Uma breve história do branco na arte

 

Uma cor e seus múltiplos significados

 

Pinturas rupestres na caverna de Chauvet, França (30.000-32.000 A.C.)
Pinturas rupestres na caverna de Chauvet, França (30.000-32.000 A.C.)

 

O branco era um dos pigmentos mais utilizados pelos povos pré-históricos. Pinturas em cavernas paleolíticas, datadas de 30 mil anos A.C., mostram que o pigmento, feito de cálcio e giz, servia como plano de fundo ou mesmo para realçar as figuras retratadas [foto acima].

No Egito, o branco estava associado à Isis – na mitologia egípcia, a deusa do amor. Por esta razão, os sacerdotes de Isis vestiam-se apenas de linho branco, tecido usado, também, para embalar múmias. Para os antigos gregos, o branco representava o leite materno, que nutria o deus Zeus e todos os seres viventes.

 

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Mulheres egípcias vestidas de branco em mural encontrado em uma tumba (1448-1422 A.C.)

 

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Pintura retratando Isis, a deusa do amor. Os sacerdotes de Isis vestiam linho branco

 

Na Era Cristã, o branco simbolizava a paz, a pureza, a castidade, a virtude e o sacrifício, e tornou-se a cor oficial do Papa. Simbolizava, também, a transfiguração de Jesus, como descrito no evangelho de Mateus 17:2: “Foi transfigurado diante deles; o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz.”

Até o século 16, era uma cor de luto entre as viúvas da aristocracia.

 

Retrato de Mary Stuart, Rainha da Escócia, em luto por seu marido, o Rei Francis II da França, que morreu em 1560
Retrato de Mary Stuart, Rainha da Escócia, em luto por seu marido, o Rei Francis II da França, que morreu em 1560

 

A Transfiguração (1440-1442) - Fra Angelico
A Transfiguração (1440-1442) – Fra Angelico

 

Entre os séculos 18 e 19, o branco adornava os interiores dos templos, mostrando o poder e a soberania da Igreja Católica.

 

Interior da Basílica de Ottobeuren, construída no século 18, na Bavária
Interior da Basílica de Ottobeuren, construída no século 18, na Bavária

 

A cor possui diferentes significados para culturas ao redor do mundo: para os candomblistas, judeus e muçulmanos, é a cor da paz e da purificação; para os hinduístas, representa status social; para os budistas – e também outras culturas religiosas da Ásia -, é uma cor de luto.

 

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