Arte

O dia em que Picasso brigou com Marc Chagall

Picasso e Marc Chagall, dois dos maiores pintores do século passado, foram amigos até um jantar na casa de Chagall em 1964 quando Picasso perguntou:

“Quando você vai voltar para a Rússia?”. Ambos eram expatriados na França. Chagall era russo e Picasso era espanhol.

“Depois de você”, disse Chagall com um sorriso. “Eu ouvi que você é muito amado lá(#sqn) [Picasso era comunista], mas não em seu trabalho. Você tenta chegar lá e eu espero para ver como você vai fazer”.

Picasso não gostou muito dessa resposta. Foi depois do jantar, ele estava bebendo seu vinho e sua guarda estava baixa. “Eu acho que com você é uma questão de negócios”, disse ele a Chagall. “Você não irá, a menos que haja dinheiro involvido”.

Françoise Gilot, que estava na mesa, relatou que Chagall sorriu com aquela observação, mas se queimou por dentro. Esse foi o fim da amizade.

Ambos os Titãs tiveram tentações comerciais na velhice. Cada um suspeitava ou acreditava que o outro era um pecador.

Mas o que eles pensaram da pintura um do outro?

Picasso disse a Francoise:
Quando Henri Matisse morrer, Chagall será o único pintor  que entende o que realmente é a cor. Eu não sou louco por seus galos e jumentos e violinistas voadores, e todo o folclore, mas suas telas são realmente pintadas, não apenas jogadas juntas. Algumas das últimas coisas que ele fez em Vence me convenceram de que nunca houve ninguém desde Renoir que tem a sensação de luz que Chagall tem.

Pablo Picasso e Marc Chagall na oficina de cerâmica Madoura em Vallauris, França. 1948

E Chagall disse a ela:
Que gênio, aquele Picasso. É uma pena que ele não pinte.

Ah orgulho, sempre destruindo relacionamentos…..

Leia também: 11 fatos estranhos sobre Pablo Picasso

Conheça: Os ateliês dos maiores gênios da História

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Paulo Varella

Estudou cinema na NFTS (UK), administração na FGV e química na USP. Trabalhou com fotografia, cinema autoral e publicitário em Londres nos anos 90 e no Brasil nos anos seguintes. Sua formação lhe conferiu entre muitas qualidades, uma expertise em estética da imagem, habilidade na administração de conteúdo, pessoas e conhecimento profundo sobre materiais. Por muito tempo Paulo participou do cenário da produção artística em Londres, Paris e Hamburgo de onde veio a inspiração para iniciar o Arteref no Brasil. Paulo dirigiu 3 galerias de arte e hoje se dedica a ajudar artistas, galeristas e colecionadores a melhorarem o acesso no mercado internacional.

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