Obra de de Darcy Penteado
A Galeria de Arte André abre, no dia 16 de maio, sábado, a exposição “Darcy Penteado 100”. Como parte do projeto “Monográficas”, já em sua nona edição, a exposição traz cerca de 80 trabalhos, entre pinturas, desenhos, retratos, figurinos, gravuras e colagens, além de itens de documentação como livros, esboços, periódicos, cartazes e fotografias, entre outros. A curadoria é de Jaqueline Ferreira e Octávio Guastini.
Escritor, figurinista, cenógrafo, autor teatral, gravador, ilustrador de livros e artista plástico, Darcy Penteado (1926-1987), foi uma figura presente na cena cultural paulistana entre os anos 1950 e 1980, quando morreu em decorrência de complicações causadas pelo vírus do HIV. A curadoria, assinada por Jaqueline Ferreira e Octávio Guastini, levou mais de um ano na produção e organização das obras com pesquisas em acervos públicos e particulares.
A Galeria de Arte André foi o último espaço onde o artista fez uma exposição. Em 1986, ele levou a individual “Sessenta Anos” ao salão principal da galeria. Nesse vernissage, houve uma apresentação de canto lírico de uma performer em trajes negros irrompendo a galeria, num momento em que surpreendeu os presentes com a sua força dramática.
Daquele período, estarão presentes na atual exposição os cinco óleos sobre tela: “Piquenique em Igarapava”, “O adeus”, “De volta às águas calmas”, “Personagem solitário em uma paisagem melancólica” e “Panorama do alto da Cantareira.
Penteado foi um militante pioneiro na luta por minorias, sobretudo para o público LGBTQIAP+, em uma época que o país atravessava o período de repressão da década de 1970. Em 1978, fundou o jornal Lampião da esquina, um periódico que promovia o debate e trazia informações e campanhas de saúde fundamentais para o esse público.
Para Mario Gioia, que assina o texto crítico da exposição, “são surpreendentes as novas perspectivas de obras que ficaram por anos em circulação restrita. Por exemplo, a série de colagens “Proposta para uma nova Via Crucis” (1966), exibida antes no Masp não deixa de ser provocativa mais de 50 anos após sua estreia. No início dos anos 1960, radicou-se na Europa, onde o estilo post-pop chama atenção da crítica, inclusive a de medalhões como o italiano Giulio Carlo Argan (1909-1992). E o raro autorretrato revela quão gráfica e figurativa era a produção de Penteado, e como ele se renovou na derradeira mostra de paisagens na André, em 1986, por exemplo”.
Penteado exibiu trabalhos em dez edições de Bienal de São Paulo. Exposta na 12ª Bienal, em 1973, a obra Proposta do amor, o artista dizia ““Eu não peço paz, peço amor”, para cada uma das pessoas que estavam na primeira fila, convidando o público para entrar na obra.
Atualmente, existem poucos documentos desta obra, o que a torna bastante rara, estando presente no Arquivo Histórico Wanda Svevo.
Como ilustrador, fez capas de livros de nomes como Graciliano Ramos, Hilda Hilst e Jorge Amado. Ganhou o prêmio de melhor ilustrador do ano, da Câmara Brasileira do livro, pelas ilustrações de “Cantos da cabra cega”, de Marcel Aymé.
Para Mario Gioia, “perscrutar a plasticidade das obras de Penteado atesta a versatilidade da práxis do artista e sua poética que transbordava a discussão da identidade”.
O programa tem o objetivo de exibir com mais fôlego a obra de artistas de reconhecido valor (e que, por vezes, es tão com visibilidade menos ostensiva dentro do circuito) que se relacionam com a própria história da galeria, já com mais de seis décadas de atividade na cidade de São Paulo. As mostras anteriores do programa foram dedi cadas a Carlos Scliar (1920–2001), Enrico Bianco (1918–2013), Iracema Ar diti (1924–2006), Armando Sendin (1928–2020), José Moraes (1921–2003), Sonia Ebling (1918–2006), Antonio Augusto Marx (1919–2008) e Raquel Taraborelli (1957–2020). A organização é de Mario Gioia, crítico de arte e curador independente.
Com 67 anos de atuação no circuito das artes, a Galeria de Arte André foi fundada em 1959 pelo romeno André Blau. É considerada a maior galeria de arte da América Latina, tendo se tornado uma referência no mercado de arte brasileira. Atualmente dirigida por Juliana Blau, a casa ajudou a forjar o mercado de arte no Brasil e passou por diversos endereços até se consolidar na Rua Estados Unidos, entre a Avenida Rebouças e a Alameda Gabriel Monteiro da Silva.
Conhecida pelo seu acervo de esculturas e obras de artistas como Aldemir Martins, Alfredo Volpi, Bruno Giorgi, Carlos Araujo, Carlos Scliar, Cícero Dias, Clóvis Graciano, Di Cavalcanti, Frans Krajcberg, Guignard, Hector Carybé, Manabu Mabe, Orlando Teruz, Roberto Burle Marx, Sonia Ebling e Tomie Ohtake, entre muitos outros, a casa oferece ao público exposições periódicas e projetos educacionais e culturais.
Oferece um calendário de exposições ao longo do ano, tendo diversos projetos curatoriais com artistas da casa e que fizeram parte da história e de seu acervo. Além disso, tem o projeto Multimuros, atualmente com uma obra de arte pública na fachada da galeria, localizada na Avenida Rebouças, assinada pela artista indígena Tamikuã Tixihi.
Exposição “Darcy Penteado 100”
Curadoria: Mario Gioia
Data: de 16 de maio a 20 de junho
De segunda a sexta, das 9h às 19h / Sábados das 10h às 14h
Local: Galeria de Arte André. Rua Estados Unidos, 2.280 – Jardim Paulistano. São Paulo – SP
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