Arte

Aleijadinho, o maior nome do barroco latino-americano

Por Equipe Editorial - março 28, 2017
5981 1
Pinterest LinkedIn

Segundo o dermatologista Geraldo Barroso de Carvalho, da Universidade Federal de Juiz de Fora e que em 1998 exumou os restos mortais de um corpo que supostamente era do artista, a cor dos ossos sugere que Aleijadinho teria uma doença metabólica chamada porfiria. Caracterizada pela sensibilidade exagerada à luz, a síndrome explicaria atitudes como o artista só sair para trabalhar antes do amanhecer, viver coberto por um toldo, voltar do trabalho só depois de a noite cair e, nas poucas vezes em que aparecia durante o dia, estar sempre a cavalo – em disparada e totalmente coberto

Estilo: Maior nome do barroco latino-americano; entalhe de imagens e retábulos; cenas da via-sacra em obras feitas de madeira e marcadas pelo colorido vivo; esculturas em pedra-sabão. Nascimento: Antônio Francisco de Lisboa, 1730 (Vila Rica, atual Ouro Preto, Brasil). Morte: 1814 (Vila Rica, atual Ouro Preto, Brasil). A vida e a obra de Antônio Francisco Lisboa são cercadas de mistério. Pouco se sabe sobre o escultor, entalhador e arquiteto mais importante do Brasil colonial. Filho de uma escrava e de um mestre de obra português, aprendeu noções de desenho com o pai. No século XVIII, Vila Rica tinha muito ouro, que era extraído das minas. A cidade enriquecia com a mineração, e não faltava trabalho para carpinteiro. Então, foi em busca de um emprego e melhores condições de vida que seu Manuel, o pai de Aleijadinho, saiu de Portugal e veio para o Brasil. Quando criança, Antônio foi um menino muito curioso. Determinado, ele queria saber de tudo. Adorava passar seu tempo na oficina do pai, onde aprendeu desenho, arquitetura e ornamentos. Mas a arte que ele mais amava fazer era a escultura. Ainda pequeno, aprendeu música, latim e religião com os padres da cidade. Conta a história que ele sofreu terríveis preconceitos por ser negro e que só conseguiu estudar os primeiros anos do colégio. Quando jovem, Antônio decidiu que seguiria os passos do pai e foi trabalhar na oficina. Depois de um tempo, seu trabalho começou a ser disputado entre várias igrejas.
Igreja São Francisco de Assis, em Ouro Preto, arquitetada por Aleijadinho (Foto- Pedro Ângelo-G1)
Igreja São Francisco de Assis, em Ouro Preto, arquitetada por Aleijadinho (Foto- Pedro Ângelo-G1)
Antônio Francisco tinha pele escura, a voz forte,  fala arrebatada e era o gênio agastado; a estatura era baixa, o corpo cheio e mal configurado, o rosto e a cabeça redondos, e esta volumosa; o cabelo preto e anelado, o da barba cerrado e basto; a testa larga, o nariz retangular e algum tanto pontiagudo, os beiços grossos,  as orelhas grandes e o pescoço curto. Sabia ler e escrever, e não consta que tivesse frequentado alguma outra aula além da de primeiras letras, embora alguém julgue provável que tivesse frequentado a de latim.” – A primeira biografia sobre Aleijadinho, escrita em 1858 por Rodrigo José Ferreira Bretas, traz muitas informações sobre o mestre.
Profeta Oséias, no Santuário Bom Jesus do Matosinhos, em Congonhas (Foto- Pedro Ângelo-G1)
Profeta Oséias, no Santuário Bom Jesus do Matosinhos, em Congonhas (Foto- Pedro Ângelo-G1)
Pouco antes dos 50 anos, recebeu o apelido de Aleijadinho por causa de uma doença que o fez perder os movimentos das mãos e dos pés. Com a doença, o escultor se fechou no seu mundo. De alegre e extrovertido, passou a ser triste e amargurado. Além de destruir mãos e pés, a doença também entortou seu rosto. Sua aparência assustava as pessoas. Por isso, saía de casa somente quando necessário, coberto por uma capa e usando um chapéu de abas bem longas. Mesmo assim, com instrumentos atados aos braços, produziu obras extraordinárias, como o conjunto de 12 profetas de pedra-sabão, tão admiráveis quanto as vistas no barroco europeu. Suas estátuas possuem quase sempre cabelos encaracolados, queixo dividido em duas partes e uma expressão de sofrimento contido como a observada no rosto de Jesus na obra O carregamento da cruz.
O carregamento da cruz
O carregamento da cruz
Os especialistas em obras de arte costumam dividir a produção de Aleijadinho em duas fases: na primeira, anterior à doença, suas obras refletiam a alegria de sua juventude. São dessa época a Igreja de São Francisco de Assis (um dos exemplos mais notáveis do barroco internacional), a Igreja Nossa Senhora das Mercês e Perdões (as duas na cidade de Ouro Preto).
Anjos no frontispício da Igreja de São Francisco de Assis, esculpidos por Aleijadinho (Foto- Pedro Ângelo-G1)
Anjos no frontispício da Igreja de São Francisco de Assis, esculpidos por Aleijadinho (Foto- Pedro Ângelo-G1)
Na segunda fase, depois da doença, a obra do artista é triste, amargurada e sofrida. É deste período o conjunto de esculturas Os Passos da Paixão e Os Doze Profetas, da Igreja Bom Jesus de Matosinhos, na cidade de Congonhas do Campo.
Detalhe da cena da subida ao calvário, nas cenas da Paixão de Cristo, em Congonhas (Foto- Pedro Ângelo-G1
Detalhe da cena da subida ao calvário, nas cenas da Paixão de Cristo, em Congonhas (Foto- Pedro Ângelo-G1
No fim de sua vida, ele ainda trabalhava muito, e quando perdeu a visão, em 1812, deixou sua oficina. Morreu em 1814, com mais ou menos 76 anos, pobre e doente, na cidade de Ouro Preto.
Obras de Aleijadinho no Santuário do Bom Jesus de Matozinhos, em Congonhas-MG ( Glauco Umbelino-Flickr)
Obras de Aleijadinho no Santuário do Bom Jesus de Matozinhos, em Congonhas-MG ( Glauco Umbelino-Flickr)

Você irá gostar: Museu do Aleijadinho

Fontes: Geledés; EBC; FARTHING, Stephen. 501 Grandes Artistas. Rio de Janeiro: Sextante, 2009. Veja também:
Os 7 artistas brasileiros de arte barroca que você precisa conhecer!
Não foi possível salvar sua inscrição. Por favor, tente novamente.
Sua inscrição foi bem sucedida.

Você quer receber informações sobre cultura, eventos e mercado de arte?

Selecione abaixo o perfil que você mais se identifica.

Inscrever
Notificar de
guest
1 Comentário
Inline Feedbacks
Veja todos os comentários
trackback
Qual é a diferença entre arte sacra e arte religiosa? – Fabio Ferreira Rocha
11 meses atrás

[…] Veja mais sobre o artista e o Barroco […]