Opinião

Como ser artista, segundo Mark Rothko

Selecionamos 3 ensinamentos de um grande mestre da pintura abstrata.

Por Equipe Editorial - outubro 13, 2021
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Mark Rothko (1903 – 1970) foi um grande artista pertencente ao movimento expressionista abstrato. Nascido na Rússia, mudou-se para os Estados Unidos junto de sua família ainda na infância.

Ele sempre resistiu às tentativas de interpretação sobre suas pinturas. Estava mais preocupado com a experiência do espectador ao entrar em contato com sua obra. 

Embora acreditasse que seu trabalho falava por si, isso não o impediu de desenvolver suas próprias teorias sobre o conceito de arte e seu processo criativo.

A partir de textos e entrevistas concedidas, destacamos 3 ensinamentos de Mark Rothko sobre como ser artista.


1. Siga seus instintos

No 5, 1950 - Mark Rothko
No. 13, 1958

O artista sempre enfatizou os benefícios criativos de se abordar a arte como uma criança faria – instintivamente, sem regras e imposições formais.

Ao observar as crianças, ele escreveu, “você as verá colocando formas, figuras e vistas em arranjos pictóricos, empregando a maioria das regras de perspectiva óptica e geométrica, mas sem o conhecimento de que as estão empregando”. Pode ser por isso, que “suas pinturas são tão puras, vívidas e variadas”. 

Além do mais, Mark Rothko aconselhou aos artistas a expressarem naturalmente suas emoções e experiências – assim como as crianças – a fim de desenvolverem seus próprios estilos. 

“Como resultado desse método”, escreveu ele, “cada criança trabalha com sua própria ideia e, na verdade, desenvolve um estilo próprio, por meio do qual sua arte é diferente de todas as outras”.

Ele desenvolveu essas teorias pedagógicas ao longo de sua vida, concentrando-se no ensino de arte apoiado nos instintos de cada artista individualmente. Em um manuscrito, escrito por volta de 1941 enquanto trabalhava como supervisor de arte na Center Academy do Brooklyn Jewish Center, ele pediu para “evitar inibições físicas e emocionais” no ensino. 

Rothko mergulhou em seu subconsciente para se libertar do que considerava a “natureza restritiva da representação”. 


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2. Expresse o inexprimível

No 5, 1950 - Mark Rothko
No. 3, 1949

Rothko e seus colegas expressionistas abstratos queriam remover todas as alusões ao mundo físico em seus trabalhos. 

Ele deu grande importância à capacidade da abstração em transmitir o que é mais importante para os humanos – não o mundo ao redor, mas suas vidas emocionais. 

Embora fosse um mestre da coloração, sempre enfatizou que suas pinturas não eram simplesmente sobre uma paleta seletiva: “Se você só é movido por relações de cor, está perdendo o ponto”, disse ele ao escritor Selden Rodman. 

“Estou interessado em expressar as grandes emoções – tragédia, êxtase, desgraça e assim por diante.” Rothko acreditava que essas emoções, quando transmitidas por meio da abstração, também estimulariam experiências emocionais íntimas e profundas nos espectadores. 

“Não se pinta para estudantes de design ou historiadores, mas para seres humanos”, enfatizou para o curador William C. Seitz, “e a reação em termos humanos é a única coisa que é realmente satisfatória para o artista”.


3. Elimine as barreiras entre a arte e o público

Inaugurada em setembro de 2016, a galeria Tower 1 do East Building apresenta uma série rotativa de pinturas de Mark Rothko.
Inaugurada em setembro de 2016, a galeria Tower 1 do East Building apresentou uma série rotativa de pinturas de Mark Rothko.

Para alcançar uma resposta profunda dos espectadores, Mark Rothko tinha o cuidado de remover o que via como “obstáculos entre o pintor e a ideia, e entre a ideia e o observador”, como ele disse em um comunicado publicado na revista de arte Tiger’s Eye em 1949.

Ele conseguiu isso por meio de:

  • composições cada vez mais abstratas, sem marcadores identificáveis ​​do mundo exterior. 
  • Ausência de títulos nas obras, para que os espectadores por si próprios interpretassem os quadros (sem pistas por escrito).
  • Telas grandes e sem moldura, para que o público pudesse “mergulhar” nas obras. Era importante que elas “fizessem parte” do ambiente, tais como portas e janelas do cotidiano.  

Embora Rothko incorporasse suas próprias emoções em suas abstrações, ele acreditava que esses eram elementos universais da experiência humana, não exclusivos ao seu contexto de produção. 


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