Curiosidades

Vkhutemas: a escola soviética de arte fechada pelo regime stalinista em 1930

Conheça a história do centro para três dos maiores movimentos artísticos da vanguarda russa na arte e na arquitetura.

Por Paulo Varella - outubro 2, 2019
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O que foi a Vkhutemas?

Vkhutemas (Escola Superior de Arte e Técnica) foi uma escola artística e tecnológica estatal Russa fundada em 1920 em Moscou, sucedendo a Svomas. A instituição foi estabelecida por decreto de Vladimir Lenin com a finalidade de, nas palavras do governo Soviético, “preparar artistas com a mais alta qualificação para a indústria, construtores e gestores para o ensino técnico-profissional.”

O corpo da escola era composto por 100 membros e frequentada por 2500 alunos. A Vkhutemas formou-se através da fusão de duas escolas existentes: a Escola de Pintura, Escultura e Arquitetura de Moscovo e a Escola Stroganov de Artes Aplicadas. A instituição possuía as faculdades de artes e de indústria: a faculdade de artes lecionava cursos em artes gráficas, escultura e arquitetura, enquanto a faculdade de indústria leccionava cursos em impressão, têxtil, cerâmica, marcenaria e trabalho em metal. 

Vkhutemas
Vkhutemas

Foi um centro para três dos maiores movimentos artísticos da vanguarda russa na arte e arquitetura: construtivismo, racionalismo e suprematismo. Nas oficinas, alunos e professores transformavam posturas em arte e realidade através do uso de geometria precisa com ênfase no espaço, naquela que foi uma das maiores revoluções na história da arte.

 Em 1926 a escola foi reorganizada em função de um novo reitor e o nome seria alterado para “Instituto”. Foi extinta em 1930, face às pressões políticas externas e internas ao longo dos seus dez anos de existência. O corpo docente, estudantes e legado foram distribuídos por seis outras escolas.


Comparações com a Bauhaus

O paralelismo da Vkhutemas com a Alemã Bauhaus é notório, sobretudo nos seus objetivos, âmbito e organização. Ambas as escolas foram as primeiras a formar artistas-designers de forma moderna. Ambas foram iniciativa dos estados para unificar a tradição artesanal com a tecnologia contemporânea, com um Curso Elementar que incidia sobre princípios estéticos, aulas de teoria da cor, design industrial e arquitetura. 

A dimensão da Vkhutemas era superior à Bauhaus, mas foi menos publicitada e é menos familiar à historiografia ocidental. Entretanto, a influência da Vkhutemas foi bastante alargada, tendo a escola chegado a ter duas exposições distintas para académicos e trabalhos premiados de estudantes na Exposição de 1925 em Paris. A instituição captou ainda o interesse e visitas assíduas do diretor do MoMA, Alfred Barr

Alunos-do-Vkhutemas-em-manifestação-aut-desconhecida-1923
Alunos do Vkhutemas em manifestação desconhecida, 1923

Com a internacionalização da arquitetura e design modernos, começaram a ser frequentes os intercâmbios entre Vkhutemas e a Bauhaus. O segundo diretor da Bauhaus, Hannes Meyer, tentou organizar um intercâmbio permanente entre as duas escolas, enquanto Hinnerk Scheper, da Bauhaus, colaboraria frequentemente com vários membros da escola russa no uso da cor na arquitetura.

Para além disso, o livro Russia – uma arquitetura para a revolução mundial de El Lissitzky publicado em Alemão em 1930, continha diversas ilustrações de projetos colaborativos entre ambas as escolas. Tanto a Vkhutemas como a Bauhaus floresceram num período relativamente liberal, e seriam encerradas sob pressão de regimes progressivamente totalitaristas.


Revolução na maneira de pensar o fazer artístico

Seguindo os ideais de liberdade propostos pela revolução de outubro de 1917, a Vkhutemas foi criada como um centro de experimentações, defendendo o uso da arte como instrumento educativo e de transformação social. Em seu arrojado modelo de escola de artes e ofícios – que se distanciava dos processos distintos das chamadas “belas-artes” –, a aprendizagem estava diretamente vinculada à invenção de um mundo novo, de uma sociedade diferente.

Suas novas práticas pedagógicas se equilibravam entre atitude estética e postura política e visavam democratizar o ensino, combater o analfabetismo e promover a emancipação feminina.

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Favorsky Kupreyanov and students. Vkhutemas, 1926.
Imagem aqui

Nos anos 1920, a Vkhutemas revolucionou a área de arquitetura ao formar cerca de 30 mulheres nesse curso – algumas se tornaram profissionais mundialmente reconhecidas. Lidia Komárova, por exemplo, elaborou o projeto Komintern, complexo administrativo cujo prédio principal traz uma monumental construção espacial em anéis circulares maciços. Já Liubov Zaliésskaia se dedicou a novos desenhos para o espaço público, virando referência em paisagismo com o projeto do Parque Gorki e a proposta construtivista para residências comunais nos países soviéticos da Ásia Central.

A escola funcionou até 1930, quando o regime stalinista começou a deixar de lado o espírito revolucionário e ganhar um caráter mais autoritário, colocando um ponto final em iniciativas autônomas no meio artístico. Após seu fechamento abrupto, a maior parte dos registros históricos e ações desenvolvidas pela instituição foram destruídos ou se perderam.


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Estudou cinema na NFTS (UK), administração na FGV e química na USP. Trabalhou com fotografia, cinema autoral e publicitário em Londres nos anos 90 e no Brasil nos anos seguintes. Sua formação lhe conferiu entre muitas qualidades, uma expertise em estética da imagem, habilidade na administração de conteúdo, pessoas e conhecimento profundo sobre materiais. Por muito tempo Paulo participou do cenário da produção artística em Londres, Paris e Hamburgo de onde veio a inspiração para iniciar o Arteref no Brasil. Paulo dirigiu 3 galerias de arte e hoje se dedica a ajudar artistas, galeristas e colecionadores a melhorarem o acesso no mercado internacional.

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obrigado Paulo, pela sua generosidade em criar a Arteref.
Parabéns!!!