Opinião

Os 70 anos do MAM/SP

A história do MAM/SP representa um capítulo importante da história da arte no Brasil, tendo sido fundado em 1948, acompanhou todas as radicais transformações ocorridas nos últimos tempos.

A mostra “MAM 70: MAM e MAC USP” visa sobretudo realçar os princípios que nortearam a sua formação, difundir a arte com uma perspectiva reflexiva e pedagógica, aberta sempre a novos desafios, ampliando os confrontos estéticos e conceituais acoplando novas técnicas e propostas inusitadas. Foi o primeiro Museu a realizar em 1949, uma exposição totalmente dedicada à fotografia moderna, “Estudos fotográficos”, de Thomaz Farkas.

A exposição concebida em parceria com o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo ocupa duas salas reunindo 103 obras de artistas como Alfredo Volpi, Tunga, Cildo Meireles, Nelson Leirner, Rubem Valentim, Waldemar Cordeiro, Hudinilson Jr, Jean Arp, Anna Bella Geiger, Rosana Paulino, Mary Vieira, Maria Bonomi, Ivan Serpa, Joan Miró, Alexander Calder, Tunga, Wesley Duke Lee, Rubens Gerchman, Geraldo de Barros, Edouard Fraipont, Mattia Moreni, Ana Maria Tavares, José Resende, Iole de Freitas, Sandra Cinto, Artur Barrio, Paulo Bruscky, Regina Vater, Mauro Restiffe, Rodrigo Matheus, entre tantos que estimularam incursões renovadoras.

O MAM é uma instituição que gerou a Bienal e o próprio MAC, além de atuar amplamente na formação cultural de seus frequentadores, proporcionando uma programação dinâmica repleta de inovações.

A criação da Bienal de São Paulo pelo MAM em 1951, representou um marco revolucionário no panorama artístico brasileiro, projetando o país no circuito cultural internacional, possibilitando contatos com o vanguardismo do exterior e a aquisição de obras premiadas para a formação de um precioso acervo.

Na primeira fase do MAM entre 1948 e 1963, as obras que compunham a sua coleção foram doadas à USP, possibilitando que com esse núcleo fosse criado o MAC – Museu de Arte Contemporânea, uma importante instituição que realizou mostras antológicas como “Jovem Arte Contemporânea”, “Jovem Desenho Nacional” e “Jovem Gravura Nacional”, dando a possibilidade de aquisições expressivas para a sua coleção.

O MAM, por sua vez, com a sua reabertura no Ibirapuera, em 1969, começou a formar sua coleção a partir do “Panorama de Arte Brasileira”, com a premiação e aquisição de obras, criando assim um variado acervo dos mais elogiados.

A atual mostra comemorativa está dividida em 8 setores: Bienais, Do Figurativismo ao Abstracionismo, MAC: expor e colecionar, Panoramas, Fotografia Expandida, Multimídia, Ecologia e Educação, traçando um perfil abrangente da esplendida atuação da instituição que sempre se renovou visando a difusão da arte e a formação de um público antenado que acompanha as mirabolantes mudanças culturais da atualidade.

FOTO: ALEX SILVA/ESTADAO

O MAM nos seus 70 anos passou por momentos difíceis mas soube superá-los, criando novas perspectivas e propondo desafios inspiradores. O setor educativo representou um avanço desde que foi concebido, precisamente há duas décadas, deve-se frisar que com a chegada de Milú Vilela à presidência do museu, o mesmo se revitalizou, proporcionando uma retomada promissora em termos de exposições e ações sociais, aprimorando o olhar do público em geral.

Geraldo de Barros – Estação da Luz SP, 1949

A mostra é acompanhada de dois excelentes catálogos, um que documenta parte do incrível acervo do MAM e do MAC, e outro referente ao setor educativo, que serve de referência para outras instituições, uma experiência de sucesso a ser seguida.

FOTO: ALEX SILVA/ESTADAO

Em 2008, ao comemorar 60 anos, o MAM realizou uma grandiosa mostra na Oca – pavilhão Lucas Nogueira Garcez do Parque Ibirapuera, proporcionando uma panorâmica surpreendente da sua coleção, demonstrando a incrível potencialidade do pavilhão em acolher definitivamente o museu com suas excepcionais obras. Historicamente o vínculo existente se solidificou em 1958, por ter sediado o museu por um ano, posteriormente em 2006, aconteceu uma exposição do acervo. O pavilhão reúne todas as condições de concretizar tal iniciativa.

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José Henrique Fabre Rolim

Jornalista, curador, pesquisador, artista plástico e crítico de arte, formado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Unisantos (Universidade Católica de Santos), atuou por 15 anos no jornal A Tribuna de Santos na área das visuais, atualmente é presidente da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), colunista do DCI com matérias publicadas em diversos catálogos de arte e publicações como Módulo, Arte Vetrina (Turim-Itália), Arte em São Paulo, Cadernos de Crítica, Nuevas de España, Revista da APCA e Dasartes.

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