Marta Minujín
O ano é 1965. A artista argentina Marta Minujín cria a instalação La Menesunda, um projeto em colaboração com Rubèn Santantonín, Pablo Suárez, Floreal Amor, Rodolfo Prayon, Leopoldo Maler, David Lamelas e outros associados do Instituto Torquato Di Tella (um centro de arte experimental em Buenos Aires).
La Menesunda foi criada como uma resposta direta à vida urbana em Buenos Aires: o título é uma gíria para uma situação confusa. Um dos trabalhos mais celebrados da década, a instalação consistia em um itinerário visual feito de dezesseis ambientes, e incluía um túnel de sinais luminosos de neon, um quarto com um casal na cama, um consultório de dentista, um freezer andante e um salão de beleza com maquiadoras dentro de uma estrutura no formato de uma cabeça de uma mulher.
Esse confuso labirinto interativo tinha como objetivo provocar os visitantes e estimulá-los à ação, além de oferecer novas maneiras de encontro com a cultura de consumo, os meios de comunicação de massa e a vida urbana. A instalação atraiu mais de 30.000 visitantes, que formavam fila na porta do Instituto Torquato Di Tella.
Os anos 60 foram uma década inebriante na Argentina. Artistas visuais, curadores e críticos de arte buscavam fundir arte e política, ampliar a sua definição para incorporar happenings e assemblages e, acima de tudo, alcançar o reconhecimento internacional artístico argentino.
Minujín é umas das principais artistas dessa década. Sua produção artística combina elementos de teatro experimental, cinema e televisão, publicidade e escultura para criar ambientes que colocam os espectadores no centro das situações sociais e os confrontam com a sedução das imagens da mídia e da cultura de celebridade.
Em 2015, o Museo de Arte Moderno de Buenos Aires apresentou a reconstrução de La Menesunda; e, em junho de 2019, o New Museum inaugurou a segunda recriação dessa instalação, com o título “Marta Minujín: Menesunda Recarregada.”
O mais impactante de visitar essa instalação é contatar que, de fato, a arte antecipa a vida. Quase 60 anos depois, o trabalho de Minujín se apresenta mais contemporâneo do que nunca. A artista parece prever o fenômeno da atualidade em relação a nossa obsessão com espaços participativos, o fascínio que os museus pop up parecem causar, e a busca desenfreada por experiências que hoje define as mídias sociais.
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