Conheça a escrita de Erika Pessanha, uma autora da nova geração

Ela tem uma oficina de escrita criativa em sua cidade, Niterói, e estudou belas artes na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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Máquina de escrever

Uma das metas do ArteRef é divulgar o trabalho de artistas emergentes, inclusive escritores talentosos que nos enviam suas obras. Se você gosta de escrever compartilhe conosco o seu trabalho.

Ela fez dois anos de arte terapia junguiana, gosta de trabalhar com tecnologia e promove debates entre artistas em seu ateliê.

Abaixo você confere a colaboração pontual desta escritora em uma carta aberta.

Aqui vos fala, aquela que você cala

Você sente coisas diversas, como se você fosse vários, como se para cada um que você é… fosse necessário uma voz, uma ferramenta diferente e eu estou aqui para te dar essa voz:

Você me dá alegria, agonia, êxtase, prazer, descontentamento, indignação, sentimentos proibidos? Por vezes tão fortes que precisam escapar, tão particulares que não são delineados por uma ou por outra linguagem? Te devolvo OBRA.

Noite estrelada Van Gogh

Eu sou realmente pretensiosa, eu posso fazer isso por vocês, que usavam as minhas linguagens quando seus sentidos não eram acostumados com centenas de alegrias modernas, elas vem de fora… eu venho de DENTRO.

Eu te fazia dançar, cantar, pintar, representar e o mal disso tudo, era provavelmente a falta de custo…passei a cobrar. Homem…Você está confuso, não sabe a diferença entre custo e VALOR…

Pensando nessa sua necessidade de fala, te pergunto se ser artista seria então uma escolha, uma condição, uma profissão ou um estado de espírito que na verdade deveria estar em todo ser humano?

O que você faz quando o peito aperta? Quando a fala não te basta? Isso não acontece com você desde quando?

O Grito de Edvard Munch

Ah sim, você tem a ilusão de controlar esses sentimentos ou simplesmente me responde que eles não se manifestam em você com tanto fervor…

Pensar é um ato solitário

Não sei qual é a pior resposta:

– O orgulho que você tem do seu auto controle ou a sua falta de vida interior…

Eu vejo uma certa doença em qualquer uma das duas respostas, essa é ordem dos fatos:

Você mantém o equilíbrio, olha torto para quem não o mantém…quanto mais você é esse tal que olha torto, mais sonha em ter na sua sala um objeto criado por alguém que é o oposto do que você cultivou…isso é o habitual… nunca parou para pensar por que alguns desses objetos atravessaram décadas ou até séculos custando mais do que você pode acumular a vida inteira, realmente acho isso uma grande contradição… você não sabe o que é VALOR.

Gramophone

Eu me preocupo com isso tudo, estive sempre aqui tentando derrubar toda essa racionalidade estranha, lutando pra que essa maldita sensatez não possa ser a definição de “ser humano”, eu, eu luto contra isso… não luto veementemente por que não sou religiosa, luto comigo mesma, com o meu interior, com o seu, com o meu discurso naturalmente diário, para quem tiver saco de ouvir sobre toda e qualquer obra de arte.

Carta de uma grande amiga

Mas… alguma vez olhando para tais obras, refletiu sobre mim? Sou apenas um remédio que se manifesta no seu corpo com impulso da sua alma, nunca quis passar disso…

Ass: Expressão

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