Conheça os artistas do 39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito
O 39º Panorama da Arte Brasileira, intitulado ‘Depois que tudo foi dito’, sob a curadoria de Diane Lima, questiona para onde a produção artística tem transbordado na busca por ampliar os limites da representação estética por meio de um exercício radical de imaginação. O partido curatorial examina de que modo a reviravolta epistemológica das últimas décadas — impulsionada pelas demandas por reparação racial e pelas conquistas das políticas afirmativas — reconfigurou a arte brasileira, a ponto de estas não apenas inscreverem os debates raciais no campo da linguagem e da estética, como também serem expressivamente influenciadas e expandidas por eles. Tal formulação destaca a vocação deste Panorama como uma plataforma de pensamento crítico que especula sobre o futuro, ao mesmo tempo em que cria uma experiência histórica de lugar: onde estamos, onde chegamos e para onde queremos ir, além de tudo o que já foi dito, feito, visto, escrito e imaginado
Inspirado no título e questão filosófica formulada por Denise Ferreira da Silva, uma das principais teóricas feministas negras da contemporaneidade, a exposição convida a imaginar “se seria possível lançar mão de uma sensibilidade que presuma e antecipe o que está além de tudo o que foi dito e feito sobre a violência colonial e racial, e o trabalho que elas realizam para o capital global”. A partir deste diálogo com a filósofa, Diane Lima desenvolve um projeto que, ao “ler a arte como confronto”, reflete sobre como os artistas têm performado em seus procedimentos poéticos e composicionais, exercícios radicais de imaginação e experimentação, que evidenciam um movimento contínuo e coletivo de liberação. A exposição busca complexificar o regime racial estético e, portanto, a própria definição de arte brasileira: aquilo que sabemos sobre ela, seu passado, nossos modos de olhá-la, descrevê-la e, sobretudo, as práticas artísticas das próximas gerações.
Sobre a Curadora Diane Lima
Curadora e pesquisadora, Diane Lima é mestra em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e Pre-doctoral Mellon Fellow, afiliada ao Critical Racial Anti Colonial Study Co-Lab (CRACS Co-Lab) no Department of Spanish & Portuguese Languages and Literatures na New York University. Recentemente, foi anunciada como curadora do Pavilhão do Brasil na 61ª Exposição Internacional de Arte – La Biennale di Venezia. Suas exposições anteriores incluem coreografias do impossível – 35ª Bienal de São Paulo (2023), Paulo Nazareth: Luzia no Museo Tamayo, na Cidade do México (2024), O rio é uma serpente – 3ª Frestas Trienal de Artes do SESC São Paulo (2020/2021), e o programa de dois anos Diálogos Ausentes no Itaú Cultural (São Paulo, 2016-2017), que desempenhou um papel histórico na virada anticolonial da arte contemporânea brasileira.

Em 2025, Lima foi nomeada para o Conselho Consultivo Científico da documenta e Museum Fridericianum gGmbH, na Alemanha, onde atua como vice-presidente. Entre 2024 e 2025, foi Diretora de Programação da ESAP Fellowship 2025 – uma iniciativa liderada pela A&L Berg Foundation para promover o desenvolvimento profissional de curadores latinex nos Estados Unidos.
Em 2024, Lima foi professora convidada no Instituto de Pesquisa Estética da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM). Diane Lima editou a aclamada antologia Negros na Piscina: Arte Contemporânea, Curadoria e Educação (Fósforo, 2024), que documenta os últimos dez anos de debates sobre racialidade e arte no Brasil. Também coeditou o volume Textes à lire à voix haute (Textos para ler em voz alta), que reuniu vozes dissidentes anticoloniais em contextos lusófonos e francófonos (Brook, 2022). Ela também é uma das vencedoras da Ford Foundation Global Fellowship 2021, programa que celebra a nova geração de líderes globais em justiça social.
Obras em Destaque
Conheça a seleção de artistas
A seleção de artistas do 39º Panorama reúne diferentes gerações, regiões e linguagens artísticas. Os trabalhos e pesquisas que serão apresentados propõem novos olhares sobre a arte brasileira contemporânea e desafiam formas já estabelecidas de pensar e perceber a produção artística no país.
“Ao conceber o projeto e a lista de artistas do 39º Panorama, me questionei sobre o significado de realizar uma exposição com mais de 57 anos de história. Tratando-se do Brasil, foi também inevitável não questionar um certo espaço artístico e composicional regulado, que aprisiona e reduz as nossas formas de expressão a um imaginário categórico e comodificado”, explica a curadora.
- Allan Weber (1992 – Rio de Janeiro, RJ, Brasil)
- Amorí (1995 – Ribeirão, PE, Brasil)
- Ana Claudia Almeida (1993 – Rio de Janeiro, RJ, Brasil)
- André Felipe Cardoso (1997 – Quilombo São Félix, Minaçu, GO, Brasil)
- Anti Ribeiro (1995 – São Cristóvão, SE, Brasil)
- Arorá (1996 – Fortaleza, CE, Brasil)
- Bárbara Banida (1996 – Fortaleza, CE, Brasil)
- Biarritzzz (1994 – Fortaleza, CE, Brasil)
- Carolina Cordeiro (1983 – Belo Horizonte, MG, Brasil)
- Caroline Ricca Lee (1990 – São Paulo, SP, Brasil)
- Chacha Barja (1990 – Belém, PA, Brasil)
- Darks Miranda (1985 – Fortaleza, CE, Brasil)
- Emer Freire (1995 – São Paulo, SP, Brasil)
- Fykyá Pankararu (1999 – São Paulo, SP, Brasil)
- Gilson Plano (1988 – Goiânia, GO, Brasil)
- Helô Sanvoy (1985 – Goiânia, GO, Brasil)
- Iagor Peres (1995 – Rio de Janeiro, RJ, Brasil)
- Josi (1983 – Itamarandiba, MG, Brasil)
- Jota Mombaça (1991 – Natal, RN, Brasil)
- Kuenan Mayu (2003 – Terra Indígena Tikuna Feijoal, Benjamin Constant, AM, Brasil)
- Lia D’Castro (1978 – Martinópolis, SP, Brasil)
- Lita Cerqueira (1952 – Salvador, BA, Brasil)
- Marcelo Conceição (1966 – Niterói, RJ, Brasil)
- Moacir Soares de Faria (1954 – 2025 – Alto Paraíso de Goiás, GO, Brasil)
- Nazas (1997 – Ourém, PA, Brasil)
- Osvaldo Gaia (1961 – Belém, PA, Brasil)
- Oto Ferreira (1995 – Serrinha, BA, Brasil)
- Rafael Chavez (1996 – São Mamede/Santa Luzia, PB, Brasil)
- Rayana Rayo (1989 – Recife, PE, Brasil)
- Rodrigo Cass (1983 – São Paulo, SP, Brasil)
- Rose Afefé (1988 – Varzedo, BA, Brasil)
- Thaís Muniz (1985 – Feira de Santana, BA, Brasil)
- Ygor Landarin (1995 – Uruguaiana, RS, Brasil)
39º Panorama da Arte Brasileira marca a reinuauguração da Sede do MAM, no Parque Ibirapuera
Realizado desde 1969, o Panorama da Arte Brasileira é uma das exposições mais importantes do país, reconhecida por sua contribuição à pesquisa, à experimentação artística e à formação do acervo do MAM. Em 2026, a mostra marca também um momento especial: o nosso retorno à sede no Parque Ibirapuera, após o período de reforma da Marquise.
Serviço
Exposição: 39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito
Curadoria: Diane Lima
Gerente de Projetos da Curadoria: Giovanna Querido
Abertura: 12 de setembro de 2026
Encerramento: 24 de janeiro de 2027
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