Opinião

Por que o conto “A Roupa nova do Rei” é tão atual?

Precisamos nos esvaziar de conceitos pré concebidos assim como uma criança no meio da multidão fez na história

Por Paulo Varella - janeiro 1, 2020
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A roupa nova do rei foi originalmente escrito em dinamarquês Kejserens nye Klæder e teve muitas outras traduções: A roupa nova do imperadorO fato novo do imperadorO fato novo do reiAs roupas novas do imperador, etc.) é um conto de autoria do dinamarquês Hans Christian Andersen, e foi inicialmente publicado em 1837.

O conto de Andersen foi inspirado numa história encontrada no Libro de los ejemplos (ou El Conde Lucanor, 1335), uma coleção medieval espanhola de 55 contos morais de várias fontes como Esopo e outros autores clássicos e contos persas, compilados por Juan Manuel, Príncipe de Villena (1282–1348).

No conto original, um rei recebe fraudulentamente de tecelões um traje que seria visível somente àqueles que são filhos legítimos. Na versão de Andersen ele altera sua fonte direcionando o foco da história para a vaidade e soberba intelectual.

Andersen em seu conto, cria uma metáfora à sociedade da época onde todos vivem em função de modismos e não questionam os padrões comportamentais que os rodeiam.

Este comportamento pode ser explicado até sob o aspecto da psicologia evolucionista, onde é mais fácil seguir o grupo do que questioná-lo. Provavelmente, no tempo das cavernas, se um grupo de pessoas estivesse correndo em uma direção, a atitude mais sensata seria a de se unir ao grupo. Os que ficaram para saber o porquê, terminaram sendo comidos por um leão e, consequentemente, não passaram o gene do “questionamento” para as gerações seguintes.

Hoje em dia, o risco de vida de sermos comidos vivos diminuiu bastante, mas o comportamento se manteve. Um exemplo disto foi a comemoração dos 100 anos da revolução russa que aconteceu em novembro de 2017, onde houve inúmeros eventos culturais no Brasil onde pessoas felizes e indiferentes ao extermínio em massa que não se tem conta exata, mas gira em torno dos 60 a 100 milhões de pessoas. O movimento de extrema direita do nazismo e a revolução de esquerda do comunismo precisam ser analisadas com cautela.

Devemos poder nos expressar e criticar maiorias ou minorias pois isto nos faz questionar a nossa existência.

Precisamos nos esvaziar de conceitos pré concebidos assim como uma criança no meio da multidão fez, olhando para o Rei e dizendo: “O Rei está pelado!”, fazendo com que todos abrissem os olhos e percebessem a verdade.

Para quem não conhece o conto:


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Estudou cinema na NFTS (UK), administração na FGV e química na USP. Trabalhou com fotografia, cinema autoral e publicitário em Londres nos anos 90 e no Brasil nos anos seguintes. Sua formação lhe conferiu entre muitas qualidades, uma expertise em estética da imagem, habilidade na administração de conteúdo, pessoas e conhecimento profundo sobre materiais. Por muito tempo Paulo participou do cenário da produção artística em Londres, Paris e Hamburgo de onde veio a inspiração para iniciar o Arteref no Brasil. Paulo dirigiu 3 galerias de arte e hoje se dedica a ajudar artistas, galeristas e colecionadores a melhorarem o acesso no mercado internacional.

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anderson alves
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anderson alves

muito atual mesmo!