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Exposição em NY destaca a arte têxtil de Madalena Santos Reinbolt

Por Thais de Albuquerque - fevereiro 6, 2025
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Madalena Santos Reinbolt é o foco da exposição Uma Cabeça Cheia de Planetas, a primeira retrospectiva abrangente de sua arte já apresentada e a primeira mostra individual da artista organizada fora de seu país natal, o Brasil. Apresentando 42 obras têxteis e pinturas a óleo, a exposição destaca seus bordados em grande escala, compostos por centenas de fios vibrantes—que a própria artista chamava de quadros de lã. Reunindo mais da metade de todas as obras conhecidas de Santos Reinbolt, a mostra examina seu trabalho sob diferentes perspectivas, incluindo gênero, raça e dinâmicas socioeconômicas.

Uma Cabeça Cheia de Planetas explora o contexto no qual a prática artística de Santos Reinbolt se cristalizou no início da década de 1950, quando ela se tornou cozinheira residente da arquiteta Lota de Macedo Soares e de sua companheira, a poeta americana Elizabeth Bishop, na casa do casal em Petrópolis, um refúgio montanhoso frequentado pela alta sociedade brasileira. Foi apenas em meados da década de 1960, enquanto trabalhava em outra residência, que ela começou a se dedicar ao bordado e a criar muitas das obras pelas quais é reconhecida hoje.

Madalena Santos Reinbolt
Exposição em NY destaca a arte têxtil de Madalena Santos Reinbolt

Apresentada de forma não cronológica, Uma Cabeça Cheia de Planetas é dividida em quatro seções principais. A seção de abertura explora as pluralidades, muitas vezes conflitantes, de sua vida como artista, trabalhadora doméstica e mulher negra, traçando sua trajetória desde a infância em uma pequena fazenda no interior da Bahia até sua migração para as cidades mais ricas do sudeste em busca de oportunidades de trabalho. Outra seção apresenta sua obra como uma condensação de tempo, espaço e dinâmicas raciais, abordando desde a vida no campo até cenas movimentadas da cidade, retratando celebrações festivas, refeições coletivas e espaços ao ar livre—montanhas, céus, fauna e flora—tanto do Brasil quanto de terras distantes, reais e imaginárias. A exposição se encerra com uma exploração das afinidades dos bordados de Santos Reinbolt com tradições têxteis seculares praticadas por mulheres em todo o Brasil, incluindo artistas brasileiras contemporâneas.

Madalena Santos Reinbolt
Exposição em NY destaca a arte têxtil de Madalena Santos Reinbolt

Para homenagear e dar voz a Santos Reinbolt, a exposição inclui gravações de entrevistas da artista com a antropóloga e crítica de arte Lélia Coelho Frota, interpretadas pela poeta, educadora e pesquisadora feminista negra Luana Reis, que, assim como Santos Reinbolt, nasceu e cresceu na Bahia, Brasil.

Madalena Santos Reinbolt
Exposição em NY destaca a arte têxtil de Madalena Santos Reinbolt

Essa exposição histórica foi organizada pelo Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), onde estreou no outono de 2022 como parte do programa bienal do MASP dedicado às Histórias Brasileiras, e foi curada por Amanda Carneiro, curadora do MASP, e André Mesquita, também curador do MASP. A exposição no AFAM, sob curadoria de Valérie Rousseau, presidente curatorial e curadora sênior de Arte do Século XX e Contemporânea, com Dylan Blau Edelstein, doutorando em Espanhol e Português na Universidade de Princeton, expande a apresentação do MASP e oferece uma contextualização mais aprofundada da artista e de sua obra.

Sobre a artista Maria Madalena Santos Reinbolt

Maria Madalena Santos Reinbolt (1919–1977) foi uma artista autodidata brasileira, reconhecida por suas pinturas e tapeçarias que retratam cenas da vida rural com cores vibrantes e expressividade única. Nascida em Vitória da Conquista, Bahia, cresceu em um ambiente simples, cercada pela natureza e pelo trabalho artesanal de sua mãe. Sem acesso à educação formal, mudou-se jovem para Salvador e depois para o Rio de Janeiro e Petrópolis, onde trabalhou como empregada doméstica. Foi nesse contexto que começou a se dedicar à arte, incentivada por Lota de Macedo Soares e Elizabeth Bishop. Inicialmente, pintava sobre pedras e materiais descartados, mas logo passou a utilizar tinta a óleo sobre papel e, posteriormente, tela.

A partir de 1969, Madalena trocou os pincéis pelas agulhas, criando tapeçarias que ela chamava de “pinturas com lã”, explorando texturas e volumes com uma impressionante sensibilidade gestual. Apesar do talento, não conseguiu viver exclusivamente da arte, continuando a trabalhar como empregada doméstica até sua morte em 1977. Seu legado, no entanto, transcendeu sua vida: suas obras foram exibidas na Bienal de Veneza em 1978 e hoje integram acervos importantes, como o Museu Afro Brasil e o MASP.

Serviço

Madalena Santos Reinbolt: Uma Cabeça Cheia de Planetas
12 de fevereiro de 2025 – 25 de maio de 2025
Museu de Arte Popular Americana

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