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Mulheres escritoras de todas as partes

Por Equipe Editorial - fevereiro 5, 2013
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Mulheres escritoras de todas as partes

Por Samanta Dias

Quantos livros escritos por mulheres você leu nos últimos tempos? Se a sua lista não vai muito além das brasileiras Clarice Linspector e Zélia Gatia e das inglesas Virginia Woolf, Jane Austen e Emily Brontë, segue uma pequena lista que reúne escritoras premiadas de todas as partes do mundo.

Nadine Gordimer, África do Sul

Nobel de literatura em 1991.  Eu estou lendo “O falecido mundo burguês”, escolhi pelo título emblemático. A história se passa em dois tempos: o vivido para narradora-personagem e o tempo de suas lembranças, que remontam à movimentação política da luta contra a segregação racial na África do Sul dos anos 1960. Esse contexto é relatado pelos olhos de uma jovem mulher branca de classe média envolvida com a resistência multiétnica contra o apharteid.

Doris Lessing, Inglaterra

Filha de ingleses, nasceu na então Pérsia, em 1919, cresceu no Zimbábue e chegou ao Reino Unido em 1949, e foi neste país que Doris construiu sua obra. Quando se fala de sua contribuição literária para o século XX é comparada a Marcel Proust e Virginia Woolf. Foi premiada com o Nobel de Literatura em 2007. Os temas de sua obra sofrem influência dos anos que passou na África, das questões de gênero, versando muitas vezes sobre a divisão da civilização entre brancos e negros, mulheres e homens.

Embora não esteja listado entre suas obras mais significativas, eu sugiro o livro “A terrorista”, onde Doris narra o cotidiano de um grupo de amigos de esquerda cujo sonho é fazer parte do IRA.

Toni Morrison, EUA

Norte-americana, esta foi a primeira mulher negra a ganhar  o prêmio Nobel,  que ocorreu em 1993. O livro “Paraíso”, que pretendo ler em breve, é uma de suas obras principais. Neste livro Toni relaciona questões raciais e de gênero ao contar a história de uma comunidade negra que se manteve isolada e segura contra a mistura de raças e, de repente, vê seus jovens questionarem as tradições do lugar e as histórias que lhes foram contadas sobre suas origens ao terem contato com a atuação de Martin Luther King e Malcolm X.

Pola Oloixarac, Argentina

Essa moça, a mais nova dentre as escritoras que listo aqui, sofreu uma grave acusação, a de escrever como um homem, perigo contra o qual a própria Virginia Woolf deixou páginas e páginas de advertência escritas para suas sucessoras.  Ela teve de vir a público para mostrar a cara e provar que Pola não era o pseudônimo de rapaz ou senhor de meia idade qualquer. O livro que gerou a polêmica foi “As teorias Selvagens”. Até agora só puder dar uma lida no primeiro capítulo, Pola emprega uma escrita seca, irônica, que carrega o tom de quem está fingindo que narra algo objetivo do ponto de vista praticamente científico, documental. Aliás, ela também foi acusada de tirar sarro da esquerda argentina e fazer troça da intelectualidade. O livro não traz uma história única, mas uma compilação de casos como o de um estudante que escreve cartas para Mao, um gato, uma aluna que persegue o professor. Ela esteve na Flip em 2008, se não me engano.

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