Individual de Érica Magalhães na Galeria Aura reúne esculturas inéditas
A Galeria Aura apresenta, a partir de 08 de agosto, “Bauci: A cidade e os olhos”, nova exposição individual de Érica Magalhães, com texto curatorial de Tatiana Ferraz. Reunindo um conjunto de esculturas recentes, produzidas especialmente para a ocasião, a mostra é resultado da pesquisa da artista sobre as relações entre matéria, equilíbrio e as estruturas simbólicas inscritas nos objetos cotidianos.
Conhecida por aproximar materiais de naturezas aparentemente inconciliáveis, Érica Magalhães constrói esculturas nas quais porcelanas sustentam pesados blocos de concreto, subvertendo expectativas associadas à resistência e à fragilidade. O equilíbrio, contudo, é resultante de um extenso conhecimento dos materiais, desenvolvido ao longo de anos de pesquisa em ateliê.
Como observa Tatiana Ferraz, porcelana e concreto compartilham uma origem semelhante, ambos passam de uma condição líquida a uma estrutura sólida, mas assumem papéis opostos quando reunidos nas esculturas. “Apesar da rigidez de ambos, eles convivem em tensão, um sobre o outro, na iminência da escultura colapsar” escreve a curadora.

Para além das propriedades físicas desses elementos, Magalhães investiga as histórias culturais que eles carregam. As porcelanas utilizadas são aparelhos de chá e café garimpados em feiras, camelôs e antiquários, objetos que remetem ao universo doméstico e aos papéis de gênero historicamente atribuídos às mulheres. Comprimidos pelo concreto, associado à construção e a brutalidade, essas peças em conjunto revelam as tensões entre ornamentação e estrutura, como paralelos para expectativas sociais.

Entre os destaques da exposição, está o “O anjo exterminador” (2026), uma de suas poucas obras intituladas. Sobre ela, Ferraz escreve: “A fragilidade do corpo-porcelana-fl orido é simetricamente tensionada por suas alças concretadas de modo a estendê-las lateralmente, como as asas abertas de um anjo, o qual está ao mesmo tempo impedido de voar. O aprisionamento da figura angelical nos coloca, desse modo, no lugar de um corpo trans, subjugado a todo tempo pelos engessamentos sociais, à beira de colapsar.”
Obras em Destaque

O título da mostra tem como inspiração o livro “As Cidades Invisíveis” (1972), de Italo Calvino. Bauci é uma das cidades imaginárias descritas por Marco Polo ao imperador Kublai Khan e integra o capítulo “As cidades e os olhos”. Suspensa sobre altas estacas, Bauci é habitada por pessoas que observam a terra sem jamais tocá-la. É uma arquitetura do impossível, onde o peso da urbe sobre as frágeis estacas desafi a a gravidade. De modo semelhante, as esculturas presentes na exposição são erguidas sobre bases, de estruturas metálicas vazadas, que aproximam as obras do olhar. Sustentadas por equilíbrios mínimos, elas evidenciam o que é visto como delicado ou subestimado como a base invisível que suporta o peso do mundo construído.
Sobre a Galeria Aura
A Aura iniciou suas atividades em 2015 como uma plataforma digital dedicada ao mapeamento da arte contemporânea brasileira. Desde 2022, está sediada nos Jardins, em São Paulo, sob direção artística de seu sócio-fundador, Edoardo Biancheri, consolidando um programa voltado à produção artística contemporânea.
Atualmente, a galeria representa artistas do Brasil, Portugal, Argentina e Uruguai, com pesquisas que abordam questões sociais, políticas, culturais e identitárias. Com participação em feiras internacionais em cinco países, a Aura também tem artistas presentes em importantes coleções de museus e instituições no Brasil e no exterior.
Serviço
Érica Magalhães – Bauci: A cidade e os olhos
Local: Galeria Aura. Rua da Consolação, 2767 – Jd. Paulista, São Paulo – SP
Abertura: 08 de agosto, das 14h às 18h. Conversa com a artista: às 16h.
Período expositivo: 08 de agosto a 23 de setembro de 2026
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