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Túlio Pinto realiza nova individual na Millan em novembro

Túlio Pinto apresenta os desdobramentos recentes em sua investigação sobre os limites de materiais de uso industrial. Localizadas entre escultura e instalação, as obras produzidas com blocos ou barras de aço e bolhas de vidro soprado se organizam em arranjos precisos de equilíbrio e jogo de forças.

As obras se sustentam autonomamente, em equilíbrio, e colocam em tensão os pressupostos sobre a fragilidade do vidro e o peso do aço. Para atingir esse resultado, no ateliê onde é o vidro é soprado,– com o material ainda quente e maleável –, as bolhas são pressionadas contra as chapas e vigas de aço, para que se moldem a elas. Esse processo se desenvolveu a partir de trabalhos nos quais o artista posicionava peças de concreto contra balões de festa – que, no embate com o peso, iam pouco a pouco, cedendo e murchando.

“A primeira impressão que temos ao ver esses trabalhos escultóricos de Túlio Pinto é a de que as bolhas de vidro vão estourar, já que, aparentemente, não poderiam resistir ao apoio daquelas massas brutas. Por isso, o paradoxo, que, nos trabalhos do artista, ganha ares de uma espécie de milagre laico, ou, na verdade, de uma explicitação materialista: os volumes de vidro são, sim, muito resistentes, e ainda mais quando sua geometria se contorce, distanciando-se da fragilidade das chapas planas. Assim, enquanto as barras de ferro realizam a força de empilhamento, as informes bolhas de vidro se deformam para apoiá-las. O conflito se resolve provisoriamente em acomodação.” Comenta o curador.

“Cumplicidade #37” (2022), de Túlio Pinto. Aço, corten e vidro. 80 x 111 x 20 cm

Tal operação, entendida pelo artista como uma “performance dos materiais”, se configura numa organização precisa das peças que compõem os trabalhos – levando em conta as propriedades e os antagonismos das matérias, que permitem que as obras permaneçam estáticas.

Há ainda um contraste entre a forma orgânica do vidro e a precisão industrial da liga metálica, para Wisnik: “Daí, a meu ver, a força desses encontros improváveis, nos trabalhos de Túlio Pinto, entre ferro e vidro, ou entre as formas geométricas claras e o organicismo informe de estruturas frágeis que se amoldam ao esforço bruto de compressão. Ou, ainda, entre o peso da barra de ferro, de extração industrial, e a consistência mutante da película vítrea, que, soprada delicadamente pelo pulmão de um trabalhador artesão, esculpe-se em formas pelo movimento de massas de ar.”

Avançando em debates postos pelo minimalismo e pela arte construtiva brasileira, a produção de Túlio Pinto permeia de maneira singular os conceitos de harmonia, equilíbrio e efemeridade, formulando a coexistência de opostos, assim como experiências dos espectadores com o espaço.


Sobre o artista Túlio Pinto

Túlio Pinto (Brasília, DF, 1974) vive e trabalha em Porto Alegre, RS. É bacharel em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UFRGS, RS. Realizou diversas exposições individuais, entre elas: Encontros divergentes, no MAC Sorocaba, SP (2021); Buraco no céu, na Galeria Millan, São Paulo, SP (2020); Momentum, no MARGS — Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS (2019); Onloaded: Túlio Pinto, no Phoenix Institute of Contemporary Art, Phoenix, EUA (2015). Entre suas principais exposições coletivas destacam-se: 13a Bienal do Mercosul: Trauma, sonho, fuga, Porto Alegre, RS (2022); Glass and Concrete, Marta Herford Museum, Herford, Alemanha (2020); Transparência e reflexo, Mube — Museu Brasileiro de Escultura, São Paulo, SP (2016); Bienal de Vancouver, Vancouver, Canadá (2014). Sua obra faz parte de diversas coleções, entre elas: Instituto Figueiredo Ferraz; Museu de Arte Contemporânea do Paraná; Museu de Arte de Ribeirão Preto; Fundación Pablo Atchugarry; Fundação María Cristina Masavesu Peterson; Marta Herford Museum.


Serviço

Exposição: “Lastros e Tensões. Deformações e Acolhimento” de Túlio Pinto. Curadoria Guilherme Wisnik.
Período: até 17 de dezembro de 2022
Local: Galeria Millan
Endereço: Rua Fradique Coutinho, 1430, Pinheiros, São Paulo, SP


Leia também:
Vivian Caccuri inaugura “Descomprimidos” na Galeria Millan

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