22 Curiosidades sobre o MASP que você não sabia

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Lina bo Bardi na contrução do Masp
Achillina Bo, mais conhecida como Lina Bo Bardi, (Roma, 5 de dezembro de 1914 — São Paulo, 20 de março de 1992) foi uma arquiteta modernista ítalo-brasileira. É conhecida por ter projetado o Museu de Arte de São Paulo (MASP) e foi casada com o crítico de arte Pietro Maria Bardi. Aqui na construção do MASP ao lado de um Van Gogh

Um dos principais ícones da cidade de São Paulo, o Masp está repleto de histórias que talvez você ainda não saiba. Depois desta lista, você vai ver o museu mais famoso da América Latina com outros olhos. Aqui vai:

Bailarina de 14 anos

1 – O MASP é uma das quatro instituições do mundo que possui a coleção completa das 73 esculturas de bronze feitas por Edgar Degas, incluindo a “Bailarina de 14 anos”, única escultura exposta enquanto o artista ainda estava vivo.

Reserva tecnica do Masp

2 – Além dos lugares de acesso público, existe uma sala de acervo climatizada dentro do museu onde poucos têm acesso. É uma fortaleza com 8 mil obras do acervo permanente da instituição, vigiada por câmeras e seguranças 24h por dia.

3 – Algumas peças do Masp nunca foram exibidas, como por exemplo, uma armadura em ferro e cobre datada de 1480.

4 – Os primeiros anos foram de grandes aquisições para a instituição. Entre 1947 e 1952, foi adquirida a grande parte do acervo, hoje com cerca de 10 mil obras e custou o equivalente a US$ 6 milhões. Por conta do final da Segunda Guerra com os países sucateados, foi um período de grandes oportunidades. O fundador do MASP, Assis Chateaubriand usou a sua influência” para que os poderosos da época fizessem doações para a instituição. Vale a pena olhar o verso de cada obra e ver os nomes das empresas que doaram as obras para o museu.

Retrato de Mulher, de Picasso
Retrato de Mulher, de Picasso

5 – A primeira aquisição do Masp, comprada pelo fundador do museu Pietro Maria Bardi, é o quatro Retrato de Mulher, de Picasso, e data de 1947.

O diretor do Masp, Pietro Maria Bardi
O diretor do Masp, Pietro Maria Bardi, em fotografia de janeiro de 1987 com a obra “Auto-Retrato com Barba Nascente”, atribuída ao círculo de Rembrandt, que integra o acervo do museu. (Foto: Fábio M. Salles/Folhapress)

6 – Obras falsificadas já foram compradas pelo MASP. No início dos anos 70, o pintor Joan Miró escreveu uma carta a Bardi, o diretor da instituição, negando a autoria de um guache exposto. A obra foi retirada e encaminhada à reserva técnica. Nas décadas seguintes, outras obras tiveram autoria questionada.

Lina Bo Bardi
Lina Bo Bardi

7 – O vão livre do Masp projetado por Lina Bo Bardi foi doado à Prefeitura com a condição de que nunca fosse construído um edifício que tapasse a paisagem para a Avenida Nove de Julho. Para contornar a situação, a profissional projetou uma construção com um grande vão, respeitando as exigências dos doadores. Ela usou uma técnica de concreto protendido para fazer o vão.

8 – A convite do Musèe d’Orsay, o MASP entrou em 2008 no “Clube dos 19”, que congrega os museus cujos acervos são considerados os mais representativos da arte européia do século XIX, como o Musèe d´Orsay, The Art Institute de Chicago, Metropolitan de Nova York, entre outros.

Elizabeth II em visita ao MASP
Elizabeth II em visita ao MASP

9 – A nova sede do MASP foi inaugurada na presença de Elizabeth II, rainha do Reino Unido e de mais 15 países, além de líder suprema da igreja anglicana. Ela veio ao Brasil para fortalecer laços comerciais com o governo Costa e Silva – que, 32 dias depois, declararia o AI-5. A presença dela, que fez com que um grande público fosse à Paulista, atrasando o início das comemorações.

MASP na rua 7 de Abril

10 – O primeiro endereço do Museu de Arte de São Paulo não foi na av. Paulista. O MASP nasceu no centro da cidade, na rua 7 de abril, em 2 de outubro de 1947 e mudou-se para a Paulista apenas em 7 de novembro de 1968.

Pedra do vão livre

11 – Há várias teorias sobre a história da pedra do vão do Masp. A oficial diz que ela está ali porque carrega uma mensagem gravada em comemoração à inauguração do museu. No entanto, as más línguas afirmam que Lina Bo Bardi escolheu a pedra porque ela tinha uma silhueta semelhante às formas de Assis Chateaubriand, o empresário fundador.

Acervo MASP Rhodia

12 – Entre as peças menos conhecidas do museu está o acervo de moda. O acervo de moda tem 159 peças. O museu já foi palco de um desfile da Dior na década de 50 e abrigou, sob o comando de Lina Bo Bardi, uma das primeiras escolas de design e tecelagem do país, o IAC.

13 – É tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN

Cerâmicas Maiólicas

14 – Além de pinturas, também fazem parte do acervo do MASP: Arqueologia, Esculturas, Desenhos, Gravuras, Fotografias, Maiólicas (cerâmicas italianas dos séculos XIV ao XI), além de Tapeçarias, Vestuário e Design).

Belvedere Trianon

15 – O terreno do MASP não estava vazio. O número 1578 da Avenida Paulista abrigava o Belvedere Trianon, uma espécie de clube frequentado pela alta sociedade paulistana. Também conhecido como Miradouro da Avenida ou Belvedere da Avenida, o complexo construído pelo escritório de arquitetura de Ramos de Azevedo era composto por um extenso mirante, terraços panorâmicos, um restaurante e salões de festas. Por conta de mudanças na economia e na rotina da capital paulista, no final dos anos 1920 o local deixou de ser restrito à elite. Em 1951, o edifício foi demolido para abrigar a 1ª Bienal de Arte Moderna da cidade. O evento foi bem-sucedido e motivou que a prefeitura doasse o terreno para a construção da nova sede do Masp.

Construção do MASP

16 – MASP bem conservado. O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand recebeu em 2017 um financiamento do Programa Keeping It Modern, da Fundação Getty, que tem como objetivo desenvolver pesquisas para conservação de edifícios modernos no mundo. Com esse apoio, a instituição pretende criar um plano de diretrizes de conservação e manutenção permanente do edifício. Mas diante do recente desastre no Museu Nacional, no Rio, os entusiastas do edifício cravado no coração da Avenida Paulista podem ficar tranquilos.

17 – Seu vão livre possui 70 metros de extensão

18 – Todas as 3a feiras o MASP tem entrada gratuita!

Durante a construção, Lina Bo Bardi posa em ao lado de uma cópia de Van Gogh

19 – Um dos primeiros centros poli-culturais do mundo. Em apenas 3 anos, o museu já contava com pinacoteca, sala de exposição didática sobre a história da arte, salas para exposições temporárias, auditórios, biblioteca, laboratório fotográfico, cursos e palestras, mostras de artistas nacionais e estrangeiros de todas as correntes, manifestações de teatro, música e cinema. O museu era um ponto de encontro de artistas, estudantes e intelectuais em geral.

20 – Existe por lá um programa chamado MASP ESCOLA, que oferece cursos para maiores de 16 anos interessados por arte ou que trabalham na área. Em quatro aulas, os alunos aprendem sobre a história da arte europeia, moda, pintura, escultura, arquitetura e curadoria.

Carlos de Campos

21 – Em 1927, quando morreu Carlos de Campos, presidente de São Paulo (título que equivale ao de governador atualmente), a Avenida Paulista foi rebatizada em homenagem ao político. A mudança não foi bem aceita, o que causou o retorno ao nome original no começo da década de 1930.

22 – O MASP possui a mais importante e abrangente coleção de arte ocidental da América Latina[ e de todo o hemisfério sul

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Estudou cinema na NTFS (UK), Administração na FGV e Química na USP. Trabalhou com fotografia, cinema autoral e publicitário em Londres nos anos 90 e no Brasil nos anos seguintes. Sua formação lhe conferiu entre muitas qualidades, uma expertise em estética da imagem, habilidade na administração de conteúdo e pessoas e conhecimento profundo sobre materiais. Por muito tempo Paulo participou do cenário da produção artística em Londres, Paris e Hamburgo de onde veio a inspiração para iniciar o Arteref no Brasil. Paulo dirigiu 3 galerias de arte e hoje se dedica em ajudar artistas, galeristas e colecionadores a terem um aspecto mais profissional dentro do mercado de arte internacional.

1 COMENTÁRIO

  1. “Em 1953, o edifício foi demolido para abrigar a 1ª Bienal de Arte Moderna da cidade”.

    Uma correção. O ano correto da 1ª Bienal de Arte Moderna de Sampa é 1951 e não 1953, como consta no texto. Um abraço!

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