O que foram os Parangolés?

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caetano vestindo um parangole
caetano vestindo um parangole

Os Parangolés, do artista brasileiro Hélio Oiticica, são um conjunto de obras que nasceram, como dito o artista, de “uma necessidade vital de desintelectualização, de desinibição intelectual, da necessidade de uma livre expressão.

O Parangolé é uma espécie de capa que se veste, com textos, fotos, cores e que serve como uma Obra-ação-multisensorial.

“o objetivo é dar ao público a chance de deixar de ser público espectador, de fora, para participante na atividade criadora”.

Helio Oiticica

O Parangolé é “anti-arte por excelência”, não se pode ir numa exposição de Parangolés, o espectador veste a obra e a obra ganha vida através dele, é capacidade de auto-criação, de expansão das sensações e rompimento.

parangole

Definição

Fruto das experiências de Hélio Oiticica com a comunidade da Escola de Samba Estação Primeira da Mangueira, no Rio de Janeiro, o Parangolé é criado no fim da década de 1960.

Considerado por Hélio Oiticica a “totalidade-obra”, é o ponto culminante de toda a experiência que realiza com a cor e o espaço.

Apresenta a fusão de cores, estruturas, danças, palavras, fotografias e músicas. Estandartes, bandeiras, tendas e capas de vestir prendem-se nessas obras, elaboradas por camadas de panos coloridos, que se põem em ação na dança, fundamental para a verdadeira realização da obra: só pelo movimento é que suas estruturas se revelam.

Posterior aos Bólides – recipientes com pigmento para serem manuseados, criados em 1963 -, os Parangolés ampliam a participação do público na medida em que sua ação não está mais restrita ao manuseio, como nas obras anteriores.

Eles pressupõem a transformação na concepção do artista, que deixa de ser o criador de objetos para a contemplação passiva e passa a ser um incentivador da criação pelo público. Ao mesmo tempo que pressupõe uma transformação no espectador, dado que a obra só acontece com sua participação. Trata-se de deslocar a arte do âmbito intelectual e racional para a esfera da criação, da participação.

Origem dos Bólides: O texto aborda os Bólides de Hélio Oiticica, desenvolvidos no âmbito do Programa Ambiental, entre os anos de 1965-1966 e início de 1967. Nesse período, percebe-se que eles atuam no sentido de construir uma linguagem própria à vanguarda brasileira dos anos 1960, assumindo conotações fortemente éticas e políticas, além do plano estético. O texto está organizado em duas partes: numa delas discute-se o procedimento construtivo do Bólide-“transobjeto” que faz uso de objetos já existentes e procura situar a criação na instância social, e, na outra, abordam-se as novas questões trazidas pelos Bólides que surgem em consonância com a conceituação dos termos “antiarte”, “apropriação” e “nova objetividade”.

Muitas vezes usados por integrantes da Mangueira – Mosquito (mascote do Parangolé), Nildo, Jerônimo, Tineca e Nininha Xoxoba entre outros -, o Parangolé expressa inconformismo – alguns levam frases como “ESTOU POSSUÍDO” ou “INCORPORO A REVOLTA” – e é um “estandarte da anti-lamúria”, revelando a cumplicidade do artista com os que vivem à margem da sociedade.

Hélio Oiticica também foi responsável pela criação da palavra Tropicália – que se referia a uma de suas obras presentes na exposição Nova Objetividade Brasileira, em abril de 1967 – a partir desse momento a palavra seria utilizada por diversos artistas para referenciar o modo de fazer suas criações tropicalistas.

Tropicalia foto Marcelo Machado
Tropicalia foto Marcelo Machado

Quem foi Helio Oitica?

Hélio Oiticica (Rio de Janeiro, 26 de julho de 1937 — Rio de Janeiro, 22 de março de 1980) foi um pintor, escultor, artista plástico e performático de aspirações anarquistas. É considerado um dos maiores artistas da história da arte brasileira.

Hélio Oiticica buscou a superação da noção de objeto de arte como tradicionalmente definido pelas artes plásticas até então, em diálogo com a Teoria do não-objeto de Ferreira Gullar.

O espectador também foi redefinido pelo artista carioca, que alçou o indivíduo à posição de participador, aberto a um novo comportamento que o conduzisse ao “exercício experimental da liberdade”, como articulado por Mário Pedrosa. Nesse sentido, o objeto foi uma passagem do entendimento de arte contemplativa para a arte que afeta comportamentos, que tem uma dimensão ética, social e política, como explicitado no texto “A Declaração de Princípios Básicos da Nova Vanguarda”, publicado em 1967 no catálogo da exposição Nova Objetividade Brasileira ocorrida no MAM-RJ.

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Estudou cinema na NTFS (UK), Administração na FGV e Química na USP. Trabalhou com fotografia, cinema autoral e publicitário em Londres nos anos 90 e no Brasil nos anos seguintes. Sua formação lhe conferiu entre muitas qualidades, uma expertise em estética da imagem, habilidade na administração de conteúdo e pessoas e conhecimento profundo sobre materiais. Por muito tempo Paulo participou do cenário da produção artística em Londres, Paris e Hamburgo de onde veio a inspiração para iniciar o Arteref no Brasil. Paulo dirigiu 3 galerias de arte e hoje se dedica em ajudar artistas, galeristas e colecionadores a terem um aspecto mais profissional dentro do mercado de arte internacional.

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