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Richard Mosse usa câmeras militares para fotografar refugiados

Richard Mosse usa câmeras militares para fotografar refugiados

“Incoming” (“Aqueles que entram” em tradução livre) é a nova exposição do fotógrafo Richard Mosse na famosa galeria curva do Barbican em Londres. A exposição é resultado de viagens do artista por entre os campos de refugiados instalados por toda a Europa nos últimos anos. Uma série de vídeos mostram os percursos daqueles que procuram abrigo e fotografias panorâmicas, tiradas com uma câmera termal militar capaz de detectar calor humano numa distância de até 30 quilômetros, retratam os campos de abrigo temporário.

As imagens são como negativos. O preto e branco desenham uma paisagem que aparenta representar, como um raio-x, aquilo que não é possível de ser visto a olho nu. Fui visitar a exposição com uma amiga, Renata Cleaver, que trabalha num centro de atendimento à imigrantes e refugiados no norte de Londres. Uma de suas observações me fez refletir bastante sobre as escolhas do artista em usar a câmera termal e a inversão das cores nos vídeos. Seu ponto era de que é difícil evitar o enquadramento clichê do fotojornalismo quando tratamos de situações-limite como esta, mas Mosse conseguiu criar um jogo entre o que é representado na mídia internacional e a experiência vivida nas dadas circunstâncias.

O choque de nos depararmos com as imagens invertidas e em movimento realça o aspecto vivo e pulsante dos campos de refugiados. O nosso privilégio de poder caminhar livremente numa galeria de arte entra em cheque e para além das narrativas pessoais somos levados a pensar nas realidades concorrentes que ali estão: as representadas por Mosse e o nosso cotidiano abrigados sobre um mesmo teto.

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Marcel Darienzo

Marcel Darienzo é paulista e trabalha nas artes visuais, performance, teatro e dança. Atualmente mora em Londres, Reino Unido, onde é candidato a Mestre pela Goldsmiths, University of London

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