Exposições e Eventos

Galeria Danielian inaugura duas exposições em São Paulo

A Galeria Danielian apresenta, a partir de 26 de maio, duas novas exposições em São Paulo que colocam em diálogo diferentes tensões da arte contemporânea brasileira. Enquanto a individual As feras / Às feras, de Ana Neves, investiga deslocamento, pertencimento e memória a partir de pinturas e desenhos inéditos, a coletiva AINDA BEM, com curadoria de Clarissa Diniz, propõe uma reflexão crítica sobre os imaginários elitistas que moldaram historicamente a arte no Brasil.

Ana Neves apresenta “As feras / Às feras”

Com curadoria de Ariana Nuala, As feras / Às feras reúne dez obras inéditas de Ana Neves e investiga a construção do ser humano enquanto consciência e corpo, articulando linguagem, rito e movimento.

Nas pinturas e desenhos, figuras híbridas aproximam corpo humano, fauna, flora e objetos em composições marcadas por símbolos recorrentes, como o canavial, a onça e o boi. As imagens fazem referência à Zona da Mata pernambucana, onde a artista vive e trabalha, atravessando questões ligadas a território, deslocamento e pertencimento.

Acreditar é, 2024

A prática de Ana Neves parte de um conflito constante entre palavra e imagem. Com origem na literatura, sua produção constrói cenas carregadas de memória e simbolismo, recusando leituras fixas e propondo narrativas abertas. Segundo a curadora Ariana Nuala, os desenhos e pinturas “parecem feitos sob pressão”, em uma linha que insiste, retorna e tensiona a própria superfície.

A isso me refiro quando digo vermelho, 2024. Díptico

Nascida em 1998, Ana Neves vem se consolidando como um dos nomes emergentes da cena contemporânea brasileira. Entre seus projetos recentes estão a individual Tropical Trópico: Aqui Tudo Derrete, apresentada na Torre Malakoff, em Recife, além de participações em exposições no Museu Nacional da República e no CCBB.

Coletiva “Ainda bem” confronta estruturas históricas da arte brasileira

Também inaugurada em 26 de maio, a coletiva AINDA BEM transforma a galeria em um espaço de confronto simbólico sobre raça, classe e gênero na história da arte brasileira.

Com curadoria de Clarissa Diniz, a mostra reúne 28 artistas dos séculos XIX, XX e XXI e parte de uma frase do artista Gustavo Speridião — “Ainda bem que este tipo de arte um dia irá acabar” — para questionar a tradição burguesa que moldou os padrões de representação artística no Brasil e no Ocidente.

Oswaldo Teixeira, Desilusão, 1973.

A exposição aproxima pinturas históricas ligadas ao imaginário de uma elite branca brasileira de obras contemporâneas que tensionam, ironizam e desmontam essas estruturas visuais e sociais. O percurso expositivo reúne pinturas, vídeos e fotografias que evidenciam permanências históricas e mecanismos de exclusão ainda presentes na produção cultural.

Além de Gustavo Speridião, participam artistas como Álvaro Seixas, Lenora de Barros, Victor Arruda, Pedro Vinicio, Nati Canto e Rodolfo Amoedo, entre outros.

Alvaro Seixas, Falso Mensageiro, 2025.

Segundo Clarissa Diniz, a mostra busca imaginar “práticas artísticas que não obedeçam, tampouco se intimidem, diante das prescrições históricas, sociais e ontológicas legadas pela formação burguesa da ideia de arte”.

Sobre a Galeria Danielian

A Danielian é resultado de mais de duas décadas de experiência de seus fundadores e atua construindo pontes entre a herança artística brasileira e produções contemporâneas relevantes no cenário atual. A galeria busca valorizar diferentes linguagens, perspectivas e práticas que atravessam a arte contemporânea brasileira.

Serviço

Exposição individual “As feras / Às feras” de Ana Neves
Curadoria: Ariana Nuala

Exposição coletiva “AINDA BEM”
Curadoria: Clarissa Diniz

Período: de 26 de maio a 11 de julho de 2026
Horários: segunda a sexta, das 11h às 19h | sábado, das 11h às 15h
Entrada gratuita
Local: Galeria Danielian
Endereço: Rua Estados Unidos, 2157 – Jardins – São Paulo

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