Diversos

O meu encontro com Christiane F., 13 anos, drogada, prostituida

Por Paulo Varella - abril 26, 2017
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Cena do filme

Uma história que eu achava que todos conheciam.

Conheci Christiane F. cedo demais. Devia ter por volta de 12 anos no máximo e com certeza não foi a idade mais indicada. Sem querer acompanhei minha irmã mais velha assistindo ao filme e posteriormente me interessei e fui atrás do livro.

O livro é chocante. Com um enredo que narra a história de uma menina jovem que aos poucos começa a se drogar (começando com pílulas de farmácia e maconha), as páginas vão mostrando a ‘evolução’ desta no universo das drogas e todo o mecanismo psíquico ao entorno dela que talvez pudesse ter desembocado naquilo tudo.

Com uma família problemática, falta de interesse/incentivo escolar, dificuldade nos relacionamentos e uma vizinhança nada exemplar, Christiane F., aos 13/14 anos, se tornou viciada em heroína e passou a se prostituir para comprar a droga.

 Em meio a relacionamentos amorosos e tentativas de ‘reabilitação’, o livro vai nos mostrando o cotidiano desse estilo de vida sem tentar empurrar nenhum puritanismo para cima de nós.

Todas as páginas parecem impressionar e, mesmo depois de alguma leitura você já se acostumar com a temática pesada, muitos outros fatores te levam a arrepiar (como alguns depoimentos por exemplo da mãe ou de assistentes sociais).

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Cena do filme

O mais impressionante é que tudo realmente aconteceu.

O livro não é uma ficção mas sim uma narrativa construída com base em depoimentos desta jovem.

Com o sucesso do livro no país de origem (Alemanha), foi produzido também um filme que conserva a estética ‘junkie’ da história.

Tento tudo acontecido na década de 70, recentemente foi lançado outro livro com a história de Chris a partir deste acontecimento. Agora com 51 anos e mãe, a antiga ‘drogada e prostituída’ conta tudo o que se passou com ela desde o lançamento – também outro livro de arrepiar (ainda mais) mas que não cabe aqui.

A história é bonita e muda muito a nossa percepção sobre os conceitos comuns relacionados aos drogados. Normalmente aquilo que julgamos como problema é apenas o sintoma de outro bem mais complexo, e isso que compreendemos aos poucos com estas páginas.

Como conheci cedo achei que fosse algo natural, mas, pouco tempo atrás quando fui ler o segundo, percebi que nenhum de meus amigos conheci sequer o filme. A história apesar de já famosa poderia ser, na minha – humilde – opinião, de leitura obrigatória.

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'Real' Christiane F.
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Estudou cinema na NFTS (UK), administração na FGV e química na USP. Trabalhou com fotografia, cinema autoral e publicitário em Londres nos anos 90 e no Brasil nos anos seguintes. Sua formação lhe conferiu entre muitas qualidades, uma expertise em estética da imagem, habilidade na administração de conteúdo, pessoas e conhecimento profundo sobre materiais. Por muito tempo Paulo participou do cenário da produção artística em Londres, Paris e Hamburgo de onde veio a inspiração para iniciar o Arteref no Brasil. Paulo dirigiu 3 galerias de arte e hoje se dedica a ajudar artistas, galeristas e colecionadores a melhorarem o acesso no mercado internacional.

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Tata
Tata
2 anos atrás

Eu li esse livro aos 13 anos. Na mesma época minha mãe passou comigo de carro (a noite e bem devagar) numa “cracolandia” para que eu visse a coisa na realidade. Louca ela? Não! Se antes eu não tinha curiosidade nenhuma com drogas, depois nem as lícitas me atraiam. Enfim, por mais que eu tivesse contato e até facilidade em encontrar drogas, nunca foi minha praia, e quando a amizade estava vinculada a qualquer coisa do tipo, eu simplesmente me afastava. Resultado, poucos amigos e uma adolescente tachada de metida dentro da periferia. Foi cedo pra mim o livro? Não… Leia mais

NIEDJA GUEDES
NIEDJA GUEDES
1 ano atrás

O livro li na adolescência. Não assisti o filme. E agora a Amazon vai estrear a série. Quero assistir.