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Uma coleção com mil olhares

 

O nosso país com sua multifacetada cultura é o eixo central da mostra “Modos de Ver o Brasil” que acontece na OCA (Parque Ibirapuera) comemorando os 30 anos do Itaú Cultural, uma entidade que atua com grande intensidade na área artística de um modo geral.

Reunindo 750 obras das 15 mil peças da coleção Itaú, a mostra ocupa os quatro andares da incrível obra de Niemeyer. Essa famosa coleção começou a ser formada em 1969 pelo banqueiro Olavo Setubal com uma excepcional paisagem de Frans Post (1612-1680) um dos inúmeros pintores que viajaram pelo Brasil assimilando as belezas naturais, os costumes, a realidade social de um país em formação, mas com um olhar bem distante dos artistas nacionais daquele período.

A exposição não segue uma ordem cronológica cabe ao visitante vivenciar os confrontos existentes entre as diversas épocas, descobrir sutilezas, entre tantas obras, algumas dialogam entre si, outras representam   caminhos revolucionários, mas todas se conectam nas constantes renovações e nos desafios estimulantes.

A arte é sempre movida pela busca de um ideal, de uma integração da concepção inicial com o delineamento de resultados imprevisíveis.  Percorrer os mais de 10 mil metros quadrados da Oca é extremamente prazeroso, apreciar cada detalhe de uma obra por diversos ângulos, perscrutar as linguagens artísticas nas suas envolventes tramas, sentir o país nas suas diversidades culturais, compreender que a função da arte é fazer refletir, dar um sentido mais nobre a própria vivencia de cada um de nós, são alguns dos fatores que fazem da arte algo essencial. A vitalidade está na energia que transmite, impondo novos rumos, novos conceitos a cada incursão.

A mostra acaba abrangendo vários períodos do Brasil desde que era uma colônia até os dias atuais, passando pelo barroco, pelo concretismo, pelo experimentalismo entre tantos movimentos que alicerçaram a arte brasileira, dando uma afeição bem representativa.

Algumas obras expostas são pontuais revelam posturas marcantes como a escultura “O Impossível” de Maria Martins impregnada de um surrealismo vigoroso e de certa forma poético. Tunga, Waltercio Caldas, Hélio Oiticica, Lygya Clark, Leonilson, Regina Silveira, Adrian Varejão, Carmela Gross são alguns dos destaques. Mas por outro lado podemos admirar Portinari, Léger, Mestre Valentim, Aleijadinho, Frans Post, Albert Eckhout, Louise Bourgeois, uma infinidade de artistas que contribuíram sensivelmente para a compreensão de aspectos essências do ser humano na sua complexidade e fragilidade.

Uma certeza porém fica evidente a necessidade da OCA ser utilizada somente para eventos artísticos, local ideal para o MAM ampliar seu espaço expositivo, uma necessidade vital, aliás em 2006 foi realizada uma grande mostra de arte brasileira do acervo do Museu, causando impacto pela diversidade das obras, demonstrando a incrível potencialidade da arrojada cúpula projetada por Oscar Niemeyer.

Uma grande oportunidade de visualizar uma coleção bem diversificada que envolve reflexões e surpreendentes resultados, revelando as potencialidades dos olhares, das concepções e dos confrontos.

 

 

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José Henrique Fabre Rolim

Jornalista, curador, pesquisador, artista plástico e crítico de arte, formado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Unisantos (Universidade Católica de Santos), atuou por 15 anos no jornal A Tribuna de Santos na área das visuais, atualmente é presidente da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), colunista do DCI com matérias publicadas em diversos catálogos de arte e publicações como Módulo, Arte Vetrina (Turim-Itália), Arte em São Paulo, Cadernos de Crítica, Nuevas de España, Revista da APCA e Dasartes.

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