Maria Martins quebra recorde histórico com venda de “O Impossível” por R$ 16 milhões nos EUA
Maria Martins acaba de entrar para a história do mercado internacional de arte com a venda da primeira versão da icônica escultura O Impossível (1946), arrematada nos Estados Unidos por US$ 3,2 milhões — cerca de R$ 15,9 milhões. O resultado estabelece o maior valor já alcançado por uma obra da artista brasileira em leilão.
O resultado reforça não apenas a relevância de Maria Martins no cenário internacional, mas também o crescimento da valorização da arte brasileira produzida por mulheres. Em um circuito historicamente dominado por nomes masculinos europeus e norte-americanos, o novo recorde evidencia a força simbólica, histórica e estética de uma artista que ajudou a redefinir os limites do surrealismo no século XX.
A venda aconteceu na casa de leilões Rago, em Nova Jersey, e coloca novamente em evidência uma das esculturas mais emblemáticas da arte latino-americana moderna.
Sobre a obra “O Impossível”
Considerada uma das obras mais importantes da artista, O Impossível apresenta duas criaturas alongadas e tentaculares tentando se tocar sobre um vazio intransponível. A composição é frequentemente interpretada como uma metáfora sobre desejo, distância e impossibilidade afetiva — temas recorrentes na produção da artista.
Outras versões da obra O Impossível integram acervos de instituições como o MoMA, em Nova York, o Malba, em Buenos Aires, e o MAM Rio.
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Críticos também associam a obra à relação intensa e conturbada entre Maria Martins e Marcel Duchamp. A tensão entre aproximação e separação presente na escultura transformou a peça em um dos grandes símbolos do surrealismo produzido fora do eixo europeu tradicional.
Sobre Maria Martins
Nascida em 1894, em Campanha, Minas Gerais, Maria Martins foi uma das artistas mais singulares da arte moderna brasileira. Escultora, desenhista e escritora, desenvolveu uma produção profundamente ligada ao surrealismo, marcada por figuras híbridas, corpos tentaculares e formas orgânicas carregadas de tensão emocional e simbólica.



Casada com o diplomata brasileiro Carlos Martins, viveu em diferentes países ao longo da carreira, especialmente nos Estados Unidos durante as décadas de 1940 e 1950. Foi nesse período que se aproximou do círculo surrealista internacional e estabeleceu relações com nomes fundamentais da arte moderna, incluindo Marcel Duchamp, com quem manteve uma intensa relação amorosa e intelectual.
Embora durante muitos anos sua trajetória tenha sido frequentemente reduzida ao vínculo com Duchamp, a obra de Maria Martins consolidou-se por sua potência própria. Suas esculturas exploram temas como desejo, conflito, erotismo, transformação e mitologia, frequentemente inspiradas por narrativas amazônicas e por formas da natureza brasileira. Trabalhos como A Soma de Nossos Dias, Yara, Cobra Grande e O Impossível ajudaram a construir uma linguagem única dentro do surrealismo internacional.
Representação do Brasil no mercado mundial
Mais do que um recorde de mercado, a venda histórica da obra reafirma o lugar de Maria Martins entre os nomes centrais da arte moderna internacional. Em um momento de revisão crítica da história da arte e de maior reconhecimento da produção feminina latino-americana, o feito representa também uma valorização mais ampla da contribuição das artistas brasileiras para a arte do século XX.

