Atelier des Lumières: primeiro centro dedicado inteiramente à arte digital de Paris
O Atelier des Lumières é o primeiro centro dedicado inteiramente à arte digital de Paris. Com uma programação de « exposições imersivas e monumentais », 140 video-projetores e 50 caixas de som chegam a projetar mais de 3000 imagens num espaço de 2000 m2 com muros de até à 10 metros de altura. Para alcançar uma tamanha superfície, o Atelier des Lumières tem hoje a maior instalação multimídia fixa do mundo e contou com um investimento de cerca de 9 milhões de euros.
Reabilitada para abrigar o centro, a casa de fundição Plichon do século XIX é décimo endereço histórico francês confiado a fundação Culturespaces (subsidiária do gigante de energia Engie, antigo GDF Suez). Entre os monumentos gerenciados e valorizados pela fundação estão o Museu Jacquemart-André, em Paris, o Hôtel Caumont, em Aix-en-Provence, as arenas de Nîmes e o Carrières de Lumières, em Baux-de-Provence. Este último é primeira experiência realizada pela Culturespaces de um espaço adaptado exclusivamente para receber espetáculos multimídias de grande escala. Aberto em 2012, o Carrières de Lumières recebe uma média de 600 mil visitantes por ano e mostra que, se tomarmos como base a frequentação do local, o modelo monumental e digital funciona.
Segundo Bruno Monnier, presidente da Culturespaces: « O papel de um centro de arte é quebrar barreiras e é por isso que o digital deve ter o seu lugar nas exposições do século XXI. Colocado a serviço da criação, ele se torna um formidável vetor de difusão, capaz de criar pontes entre épocas, de fazer vibrar as práticas artísticas entre elas, de amplificar as emoções e de tocar o maior número de pessoas ».
As « exposições » inaugurais do Atelier des Lumières (em cartaz até dia 11 novembro de 2018) são consagradas à Gustav Klimt e Egon Schiele, figuras conhecidas do público em geral e indissociáveis do movimento Secessionista vienense, e ao arquiteto e pintor Friedensreich Hundertwasser, herdeiro dessa tradição. A primeira « exposição » (para ser fiel ao termo escolhido pelos organizadores) é composta por quatro sequências que mostram um diálogo entre a pintura e a arquitetura neoclássica de Viena do século XIX e que evolui com uma justaposição de reproduções ampliadas das obras mais célebres de Gustav Klimt (como O Beijo e O retrato de Adèle Bloch-Bauer I) passando rapidamente por Egon Schiele para terminar com as obras de Klimt voltadas para o tema da natureza. Após uma pausa de 1 minuto, a segunda « exposição », de Hundertwasse, tem início ressaltando as linhas vivas e as formas irregulares usadas pelo artista.
A curadoria da exposição é de Beatrice Avanzi, mas os responsáveis por criar essa trama, ou melhor, essa instalação inspirada pelos trabalhos dos artistas austríacos, são Gianfranco Iannuzzi, Renato Gatto e Massimiliano Siccardi. « Graças à desmaterialização das obras de arte, queremos oferecer ao público a oportunidade de viver a arte de forma diferente, situando-se no centro do trabalho » explicam os três programadores.
Mas, como definir essa nova proposta trazida pelo Atelier des Lumières? Monumental? A instalação é, sem dúvida, impactante. Ao entrar no espaço da antiga casa de fundição, somos invadidos dos pés às cabeças por todas a cores e linhas que se transformam a todo instante. Deambular é fundamental. Sentar como um bom espectador e ver a projeção percorrer os muros e o nosso próprio corpo também funciona.
Espetacular? A programação se aproxima talvez mais de um divertissement que de uma exposição, tem um tempo definido (são 35 minutos de projeção) e um espaço bem delimitado. A trilha sonora que acompanha as projeções, Richard Wagner, Johann Strauss, Ludwig van Beethoven, Frederic Chopin, Gustav Mahler, Philip Glass, acentuam ainda mais essa característica. No final de cada sequência, é curioso notar que o público aplaude como se estivesse em um teatro. Contudo, não podemos dizer que estamos diante de um evento único.
Encontrando grande êxito, a fórmula concebida pela Culturespaces de usar grandes nomes da história da arte e projetar suas obras mais conhecidas dentro de um espaço gigantesco e ainda por cima patrimonial é simples. A programação é lúdica, acessível e nos emociona pela sua monumentalidade. Não é uma surpresa dizer que o público mais visado pela fundação sejam as crianças, os adolescentes e as pessoas que não têm o hábito frequentar museus e outros estabelecimentos culturais. Por essa razão também, o Atelier des Lumières oferece um programa pedagógico para jovens afastados da cultura por razões « sociais, psicológicas, físicas ou geográficas ».
Agora, basta acompanhar o real alcance dessa proposta no decorrer dos anos para saber se, ao sair desse turbilhão de cores e som, alguma coisa ficou, se essa passarela entre as épocas foi construída e não se restringe à um momento agradável e pontual. A ideia de incentivar os espectadores a deixarem sua postura passiva utilizando uma linguagem digital é certamente uma prática cheia de possibilidades a ser explorada.
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