Artista da Semana

Antonio Malta

Por Equipe Editorial - maio 14, 2013
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O Arte|Ref entrevista Antonio Malta, artista que  expõe na Galeria Marília Razuk com vernissage marcada para dia 16 de maio.

Antonio Malta nasceu em 1961 em São Paulo e desde cedo conviveu com personalidades das artes no ambiente escolar (Colégio Equipe), como Leda Catunda, Arnaldo Antunes, Carlito Carvalhosa, Laura Vinci entre outros. Ingressou na FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP) em 1980, mas interrompeu o curso para se envolver com a pintura, participando de diversos coletivos e ateliês com colegas da época da escola, bem como de colegas da faculdade. Se formou em Arquitetura somente em 1991 e atualmente trabalha como artista.

Fale um pouco sobre o seu trabalho (técnicas usadas, material):

Meu trabalho é com pintura a óleo (ou acrílico) sobre tela (e também desenho, gouache, aquarela, colagem). Penso a pintura como uma imagem. Essa imagem pode ser uma arbitrariedade, resultado de uma decisão minha. Não precisa se ater a convenções realistas ou outras. Pode ser uma colagem de imagens. Pode ser abstrata. Pode ser figurativa. Pode ser qualquer coisa, pois toda imagem é em princípio uma invenção arbitrária do artista. Aprendi isso com a Arte Moderna, e principalmente com o Cubismo. Portanto, uso todos os materiais ao meu alcance para inventar imagens sobre a tela. Poderia até fazer fotografia, mas prefiro usar a fotografia em colagens que faço para depois transformar essas colagens em pinturas.

Quais as maiores influências para a criação de suas obras? (movimentos, artistas, música, viagens, assuntos, temas, poética)

Minhas influências são todas… tudo o que eu vejo. Toda a História da Arte. A Arte Contemporânea, quando presto atenção nela. Damien Hirst, por exemplo. Artistas modernos: Picasso, Klee. Artistas antigos, do Renascimento. Artistas meus amigos, os citados na biografia, da Casa 7. Leda Catunda. Jac Leirner. Artistas jovens, como Bruno Dunley, Sofia Borges e Ana Prata. Artistas brasileiros do Concretismo e do Neo-concretismo. Pintores conhecidos: Antonio Henrique Amaral, Baravelli. Volpi.

Também gosto de música e sei tocar violão: João Gilberto é uma referência. Caetano Veloso também. O João Gilberto filtra todas as canções e tem o jeito dele de cantar. É uma forma de fazer arte. O Caetano Veloso experimenta todas as formas de cantar e não tem um estilo só. É um outro jeito de fazer arte.

Tudo isso me ensinou que os estilos, as imagens e as possibilidades existem por aí. É só pegar e fazer.

Quando e como começou o seu interesse pela arte?

Minha família sempre teve uma tradição artística e intelectual. Avôs, bisavôs, tataravôs… É uma família antiga. Na minha família mais imediata, todos desenham, escrevem, pesquisam, publicam livros, teses (meus pais, meus irmãos, minha filha e agora minha mulher). Arquitetura, Arte, Música, Literatura… tudo isso é muito familiar para mim. A casas da minha família sempre possuíram grandes bibliotecas. Muitos livros de Arte, Sociologia, Filosofia… fui lendo tudo. Dependo muito dos livros, e tenho muitos. Leio bastante. Viajo e visito museus. Compro mais livros. No ateliê guardo todos os meus livros, e se tenho alguma dúvida, consulto. Tenho toda a História da Arte em livros. Agora, com a Internet, tudo ficou mais acessível, mas eu já conhecia tudo dos livros. É só em relação à Arte Contemporânea que meu conhecimento não é tão completo, mas isso é ótimo pois assim meu trabalho fica diferente de tudo, e portanto original. Já me disseram isso.

Desenho desde os 4 anos. Escrevo desde os 10 anos. No Colégio Equipe, ficou claro para mim que esse caminho era irreversível. Não sem conflitos, pois não é fácil viabilizar uma vida artística, o mercado é limitado. Por um tempo, fui arquiteto, mas depois vi que era melhor ser artista mesmo. Considero que sou artista desde os 16 anos, quando publiquei minha primeira estória em quadrinhos.

Quais artistas na sua opinião estão se destacando no cenário nacional e/ou internacional atualmente e como você definiria a arte contemporânea?

Muitos se destacam. Não quero citar nomes. Nem sei direito quais são os de maior destaque pois presto mais atenção nos artistas do passado do que nos do presente. Estudo Picasso com afinco há 30 anos, por exemplo. Ainda estou longe de entender sua obra como um todo. Mas chego lá. A Arte Contemporânea, encontro-a por acaso, nas revistas, nas galerias. Mas prefiro assim. A Arte Contemporânea é atualmente um fenômeno com um grande público e um mercado crescente. Isso me pegou de surpresa. Nos anos 80, quando comecei a pintar, achava a arte uma atividade marginalizada e em decadência. De certa forma, estava certo, pois a grande revolução que ocorreu não veio da arte, e sim da informática. Eu gosto muito de computadores e de ciência. Poderia ter ido trabalhar com isso, mas o meu impulso criativo falou mais forte. Continuei pintando quadros a óleo, técnica arcaica, e para minha surpresa a Pintura acabou sendo revalorizada, a partir dos anos 80, e hoje ela faz parte da Arte Contemporânea – seja lá o que isso quer dizer. Na realidade, sei o que isso quer dizer, pois leio muito e tenho me deparado com muitas teorias sobre Arte. Muitos críticos, filósofos e historiadores escrevem sobre o tema. Vou citar um, que estou lendo atualmente: Jacques Rancière.

Este autor define arte de maneira muito clara: a idéia de que existe uma coisa chamada “arte” é uma idéia que pode ser datada do século XVIII, quando poetas e filósofos alemães como Schiller e Kant começaram a pensar a “arte” em termos de uma sensibilidade específica que pode ser chamada de “estética”. Esse regime do sensível, como o chama Rancière, não prevê regras para a produção artística, mas ao mesmo tempo define uma coisa chamada “arte” que está associada ao homem – e à sua existência, sua história, sua vida, suas lutas.

Antes disso, não se pensava nestes termos; as Belas-Artes não admitem uma “estética”, mas apenas uma série de regras para fazer poesias, pinturas etc. Regras que são baseadas na adequação entre o meio expressivo (a palavra ou a imagem) e a estória a ser contada.

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S/Título, Óleo sobre tela  200×160 cm – 2013

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S/título, óleo sobre tela 60×48 cm. 2012

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Díptico Azul, 200×320 cm, óleo s/ tela, 2012

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Mulher, 200×160 cm, óleo s/ tela, 2013

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Sem título, óleo s/ tela, 33×26,5 cm, 2013

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Sem título, óleo s/ tela, 33×26,5 cm, 2013

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Sem título, óleo s/ tela, 33×26,5 cm, 2013

Um pouco mais sobre o artista:

Nasci em São Paulo (1961), filho de Cândido Malta Campos Filho, arquiteto, e Maria Machado Malta Campos, pedagoga. Morei no Jardim Paulistano, nos anos 60. Em 1970-72 eu e minha família fomos morar em Berkeley, Califórnia, onde meu pai foi fazer mestrado em Planejamento Urbano. Em 1973-76 fui da primeira turma do ginásio da Escola Experimental Vera Cruz (onde conheci Kika Pereira de Sousa).

Em 1977, no Colégio Equipe, conheci Arnaldo Antunes, Nuno Ramos, Nando Reis, Leda Catunda, Laura Vinci, Carlito Carvalhosa, Paulo Monteiro, Fábio Miguez, Rodrigo Andrade, Marcelo Fromer, Branco Mello, André Millan, Cao Hamburger, Tata Amaral, entre outros alunos interessados em arte e cultura. São da época do Equipe as minhas histórias em quadrinhos publicadas na revista Papagaio! e Boca.

Entre 1979 e 1981, frequentei o ateliê de Sérgio Fingermann e produzi gravuras em metal, na companhia de Rodrigo Andrade, Fábio Miguez, Carlito Carvalhosa e Paulo Monteiro.

Em 1980, ingressei na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (com Fábio Miguez e Carlito Carvalhosa). Comecei a pintar quadros a óleo nessa época. Meus amigos do Equipe também começaram a pintar.

Ainda era estudante da FAU, em 1982, quando eu e meus amigos (Rodrigo Andrade, Paulo Monteiro, Carlito Carvalhosa e Fábio Miguez) alugamos a casa número 7 de uma vila na Rua Cristiano Viana, em São Paulo. A idéia era ter um ateliê de pintura. Começamos a trabalhar neste ateliê.

Em 1983, porém, insatisfeito com minha pintura, resolvi sair do ateliê Casa 7 e ingressar em um ateliê no Edifício Esther, Pça da República, em São Paulo (colegas deste segundo ateliê: Alexandre Martins Fontes e Maína Costales Junqueira).

Nuno Ramos entrou para a Casa 7 depois que eu saí. Continuei a freqüentar o ateliê Casa 7 como amigo e visitante, para ver o trabalho feito lá.

A minha primeira exposição, que ocorreu em 1985 (“Apto 13”, Centro Cultural São Paulo), foi com Maína Junqueira. Nesta exposição, eu e Maína apresentamos telas próximas do Neo-Expressionismo, tendência da época. Ainda em 1985, acabei recebendo um prêmio aquisição no II Prêmio Pirelli de Pintura Jovem e participei do 3º Salão Paulista de Arte Contemporânea, com pinturas a óleo.

Em 1986, casado com Maína, me mudei para residência e ateliê na Rua Girassol, Vila Madalena. Neste ano nasceu a nossa filha, Antonia.

Em 1987, eu, Maína e alguns amigos pintores da FAUUSP organizamos a exposição “Olho&Óleo”, uma coletiva de pintura no Museu de Arte Moderna de São Paulo (Antonio Malta, Maína C. Junqueira, Alexandre Martins Fontes, Fábio Lopes e Ricardo Laterza).

Minha pintura, nesta época, era figurativa, em contraste com a pintura “matérica”, predominante na segunda metade dos anos 80. Ainda tinha dúvidas sobre meu trabalho e pintava com certa dificuldade, sem encontrar minha linguagem.

Em 1988, já separado de Maína, fui para um ateliê na Rua Fradique Coutinho, em São Paulo (com Antonio Sérgio, Sérgio Niculitcheff, e Paulo Whitaker). Em 1989, parte deste grupo se mudou para um ateliê em um galpão na Rua Frederico Steidel, centro de São Paulo (Malta, Antonio Sérgio, Sérgio Niculitcheff, Paulo Whitaker, Marcelo Cipis, Luis Sôlha e Nazareth Pacheco).

Em 1989, participei do projeto Metropolitan Art Museum (pintura em caminhão da transportadora Metropolitan; obra doada, dez anos depois, à Pinacoteca do Estado).

Em 1990, participei da exposição coletiva “A Especificidade da Pintura”, na Kramer Galeria de Arte, em São Paulo (com Paulo Whitaker e Antonio Sérgio).

Graduei-me na FAUUSP em 1991, depois de retomar o curso que havia interrompido em 1984. De 1992 a 1997, trabalhei com arquitetura (Esc. Paulo Mendes da Rocha, Esc. Técnico Júlio Neves, URBE Prog. e Projetos). Em 1997, recebi Menção Honrosa no Concurso para o Centro Cultural dos Correios.

A carreira de pintor ficou interrompida durante os anos em que trabalhei como arquiteto. Foi uma interrupção proveitosa pois pensei bastante sobre arte e pintura. Em 1995, depois de alguns anos trabalhando com arquitetura, retomei a pintura. Fiz uma viagem a Nova York, comprei material, e comecei a trabalhar nos fundos de casa onde havia uma edícula.

Participei, com meu trabalho novo, três pinturas a óleo, da coletiva “Além do Arco Íris” (1998), na Fundação Armando Álvares Penteado (com Alexandre da Cunha, Efrain Almeida, Lucia Mindlin Loeb, Martha Lacerda, Mauro Restife, Sabine Kaepler, Solange Pessoa, Marcelo Cipis, Érika Versutti, Tonico Lemos, Yoko Ono, Marepe e Jac Leirner).

Em 1999, realizei uma exposição individual na Galeria SESC Paulista, em São Paulo (pinturas).

Em 2000, fiz outra individual, no Espaço Cultural CEMIG, em Belo Horizonte (pinturas).

Em 2000 aluguei uma sala em um edifício na Rua Helvetia, prédio onde vários artistas tem ateliês.

Essa atividade me rendeu o convite para integrar o time de artistas da Galeria Virgilio. Em 2004, fiz uma exposição individual, intitulada “Formas e Cores”, na Galeria Virgilio, em São Paulo. Em 2007, já casado com Kika Pereira de Sousa, fiz minha segunda exposição individual na Galeria Virgilio, e participei da Pinta Art Fair, em New York City.

Em 2007, saí da Galeria Virgilio mas continuei trabalhando bastante no ateliê.

Em 2012, depois de um hiato de cinco anos sem expor (apenas pintando), tomei parte na exposição “Antonio Malta e Erika Verzutti” no Centro Cultural São Paulo, a convite de José Augusto Ribeiro. Esta exposição contou com mais de vinte de minhas pinturas, todas em grande formato. O diálogo das minha pinturas com as obras de Erika Verzutti foi um dos pontos altos da exposição.

A exposição no CCSP foi um sucesso e mudou completamente a minha carreira. Meu trabalho passou a ser reconhecido no meio artístico brasileiro, e alem disso acabei sendo procurado pela Saatchi Gallery de Londres, que comprou duas grandes pinturas da exposição.

Passei a integrar o time de artistas da Galeria Marília Razuk e agora faço minha primeira individual nesta galeria.

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