Arte brasileira

O que esperar da exposição imersiva de Tarsila do Amaral no Nubank Arte Lab?

Tarsila do Amaral é uma das artistas brasileiras mais reconhecidas internacionalmente. Ao longo de sua trajetória, construiu uma linguagem própria, marcada pelas cores, paisagens, personagens e elementos da cultura brasileira, que acabaram se tornando parte do imaginário cultural do país.

Mas existe uma Tarsila que vai muito além do Abaporu e das chamadas “cores caipiras”. Sua produção atravessou diferentes fases e acompanhou também transformações profundas em sua vida pessoal e financeira. É justamente essa trajetória que a exposição imersiva “O Brasil de Tarsila” pretende apresentar ao público a partir de uma experiência que combina projeções, música, instalações e recursos interativos.

A importância de Tarsila do Amaral

Para compreender esse percurso, a exposição parte de seis momentos da produção da artista: as primeiras pinturas, realizadas entre 1904 e 1922; a fase Pau Brasil, de 1924 a 1928; a fase Antropofágica, entre 1928 e 1930; a chamada fase Social, iniciada após sua viagem à União Soviética; a produção dos anos 1930 a 1950; e o período Neo Pau Brasil, a partir dos anos 1950.

Cada uma dessas etapas revela uma artista em transformação. Nas primeiras pinturas aparecem retratos, autorretratos, paisagens e imagens religiosas. Já na fase Pau Brasil, Tarsila incorpora à sua pintura as paisagens e os elementos que encontrava em suas viagens pelo Brasil. Poucos anos depois, o Abaporu, de 1928, se tornaria o ponto de partida para o Movimento Antropofágico.

Na década de 1930, sua produção ganha uma dimensão social mais evidente. Obras como Operários e 2ª Classe, ambas de 1933, refletem o interesse da artista pelas questões relacionadas ao trabalho e às transformações sociais daquele período. Nos anos seguintes, sua pintura passa por novas mudanças, em um momento marcado também pela crise financeira da família e por dificuldades pessoais.

Para Paola do Amaral Montenegro, sobrinha-bisneta de Tarsila e gestora do legado da artista na Tarsila do Amaral S/A, olhar para esse conjunto de obras permite ampliar a compreensão sobre quem foi a pintora. A proposta, segundo ela, é apresentar uma Tarsila para além do Abaporu, das cores caipiras e do período vivido em Paris, revelando também uma mulher que enfrentou preconceitos e teve uma trajetória ainda pouco conhecida em toda a sua complexidade.

Sobre a exposição imersiva “O Brasil de Tarsila”

É a partir dessa perspectiva que surge “O Brasil de Tarsila”, exposição imersiva inaugurada em agosto de 2026 no Nubank Arte Lab, espaço de 2.700 m² localizado no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, em São Paulo.

Com curadoria de Paola do Amaral e Juliana Miraldi, a experiência ocupa mais de dez ambientes e utiliza projeções em 360 graus, instalações interativas, trilha sonora original de BaianaSystem e Tom Zé, além de experiências sensoriais e releituras digitais de obras como Abaporu, Antropofagia e Operários.

A proposta não é reproduzir simplesmente as pinturas em grandes telas. A ideia é criar uma experiência capaz de aproximar o público do universo visual da artista por meio de uma linguagem contemporânea. Para Juliana Miraldi, a exposição imersiva pode funcionar como uma nova forma de acesso à arte, especialmente para públicos que talvez não tenham familiaridade com os espaços tradicionais de exposição.

A curadora, no entanto, faz uma distinção importante: a experiência imersiva não pretende substituir o contato com uma obra original. Segundo Miraldi, estar diante de uma pintura autêntica proporciona um tipo específico de impacto e conhecimento sobre o artista, enquanto a imersão oferece outra possibilidade de experiência. São linguagens diferentes que podem coexistir.

Essa relação com o público também aparece na própria concepção dos ambientes. Em uma das salas, dedicada aos animais fantásticos presentes no universo de Tarsila, a interação é deliberadamente mais livre. Paola conta que já viu crianças pulando e imitando um sapo durante a experiência, algo que dificilmente aconteceria diante de uma obra original em um museu tradicional.

Para Miraldi, esse tipo de experiência também faz parte da própria história da arte. Novos formatos de produção e exibição precisaram, em diferentes momentos, conquistar seu espaço dentro do campo artístico. Fotografia, vídeo, instalações e performances são alguns exemplos de linguagens que também enfrentaram esse processo de reconhecimento. A exposição imersiva, em sua avaliação, surge como uma linguagem característica do século XXI, diretamente relacionada às possibilidades oferecidas pela tecnologia.

A ideia de criar uma experiência dedicada exclusivamente a Tarsila surgiu justamente desse cenário. Segundo João Giani Vasconcellos, Founder da Live Marketing, agência idealizadora do projeto, desde o crescimento das exposições imersivas, em 2019, havia a percepção de que uma artista da dimensão de Tarsila ainda não tinha recebido uma experiência desse tipo que pudesse, inclusive, ser apresentada fora do Brasil. O projeto começou a ser desenvolvido há cerca de três anos e agora chega ao público paulistano.

Compreendendo Tarsila do Amaral em novas linguagens

Mais do que revisitar obras conhecidas, “O Brasil de Tarsila” propõe uma entrada no universo da artista por meio de outra linguagem. Ao transformar suas cores, personagens, paisagens e referências em uma experiência espacial, a exposição apresenta uma Tarsila que pode ser vista, ouvida e explorada de uma maneira diferente daquela proporcionada por uma reprodução impressa ou por uma tela de celular.

Serviço

Exposição imersiva “O Brasil de Tarsila”
Data:
15 de agosto a 31 de outubro de 2026
Horário: quarta a segunda-feira, das 10h às 22h. Fechado às terças-feiras. A última sessão começa às 21h, com entrada até 21h20 e permanência até 21h45.
Duração: aproximadamente 30 minutos por sessão
Local: Nubank Arte Lab – Conjunto Nacional, Av. Paulista, 2073, 1º andar, São Paulo
Classificação: livre
Acessibilidade: a exposição oferece o Web App UMPRATODOS, com recursos de áudio, audiodescrição, vídeo em Libras com legenda e texto com imagens.
Ingressos disponíveis pelo site oficial da exposição.

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Thais de Albuquerque

Thais de Albuquerque é Relações Públicas, artista visual e criadora de conteúdo. Atua há mais de 15 anos em marketing e criação de identidade visual para empresas, projetos e instituições. Em seu Instagram, desenvolve conteúdos autorais ligados a curiosidades sobre o mundo das artes.

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