Pintura

A cor verde na história da arte

A cor verde não está presente nas pinturas rupestres de cavernas pré-históricas. Entretanto, os povos neolíticos do norte da Europa extraíam o pigmento da folha da árvore de vidoeiro para o tingimento de roupas. Cerâmicas pré-históricas apresentam pinturas em verde em tonalidades mais próximas do marrom, porém não há evidências de como o pigmento era produzido.

A cor verde no Egito

No Antigo Egito, o verde estava associado ao renascimento e a regeneração. Não raro, divindades eram retratadas tendo a pele desta cor.

Pintura egípcia retratando Osíris, deus da vida e da vegetação
Pintura egípcia retratando Osíris, deus da vegetação e da vida, com a pele verde

Renascença e Idade Média

Na Renascença e Idade Média, as classes sociais eram distinguidas pela cor: cinza e marrom eram cores usadas pelos camponeses; o vermelho era a cor da nobreza; e o verde era utilizado por comerciantes, banqueiros e pequeno-burgueses. Assim, sugere-se, pela cor da roupa de Mona Lisa (1503-1517), que ela pertencesse a classe dos comerciantes.

Mona Lisa, de Leonardo da Vinci (1503-1517)

A noiva retratada na pintura O Casamento de Arnolfini (1434), de Jan van Eyck, também veste verde.

O Casamento de Arnolfini (1434), de Jan van Eyck

Uma cor venenosa

A partir do século 18, o verde passou a ser considerado uma cor venenosa: em 1775, o químico sueco Carl Wilhelm Scheele criou um pigmento conhecido como verde Scheele, produzido com arsênio tóxico.

O corante foi popular durante a Era Vitoriana, embora muitos acreditassem que fosse uma cor perigosa para os artistas. Alguns atribuem a causa da morte de Napoleão Bonaparte, em 1821, ao veneno contido nos papéis de parede verde Scheele que decoravam seu quarto.

Posteriormente, no século 19, foi criado outro pigmento – conhecido como verde Paris – com o qual os pintores impressionistas criaram suas paisagens pinceladas. O corante, porém, também era tóxico, e foi apontado como a causa da diabete de Cézanne e a cegueira de Monet.

Verde Scheele e verde Paris

Leia também:
A cor branca na história da arte

Não foi possível salvar sua inscrição. Por favor, tente novamente.
Sua inscrição foi bem sucedida.
Equipe Editorial

Os artigos assinados pela equipe editorial representam um conjunto de colaboradores que vão desde os editores da revista até os assessores de imprensa que sugeriram as pautas.

Recent Posts

A Arte de Ocupar o Invisível: Como o Artista Ocupador invade um museu sem pedir licença

1. O Fim da "Geografia de Permissão" Houve um tempo em que o endereço de…

3 dias ago

10 Dicas Fundamentais para Vender sua Arte em 2026

O Mercado Pós-Intermediação O ano de 2026 marca a consolidação de uma mudança sísmica que…

3 dias ago

Universo de Torres Garcia

A exposição Joaquín Torres Garcia – 150 anos em cartaz no CCBB se destaca de forma surpreendente pela sua…

6 dias ago

10 fatos que marcaram o mundo da arte em 2025

O mundo da arte viveu, em 2025, um período de inflexão decisivo. Entre grandes exposições…

3 semanas ago

Tarsila do Amaral S/A prepara exposição imersiva e conquista prêmio

A Tarsila do Amaral S/A (TALE) e a LiveIdea venceram o Prêmio Caio, considerado o…

3 semanas ago

O Brasil e o Poder na Arte Mundial

1. O Mito da Globalização e a Realidade dos Números O senso comum sugere que…

3 semanas ago