Opinião

Renata Baltar: welcome from NYC

Por Renata Baltar - setembro 25, 2017
2614 0
Pinterest LinkedIn

A mudança para Nova York e o ingresso em um mestrado em História da Arte com foco em museologia vieram de um desejo antigo de estudar fora.

Historiadora de formação, sentia, depois de quase 3 anos trabalhando no MASP que o meu vocabulário de arte vinha mais da prática do dia a dia do que de um conhecimento acadêmico, e que isso talvez me impossibilitaria de almejar outras posições dentro do museu.

Dentro do MASP eu acompanhei o processo de renovação institucional, baseado em grande parte, nos modelos de gestão dos museus americanos. Escolhi estudar em Nova York por ser a cidade que abriga mais museus referência, e pela excelência da pesquisa acadêmica. Um outro fator decisivo foi saber que para entrar no mestrado aqui eu não precisaria já ter um projeto de pesquisa e um tema definido, o que é bastante diferente do Brasil.

Você passa o primeiro ano fazendo matérias alinhadas ao seu interesse, e só depois define a sua área de pesquisa. Como eu gostava de tudo um pouco e não tinha uma ideia muito bem definida do que eu gostaria de estudar a fundo, achei que fazer mestrado em Nova York seria o ideal. Mas dizem que é quando você sai do seu país que você melhor enxerga as próprias raízes. E foi exatamente isso que aconteceu. Através desse ‘olhar estrangeiro’ , eu me interessei mais pela arte brasileira e também pela formação da nossa identidade. Posso dizer que hoje sou uma mestranda com foco em história da arte brasileira moderna e contemporânea. Me sinto no lugar certo, na hora certa. A arte moderna brasileira ganhou ainda mais destaque esse ano, com as exposições individuais de Lygia Pape, no Met Breuer, e de Hélio Oiticica, no Whitney, além de Tarsila do Amaral, que ganhará uma retrospectiva no Art Institute of Chicago, a partir de 8 de outubro, e virá depois ao MoMA em fevereiro do ano que vem. Essas artistas estão sendo valorizados aqui pelas suas produções artísticas, e pela importância dentro da história da arte não só brasileira, mas mundial.

O convite para escrever para o Arte Ref veio, entretanto, por causa do meu atual estágio no Metropolitan Museum of Art. Esse semestre estou trabalhando no Registrar, que é o departamento responsável pelas políticas e procedimentos relacionados a aquisição, empréstimo, exposição, armazenamento, embalagem e transporte, administração, seguro de obras de arte, e gerenciamento de riscos das exposições especiais organizadas pelo MET e pelas obras do acervo emprestadas à outros museus.

Pretendo contar um pouco dos bastidores por trás das montagens das exposições temporárias que abrem no MET agora em novembro:  “Edvard Munch: Between the Clock and the Bed”, “David Hockney”, e “Michelangelo”: Divine Drafman & Designer”.

A exposição de Michelangelo, a maior exposição de suas obras já realizada, por exemplo, conta com o seguro do governo americano mais alto da história, 1.6 bilhões de dólares para essa exposição.

Além dos bastidores das exposições, quero também compartilhar outras curiosidades sobre o museu, conforme eu for descobrindo e assim que conseguir não me perder mais nos túneis subterrâneos do museu.

Não foi possível salvar sua inscrição. Por favor, tente novamente.
Sua inscrição foi bem sucedida.

Você quer receber informações sobre cultura, eventos e mercado de arte?

Selecione abaixo o perfil que você mais se identifica.

Inscrever
Notificar de
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
Veja todos os comentários