Exposições e Eventos

Está em cartaz, no CCBB São Paulo, exposição inédita da premiada artista Vivian Caccuri

O CCBB São Paulo (Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo) recebe, até 3 de agosto, a exposição Vivian Caccuri – Pele Azul, individual da artista Vivian Caccuri com curadoria de Bernardo José de Souza. A mostra, em cartaz no Espaço Anexo, reúne quatro obras — sendo três inéditas — e tem como ponto de partida a presença dos mosquitos para pensar as relações entre a humanidade e outras formas de existência. Como atividade paralela da mostra, está agendada para o dia 23 de maio, sábado, às 18h, a palestra performática Mosquitos também choram, que explora a relação entre humanos e mosquitos através do som, história e doenças tropicais, investigando o incômodo do som do zumbido e seu impacto cultural. Essa performance já foi apresentada na Bienal de Veneza, Frieze Live London e Bienal de São Paulo.

Composta por instalações, bordados, esculturas sonoras e trabalhos audiovisuais, a exposição Pele Azul traz obras de grande escala da artista paulistana, que reside no Rio de Janeiro há 18 anos, e articula diferentes linguagens em torno de experiências sensoriais e narrativas que atravessam som, corpo e ecologia. A partir de uma pesquisa sobre o impacto cultural desses insetos no Brasil, cuja sobrevivência está diretamente ligada à preservação de ecossistemas florestais e sua biodiversidade, Vivian Caccuri investiga seus vínculos com a vida humana, abordando sua presença no cotidiano, nas ideias e fantasias sobre as relações interespécies no imaginário coletivo e na formação das cidades tropicais.

Obra de Vivian Caccuri

Na instalação audiovisual multicanal Pele Azul (2026), que dá título à exposição, a artista apresenta uma inversão de perspectiva ao colocar os mosquitos Sabethes albiprivus, mais conhecidos como mosquito azul, no centro da narrativa. Desenvolvido ao longo de quatro anos em colaboração com o Laboratório de Transmissores de Hematozoários da Fiocruz, no Rio de Janeiro, o trabalho resulta de um acesso raro e excepcional a essas espécies pouco citadas no cotidiano, que habitam as copas das árvores e permanecem, em grande parte, invisíveis à observação humana.

A partir de um roteiro escrito por Vivian Caccuri em colaboração com Beto Amaral, o filme foi realizado em cinco dias de filmagens em ambiente controlado – um set de filmagem especialmente adaptado para captar as características físicas únicas dos mosquitos azuis -, incorporando também, pela primeira vez, a captação de seus sons. Nas palavras da artista, “o resultado são imagens inéditas para a maioria das pessoas. Este mosquito me atraiu primeiramente pela beleza e forma, possui uma pele brilhante e azul, brilhos, plumas, é um animal sedutor. Em um segundo momento, compreendi a relevância ecológica ligada a esse olhar: nós humanos, não deveríamos poder vê-lo. Se estão voando perto de nós significa que seu ambiente original está sendo alterado de forma drástica. O mosquito azul problematiza a possibilidade do olhar e suas consequências no mundo físico”.

Obra de Vivian Caccuri

Entre os trabalhos apresentados também está Gatonet (Nuvem) (2026), instalação sonora formada por 120 caixas de concreto, a maioria delas aparelhada com alto-falantes e cabos de áudio. A obra organiza um emaranhado de fios que remete a uma floresta tropical, como cipós que conduzem informação sonora, propagando zumbidos de mosquitos no espaço. Nessa paisagem, elementos associados ao ambiente urbano e ao tecnológico — como o concreto e o cobre — se articulam a referências orgânicas, criando uma ambiência eletroacústica composta pela artista a partir dos sons de insetos reais, captados em laboratório e o renomado designer de som português Vasco Pimentel. A instalação estrutura o percurso expositivo e estabelece um campo sonoro que está em constante auto-reorganização, nunca se repetindo, que acompanha o visitante ao longo da galeria.

O público também vai conhecer os trabalhos Lexapro II (2022) e Lexapro III (2026). Produzidos com tela mosquiteiro, algodão, poliéster, betume e tinta acrílica, são obras que incorporam materiais associados à proteção contra insetos como suporte e superfície, tensionando relações entre corpo, cuidado e exposição. Nelas, Vivian constrói cenários nos quais os humanos interagem com outras espécies em espaços multidimensionais: são experiências sonoras e de contato que se processam em plano contínuo.

No texto curatorial, Bernardo José de Souza propõe a ideia de “contágio” como medida das relações entre diferentes formas de vida. “Somos permanentemente afetados por diferentes formas de vida ou existência, sejam elas animais, vegetais, inorgânicas ou mesmo artificiais”, afirma. Ele também descreve a exposição como uma espécie de “selva elétrica”, em que a experiência sonora e sensorial orienta o percurso do público.

Ao apresentar o projeto, o Centro Cultural Banco do Brasil reforça sua atuação na difusão da arte contemporânea brasileira e na promoção de reflexões sobre ecologia e a transformação da percepção humana em meio à artificialidade crescente, ampliando o acesso do público à produção artística atual.

Sobre Vivian Caccuri

Vivian Caccuri (São Paulo, 1986) é uma artista brasileira que vive e trabalha no Rio de Janeiro. Sua prática investiga o som como elemento central para reorganizar a percepção e tensionar experiências cotidianas. Em suas instalações e performances, utiliza materiais como alto-falantes, microfones, cabos, correntes, redes, lâmpadas e velas, articulando dimensões visíveis e invisíveis, audíveis e inaudíveis.

Com trajetória consolidada no Brasil e no exterior, realizou exposições individuais em instituições como o New Museum, em Nova York (2022), na Galeria Municipal do Porto (2024), Folkwang Museum, na Alemanha (2024). Participou também de exposições coletivas em instituições e eventos como a Bienal de Veneza (2019), a 32ª Bienal de São Paulo (2016), a Bienal do Mercosul (2018 e 2022), o MASP, a Pinacoteca de São Paulo e o Museu Jumex, na Cidade do México, entre outros.

Entre os reconhecimentos, foi vencedora do Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia (2011) e do Prêmio Funarte de Produção Crítica em Música (2013), além de ter sido finalista do Prêmio PIPA (2018) e do Future Generation Art Prize (2017). Participou de residências artísticas em instituições como a Delfina Foundation (Londres), Mattress Factory (Pittsburgh), Lulea University of Technology (Suécia) Kunsthall Trondheim (Noruega) e CAPACETE (Rio de Janeiro).

Seus trabalhos integram coleções como Instituto Paz , Pinacoteca de São Paulo, Coleção Gilberto Chateaubriand (MAM Rio), Pérez Art Museum Miami (PAMM), Institute of Contemporary Art (ICA Miami) e Berggruen Collection, na Alemanha.

Sobre Bernardo José de Souza

Bernardo José de Souza realiza exposições, escreve e investiga a arte contemporânea. Foi Diretor Artístico da Fundação Iberê Camargo (2017/19), em Porto Alegre, Brasil, e atualmente atua como curador independente, vivendo em Madri. Integrou a equipe curatorial da 19ª Bienal de Arte Contemporânea SESC_Videobrasil | São Paulo (2015), e também foi membro da equipe curatorial da 9ª Bienal do Mercosul | Brasil (2013). De 2005 a 2013, trabalhou como Diretor do Departamento de Cinema, Vídeo e Fotografia da Secretaria de Cultura de Porto Alegre, Brasil. Entre suas exposições selecionadas estão Sex in Space, na Isla Flotante (2025); Electric Jungle Fever — Vivian Caccuri (2025), na Galeria Municipal do Porto; The Disagreement: a theatre of statements (2024) e The Devil to pay in the backlands (2022), ambas no NKW / Neuer Kunstverein Wien; Film as Muse (2021), no Salzburger Kunstverein; An Exhibition with works by… (2020), no Kunstinstitut Melly; Havoc and Allure (2019), no Solar dos Abacaxis, Rio de Janeiro; Unanimous Night (2017), no CAC / Contemporary Art Center, em Vilnius; e The Negative Hand (2015), no Parque Lage, Rio de Janeiro.

Sobre o CCBB São Paulo

O Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, iniciou suas atividades há mais de 20 anos e foi criado para formar novas plateias, democratizar o acesso e contribuir para a promoção, divulgação e incentivo da cultura. A instalação e manutenção de nosso espaço em um prédio, em pleno centro da capital paulista, reflete também a preocupação com a revitalização da área, que abriga um inestimável patrimônio histórico e arquitetônico, fundamental para a preservação da memória da cidade. Temos como premissa ampliar a conexão dos brasileiros com a cultura, em suas diferentes formas. Essa conexão se estabelece mais genuinamente quando há desejo de conhecer, compreender, pertencer, interagir e compartilhar. Temos consciência de que o apoio à cultura contribui para consolidar sua relevância para a sociedade e seu poder de transformação das pessoas. Acreditamos que a arte dialoga com a sustentabilidade, uma vez que toca o indivíduo e impacta o coletivo, olha para o passado e faz pensar o futuro. Com uma programação regular e acessível a todos os públicos, que contempla as mais diversas manifestações artísticas e um prédio, que por si só já é uma viagem na história e arquitetura, o CCBB SP é uma referência cultural para os paulistanos e turistas da maior cidade do Brasil. 

Serviço

Exposição: Vivian Caccuri – Pele Azul
Período: 29 de abril a 3 de agosto de 2026
Local: CCBB São Paulo – Espaço Anexo
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro Histórico – SP
Ingressos: Gratuitos aqui e na bilheteria do CCBB

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