A filosofia e psicologia no filme “Europa 51”
Sobre o filme “Europa 51”
Logo no início do filme Europa 51 (1952), senti uma referência ao mito de Édipo, recorrente ao “menino de pernas machucadas” e sua aparente paixão pela mãe. Dentro desse aspecto mitológico, eu senti o filme como se fosse a tragédia sob o ponto de vista da Jocasta.
O mito de Édipo em si, já faz referência a um destino em um trilho circular deixando a alusão de que sempre retornamos para as nossas referências familiares, como se o destino pusesse elementos na vida, que provocasse esse retorno. Dentro dessa ótica, a participação do personagem é de certa forma secundário pois parece não haver um afluente em um rio que deve ser seguido rigorosamente. A imagem do trem de brinquedo prendendo os olhos de personagem, sugerem uma força de um Status Quo “endurecido”, de regras que não podem ser quebradas.
Partindo pro pensamento de Heráclito: “Você não consegue se banhar duas vezes no mesmo rio”, a idéia de Devir se encaixa perfeitamente no filme a partir do momento que a personagem principal tem “seu trilho quebrado” a forçando a procurar um novo caminho, que “utopicamente” seria o seu. Então no decorrer do filme, assistimos a personagem sendo impactada por ações que podem ser comparadas aos diversos afluentes aos quais ela poderia seguir… porém tendo encarnado o papel em grupo, de “bode expiatório” assistimos durante a história ela cada vez mais sendo forçada a escolher entre ou “voltar ao seu caminho” ou suportar o isolamento ao qual seria condicionada.
O cinema em geral, enfrenta exatamente esse dilema: ou entregue os pontos pro cinema de pura ação, ou opte por um caminho ao qual a compreensão não é simplificada pelo expectador seguindo um trilho que o induz á uma fácil compreensão, ou ser forçado a olhar de fora pra se colocar em outros papéis, que aliás é o que ocorre com a personagem, no momento em que começa a ser alguém ativo na história.
Obras em Destaque
Vemos as diversas “forças sociais” tentando a colocar no seu lugar originário, tendo a partir disso, arquétipos muito bem definidos: a mãe, o padre, o médico e cada figura representada por cada uma das provas às quais ela se sujeitou.
A mensagem final do filme, não é muito boa pois a personagem necessitou lutar contra um coletivo que massacrou seu desenvolvimento individual (e isso que é justo o processo de individuação).
A existência antecede a essência? A moral do filme mostra claramente que a essência não tem possibilidade de existir, a fuga repentina do Status Quo, é a melhor definição do que nossa sociedade DEFINIU como “loucura”.
Veja também:
“Fragmentado”, um filme de Shyamalan que surpreende | SEM SPOILER