Desenho

Arqueologia da Perda

Por Paulo Varella - julho 19, 2012
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Quem é o artista? Daisy Xavier
O que vai ter na exposição? instalação, esculturas, desenhos, pinturas e vídeo.
Quantas obras serão expostas? por volta de 30 obras
Até quando? 18 de agosto

Daisy Xavier – Arqueologia da Perda

Anita Schwartz Galeria de Arte apresenta a partir de 19 de julho de 2012 a exposição “Arqueologia da Perda”, com obras inéditas da artista carioca Daisy Xavier, que ocupará todo o espaço expositivo da galeria. No primeiro andar, serão apresentados um conjunto formado por uma instalação com 11 lanças de madeira (uma referência ao tríptico “A Batalha de São Romano”, de Paolo Ucello, que data do século XV); 15 esculturas, feitas em madeira e vidro, que incluem uma série de três trabalhos de parede feitos com madeira, lente de aumento e  ouro e ainda seis desenhos inéditos, em tinta óleo e nanquim sobre papel. No terceiro andar, estarão uma pintura em grande formato, seis pinturas pequenas, desenhos feitos em nankim e uma escultura de madeira e vidro. No contêiner, a artista apresentará o vídeo “Mar sem orla”, de 2010.

No grande espaço térreo da galeria, com 200 metros quadrados e pé direito de mais de sete metros, Daisy Xavier apresentará cerca de 15 esculturas inéditas, de chão e de parede, de uma nova pesquisa que a artista começou a desenvolver este ano, em que utiliza partes de móveis antigos, principalmente cadeiras. “Me interessam os veios, as curvas desses pedaços de móveis. A riqueza com a qual a madeira era esculpida antigamente dá uma ideia de fluidez e de movimento. Aproveito para abstrair o que era um móvel e criar apenas linhas, um desenho em três dimensões”, afirma. Junto a essas peças de madeira, estão objetos de vidro, todos no mesmo tom de azul, que fazem referência à água, um tema recorrente em vários outros trabalhos da artista. Esses vidros aparecem quebrados, mas sempre lembram a forma do objeto perdido. “São pedaços de vidro quebrados, mas não são cacos, eles trazem a memória de algo que se quebrou. Gosto de manter esses pedaços como se fosse um objeto que pode ser remontado. O título da exposição ‘Arqueologia da Perda’ implica nessa possibilidade de reconstrução”. Essa nova pesquisa começou por causa de um acidente com um vaso antigo de murano, herança de família, que a artista tinha em sua casa. Um dia, encontrou o vaso quebrado, mas as partes se mantinham no mesmo lugar, estavam remontadas.

Os trabalhos se assemelham à pesquisa de reconstrução de uma memória, que a artista vem desenvolvendo há alguns anos com vidros e móveis, como nos da exposição “Último Azul”, de dezembro de 2011 a março de 2012, no MAM do Rio de Janeiro. Ali a artista apresentou uma serie de esculturas com móveis que foram da casa da sua infância, que se equilibravam fragilmente sobre vidros. “Naqueles trabalhos o móvel fazia uma referência direta à memória da casa. Agora há uma abstração – não se vê mais o móvel como objeto, seus pedaços torneados são reconstruídos para criar apenas movimento e continuidade,” afirma.

No mesmo salão, será apresentada uma serie inédita de três objetos de parede, intitulada ”Simetrias”, feita a partir de pedaços de cadeiras antigas, arredondadas, encurvadas. A artista reparou que nas diversas peças de uma cadeira há um número marcado. Ela montou essas partes de modo que os números ficassem de frente para o espectador, e posicionou uma lente de aumento para que aquela marcação fosse evidenciada. Além disso, a artista recriou esse mesmo número em ouro e fixou na parede, para que ele fosse visto através de um buraco de parafuso existente na peça. O número antigo marcado na madeira é visto pela lente de aumento e o número de ouro cravado na parede é visto através deste pequeno furo. “São instrumentos para o olhar: um jogo de simetrias vai reconstruindo os sentidos daquela marcação. A simetria cria diversas formas de ver o mesmo”, diz.

Na pequena sala que fica na entrada da galeria, serão apresentados seis desenhos inéditos, de 2011, em grafite e tinta óleo sobre papel. Os desenhos foram feitos enquanto a artista produzia as obras da exposição do MAM Rio. Um registro que será mostrado pela primeira vez na Anita Schwartz Galeria.

No terceiro andar da galeria serão apresentados uma pintura em grande formato, de 240 X 132 cm, e mais seis telas pequenas, de 35X 35 cm, ambas em óleo sobre tela. Nesta mesma sala estarão seis desenhos feitos em nankim e uma escultura de madeira e vidro, intitulado “Aranha”. No contêiner, a artista apresentará o vídeo “Mar sem orla”, de 2010, inédito no Rio de Janeiro, e apresentado na exposição “Para medir um mar”, na galeria Eduardo Fernandes, em São Paulo.

 

SOBRE A ARTISTA

Daisy Xavier (Rio de Janeiro, 1952. Vive e trabalha no Rio de Janeiro)

Entre suas principais exposições individuais estão: “Último Azul”, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 2011; “Topologia do Encontro”, na Galeria Florência Loewenthal, em Santiago, no Chile, em 2010; “Passantes” e “Nadando”, ambas no Instituto Tomie Ohtake, em São  Paulo, em 2007; “Nadando”, no Paço Imperial, no Rio de Janeiro, em 2006; “Mesuras”, nas Cavalariças do Parque Lage, no Rio de Janeiro, em 2005; “The NET”, no Centre Freudian of Analysis and Research, em Londres, em 2001; “Anfíbio”, na Galeria Cândido Mendes de Ipanema, no Rio de Janeiro, em 2000; “ Projeto Macunaíma”, na Galeria da Funarte, no Rio de Janeiro, em 1999; “Pinturas”, na Casa de Cultura Laura Alvim, no Rio de Janeiro, em 1994 e “Pinturas”, no Centro Cultural Brasil Colombia, em Bogotá, em 1992, entre outras.

Entre as principais exposições coletivas estão: “E os amigos sinceros também”, na Galeria Ibeu, no Rio de Janeiro, em 2012; “Esculturas”, na Galeria Anita Schwartz, no Rio de Janeiro, em 2011; “Mapas Invisíveis”, na Caixa Cultural, no Rio de Janeiro, em 2011; “Sujeito Corpo”, no Sesc Pinheiros, em 2010; “Corpo Estranho”, no Lokal 30, em Varsóvia, na Polônia, em 2009; “Travessias Cariocas – A Negação”, na Caixa Cultural, no Rio de Janeiro, em 2008; “Mesuras”, no Centro Cultural Maria Antonia, em São Paulo, em 2007; “Notas do Observatório”, no Centro Cultural Telemar, no Rio de Janeiro, em 2006; “Nadando”, na V Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, em 2005; “O Corpo na Arte Contemporânea Brasileira”, no Itaú Cultural, em São Paulo, em 2005; “ArteFoto”, no CCBB Rio, em 2002; “Sala de Memórias”, no Centro Cultural Recoleta, em Buenos Aires, na Argentina, em 1999; Museu Nacional de Belas Artes, em 1996; “Pinturas”, na October Gallery, em Londres, em 1995; “XVII Salão Carioca de Arte”, em 1993, entre outros.

 

Abertura: 18 de julho de 2012, às 19h

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Estudou cinema na NFTS (UK), administração na FGV e química na USP. Trabalhou com fotografia, cinema autoral e publicitário em Londres nos anos 90 e no Brasil nos anos seguintes. Sua formação lhe conferiu entre muitas qualidades, uma expertise em estética da imagem, habilidade na administração de conteúdo, pessoas e conhecimento profundo sobre materiais. Por muito tempo Paulo participou do cenário da produção artística em Londres, Paris e Hamburgo de onde veio a inspiração para iniciar o Arteref no Brasil. Paulo dirigiu 3 galerias de arte e hoje se dedica a ajudar artistas, galeristas e colecionadores a melhorarem o acesso no mercado internacional.

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