido em escolas e universidades brasileiras, nunca tinha passado por esse artista. Contudo, estudei por uns bons anos a obra e a vida de Andy Warhol. Não que eu queira diminuir a importância de um perante o outro, mas confesso que fiquei surpresa ao ver o trabalho abaixo, feito exatamente 30 anos antes da consagração de Warhol e da Pop Art.

Stuart Davis, Odol, 1924, oil on cardboard, The Museum of Modern Art, New York, Mary Sisler Bequest (by exchange) and purchase. © Estate of Stuart Davis/ Licensed by VAGA, New York, NY – Crédito: National Gallery of Art.

Stuart Davis, artista norte-americano reverenciado nos EUA e desconhecido no Brasil, foi segundo Donald Judd, o grande pai da pop art.

Sua arte colorida, vibrante e cheia de “swing” atravessa vários períodos e influências, desde Van Gogh até Matisse. Mas foi na cultura popular e sobretudo na vibração do jazz, que Stuart Davis se consagrou.

Essa exposição, que já esteve em cartaz no Whitney Museum em NYC dá ao artista o destaque que ele merece.

Sua trajetória começa em 1921, onde Davis reproduzia freneticamente embalagens de cigarro e sabão de lavar roupa (familiar não?). No decorrer de cinco décadas o artista explorou a estética publicitária, das cores chapadas e primárias, reproduzindo com ironia os elementos da cultura popular. Frequentador assíduo da noite nova iorquina, dos bairros afro-americanos e dos bares de jazz, Davis sempre se posicionou politicamente em defesa das minorias.

Todo esse caldo tem papel fundamental em sua obra e suas pinturas reproduzem com inteligência as dificuldades e alegrias da vida nas grandes metrópoles, os contrastes sociais e principalmente o improviso e a energia do jazz, do qual Davis foi um amante fiel.

Para quem quiser saber mais recomendo esse vídeo disponibilizado pela National Gallery of Art.

Veja também:

 

Não foi possível salvar sua inscrição. Por favor, tente novamente.
Sua inscrição foi bem sucedida.
Gabriela Albuquerque

Com formação em Letras e Crítica e Curadoria de Artes, Gabriela é daquelas pessoas que caminha pelo mundo prestando atenção em linhas, formas, cores e sons. Atualmente mora na capital dos EUA , Washington DC, de onde irá compartilhar impressões e descobertas dentro desse universo incrível que só a arte proporciona.

Recent Posts

“Voile/Toile – Toile/Voile”, de Daniel Buren, no MAM Rio

O MAM Rio recebe a primeira edição brasileira de Voile/Toile – Toile/Voile (Vela/Tela – Tela/Vela),…

1 dia ago

‘Beatriz Milhazes: 100 Sóis’ é a primeira individual da artista em Salvador

Beatriz Milhazes: 100 Sóis é a primeira exposição individual da artista em Salvador e reúne,…

2 dias ago

Obra de Eduardo Kobra estampa selo comemorativo da ONU

Eduardo Kobra foi o artista escolhido para ter sua obra estampada no selo postal comemorativo…

5 dias ago

Galeria 18 lança o ‘Clube de Arte 18’, o primeiro members club de arte do Brasil

A Galeria 18 anuncia o lançamento do Clube de Arte 18, o primeiro members club…

6 dias ago

O que faz um artista vender?

“O que faz um artista vender?”: a pergunta que movimenta artistas, estudantes, consultores, galeristas e…

1 semana ago

Liane Roditi apresenta Dobras e Desdobras no Centro Cultural Correios Rio de Janeiro

O Centro Cultural Correios Rio de Janeiro recebe a primeira exposição individual da artista Liane…

1 semana ago