Curiosidades

Por que batemos palmas?

O significado do aplauso é reconhecido em diversas culturas do mundo e é um dos meios de comunicação mais universais de nossa história.

Por Equipe Editorial - fevereiro 12, 2020
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Você já se perguntou por que batemos palmas? E de onde surgiu o debate sobre os aplausos em apresentações de músicas clássicas? Bater palmas em concertos é adequado? O ato de bater uma palma na outra é o mais comum que nós, como seres humanos, usamos afim de criar sons sem usar nossas vozes.

As pessoas costumam usar os aplausos como um gesto social para mostrar aprovação e admiração quando estão em grupos e multidões, mais frequentemente quando fazem parte da plateia de algum show ou performance.

Mas qual é a razão por que aplaudimos? Você sabia que a velocidade média de nossos aplausos varia de 2,5 a 5 por segundo?! O significado do aplauso é reconhecido em todas as culturas do mundo e é um dos meios de comunicação mais universais.


História dos aplausos

O ato de bater palmas existe há mais de 3000 anos, inicialmente sendo usado apenas de forma religiosa, vindo de religiões pagãs. Elas acreditavam que o barulho de uma palma batendo na outra chamaria a atenção dos deuses para seus rituais. 

Já na antiguidade clássica existiam outros motivos. Nos teatros gregos, era comum que os artistas pedissem à plateia para aplaudir como uma forma de invocar os espíritos protetores das artes. 


No caso do Império Romano, isso passou a ser comum nos discursos políticos para influenciar o discurso dos candidatos, e os praticantes eram encontrados em tribunais e em demonstrações particulares de arte. Um exemplo interessante é o caso do  imperador Nero: preocupado com o impacto de suas aparições públicas, ele carregava uma equipe especializada em aplaudir com mais de 5 000 homens.

A partir desses acontecimentos, os aplausos se espalharam para o resto do mundo. Na França do século XVIII e XIX, vários teatros em Paris contratavam pessoas apenas para ficar na plateia e aplaudir – assim como o imperador Nero fazia no Império Romano – como se as palmas fossem um “termômetro”  de sucesso ou de fracasso. Quanto maior e mais duradouro fossem os aplausos, mais aclamada pelo público era a apresentação.

O feito era bem organizado, esses profissionais de aplausos tinham cada um sua função especifica: alguns eram designados para rir alto durante trechos cômicos, outros para derramar uma lágrima por uma performance melancólica, e até mesmo para comentar sua apreciação de uma peça ou discurso com outros membros da plateia.

por que batemos palmas
Caiaimage | Martin Barraud | Getty Images

Hoje em dia, no entanto, os dias dos profissionais de aplausos, também conhecidos como claques, acabaram e tudo o que você encontrará nos teatros parisienses são aplausos genuínos.


Bater palmas em concertos é adequado?

Existe uma tradição na música clássica que você só aplaude depois que uma peça termina, e nunca entre movimentos. Mas por que essa ‘regra’ realmente existe?

Aqui está um público de concertos pop, aplaudindo com entusiasmo durante uma música:

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Foto: Harrison Haines

Em um concerto de música clássica, você não pode garantir que essa demonstração de entusiasmo será algo visto com bons olhos pelos outros membros da plateia.

Mas nem sempre foi assim. Como a própria música, a etiqueta clássica de concertos evoluiu ao longo do tempo. No final do século XVIII, os concertos clássicos eram mais como pequenas reuniões aristocráticas.

Compositores como Mozart realmente esperavam que as pessoas falassem durante seus shows e eles gostavam de ouvir aplausos espontâneos. No século XIX os concertos clássicos se tornaram públicos, e assim como ocorria na França, existiam os profissionais de aplausos que normalmente eram as pessoas que começavam a bater palmas com o intuito de causar alvoroço na apresentação de determinados artistas.

Porém, muitos compositores se opuseram fortemente a eles e ao ato de bater palmas em concertos. Mahler chegou a especificar nas partituras que seus movimentos não deveriam ser interrompidos por aplausos, e ele não estava sozinho.

mahler
Regente e compositor Gustav Mahler

Em 1842, na estreia de sua sinfonia “escocesa”, Mendelssohn pediu explicitamente que ela fosse tocada sem interrupção, para evitar aplausos ou qualquer barulho gerado pela plateia. Schumann fez o mesmo em seus concertos para piano e violoncelo, bem como em seu Symphony No.4.

No momento em que o equipamento de gravação surgiu no século XX, os aplausos entre os movimentos eram bastante desaprovados. As pessoas começaram a pensar que bater palmas entre os movimentos de uma sinfonia distraía a unidade da peça, causando ruídos desnecessários nas gravações de CD ao vivo.

Atualmente o ato de bater palmas em concertos ainda é visto de forma negativa. As pessoas costumam aplaudir um concerto clássico apenas quando ele de fato termina, assim os membros da plateia podem ouvir as composições sem nenhuma perturbação sonora, ou seja, sem a distração de aplausos entre os movimentos.

Ainda assim muitas pessoas na indústria discordam dessa opinião. Marin Alsop, maestrina da Sinfonia de Baltimore e da Sinfonia do Estado de São Paulo diz:


“Bater palmas não me incomoda nem um pouco. Quando as peças de Beethoven eram lançadas, as pessoas batiam palmas no meio da peça.”

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Marin Alsop | Foto: Grant Leighton

Ela continuou dizendo ao The Independent que o único momento em que se sente incomodada por aplausos é quando os mesmos parecem superficiais ou obrigatórios simplesmente porque algo foi concluído, por exemplo, no final de um movimento lento de uma sinfonia de Mahler.

Bater palmas ou não bater palmas? Eis a questão eterna. Essa dúvida existe há anos e as opiniões são vastas, ou seja, não existe uma resposta certa! 

Talvez a resposta para o problema seja que devemos nos acostumar a ouvir o som do silêncio, mas se você não pode deixar de aplaudir espontaneamente após o épico crescendo no final do primeiro movimento do Concerto para Piano No. 2 de Rachmaninov (e quem poderia culpar você!), ignore as críticas desaprovadoras e siga em frente.


Estudos sobre o aplauso

Independente dos casos, estudos mostraram que a duração e o volume dos aplausos obedecem a um fenômeno de contágio social e comportamental.

Em uma situação como um concerto clássico em que você deve ficar parado, eles servem como uma “válvula de escape” de emoções e energia.  

Um aplauso também serve como forma de agradecimento ao artista. 

Outros estudos mostraram que bater palma deixa as pessoas felizes. Quando aplaudimos, estimulamos a parte do cérebro que é dada ao prazer e à satisfação.


Conclusão

Bater palmas é uma ótima maneira de mostrar nossa apreciação e prazer. Muitas vezes é algo até involuntário e contagiante, uma forma de liberar todas as nossas energias.

E você? Em que situações bate palmas? Em quais você não gosta que as pessoas aplaudam? 

Conte para nós nos comentários.


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