Categories: Cinema

“Fragmentado”, um filme de Shyamalan que surpreende | SEM SPOILER

M. Night Shyamalan, após ter lançado seu excepcional O Sexto Sentido (1999), conseguiu o grande destaque nos holofotes de Hollywood, sendo comparado até mesmo com Spielberg e outros grandes gênios do cinema.

A partir de então, seus admiradores foram presenteados com filmes maravilhosos como Corpo Fechado (2000), Sinais (2001) e, após algum tempo, A Vila (2004). A partir daí, a carreira do diretor passou a ficar um pouco conturbada, em um leve declínio. A Dama Na Água (2006) já começou a dividir opiniões em relação ao quão incrível o nosso querido Shyamalan poderia ser.

Mas então, o pior aconteceu. Após alguns filmes que nem merecem ser citados, foram lançados O Último Mestre Do Ar (2010) e Depois Da Terra (2013), fazendo com que grande parte dos seus fãs chegassem a conclusão de que ele havia gastado todo seu talento no começo da carreira.

Nem preciso dizer que estavam enganados. A Visita (2015) foi um filme que a crítica e os fãs do diretor aceitaram melhor do que suas últimas obras, mas parece que ele estava apenas preparando o palco para o maravilhoso Fragmentado, no original, Split.

O filme aborda três garotas que foram sequestradas por um sujeito que possui Transtorno Dissociativo de Identidade, onde vinte e três personalidades diferentes habitam a mente do personagem que foi brilhantemente executado por James McAvoy, muito conhecido por seus recentes filmes dos X-Men. No elenco, contamos também com Anya Taylor Joy, que brilhou em seu papel em A Bruxa (2015), que fez com que Shyamalan a chamasse para seu filme sem qualquer teste.

Fragmentado funciona como os bons e adorados filmes do começo da carreira de Shyamalan. Com apenas 9 milhões de dólares em caixa, o diretor conseguiu construir uma história tensa, dramática e repleta de suspense, onde o ritmo cresce de forma intensa e quase ininterrupta.

A narrativa segue de forma simples e bem estruturada, onde os três atos do filme são densos e consistentes. O corte do filme funciona de maneira impecável, com pontuadíssimos flashbacks da vida de personagens, enquanto a tensão do filme vez por outra é quebrado por pequenas pitadas de alívio cômico, mas nada que destoa muito do tom assustador do filme. A curva dramática no terceiro ato é incrivelmente apreensiva, onde grandes revelações ocorrem, como é de se costume nos grandes filmes de Shyamalan. Mike Gioulakis, o diretor de fotografia do filme coloca o expectador dentro do quarto onde as garotas estão presas, usando truques de câmera para criar ambientes claustrofóbicos, mas não muito escuros ou tenebrosos.

O ponto alto está na forma como o sequestrador é enquadrado nas câmeras, dando mais individualidade para cada personalidade do sujeito, em takes fechados e muitas vezes extremamente próximos de seu rosto, onde podemos ver como suas expressões e olhares são únicos. James McAvoy entrega um personagem extremamente crível, forte e, em alguns casos, carismático. O modo como sua expressão muda de personalidade para personalidade e como ele consegue agir com pequenos maneirismos diferentes deixarão muitas pessoas frustradas se ele não pelo menos concorrer ao Oscar de melhor ator.

Para os fãs de Shyamalan e de seus primeiros filmes, Fragmentado é um prato cheio. O suspense de O Sexto Sentido, a tensão de Sinais e o trabalhado roteiro de Corpo Fechado se juntam nesse grande filme, que mostra que o diretor, apesar de seus tropeços ao longo da carreira, ainda tem muito a nos mostrar e vai nos surpreender com grandes filmes no futuro.

Não foi possível salvar sua inscrição. Por favor, tente novamente.
Sua inscrição foi bem sucedida.
Rafael Poffo

Estudou desenvolvimento de jogos e design gráfico focado em 3d e animação. Atualmente preso nas aulas de marketing, é um amante de livros de horror, ficção e história, assim como adorador apaixonado de toda a sorte de animações. Maníaco por ideais hiperrealísticos de cybercultura, ramificações do expressionismo alternativo pós-moderon e (quase) pai de um cachorro.

Recent Posts

“Voile/Toile – Toile/Voile”, de Daniel Buren, no MAM Rio

O MAM Rio recebe a primeira edição brasileira de Voile/Toile – Toile/Voile (Vela/Tela – Tela/Vela),…

4 dias ago

‘Beatriz Milhazes: 100 Sóis’ é a primeira individual da artista em Salvador

Beatriz Milhazes: 100 Sóis é a primeira exposição individual da artista em Salvador e reúne,…

5 dias ago

Obra de Eduardo Kobra estampa selo comemorativo da ONU

Eduardo Kobra foi o artista escolhido para ter sua obra estampada no selo postal comemorativo…

1 semana ago

Galeria 18 lança o ‘Clube de Arte 18’, o primeiro members club de arte do Brasil

A Galeria 18 anuncia o lançamento do Clube de Arte 18, o primeiro members club…

1 semana ago

O que faz um artista vender?

“O que faz um artista vender?”: a pergunta que movimenta artistas, estudantes, consultores, galeristas e…

1 semana ago

Liane Roditi apresenta Dobras e Desdobras no Centro Cultural Correios Rio de Janeiro

O Centro Cultural Correios Rio de Janeiro recebe a primeira exposição individual da artista Liane…

2 semanas ago