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10 dicas de como precificar a sua arte

Alguns passos são necessários antes de você determinar o preço do seu trabalho artístico.

Por Paulo Varella - novembro 12, 2019
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Uma das questões mais comuns que os artistas perguntam é como precificar a própria arte. A boa notícia é que este processo não precisa ser complicado.

Separamos algumas dicas que vão te ajudar nesse processo.


Primeiro passo

Você precisará fazer uma pesquisa inicial para estabelecer onde sua arte está no mercado – quais são os outros artistas de experiência e habilidade semelhantes e por quanto eles vendem o trabalho deles?

Uma vez tendo essa “base” de preços da concorrência, você pode dar sequência aos próximos passos.

Entretanto, se você der atenção demais a um nicho muito específico, ou seja, não pensar no restante do mercado, seus preços podem fazer sentido e ficarem restritos apenas para você e algumas pessoas ao seu redor, não ao público geral.

Quanto mais consciente você estiver do quadro geral, do que os outros artistas fazem, do quanto cobram por seus trabalhos, quem compra, por quanto e por quê, mais preparado você estará ao precificar sua arte para que ela tenha a chance de ser vendida em uma ampla gama de circunstâncias.

Lembre-se que para fazer comparações válidas, você precisa de uma boa ideia de como a qualidade de sua arte e a extensão de suas realizações estão em relação às de outros artistas, especialmente aqueles com os quais você concorre diretamente.

Se você está fazendo arte há três anos, não se compare a artistas que fazem há vinte.
como precificar a sua arte; escolhendo obras

Escolha uma fórmula que funcione e mantenha a sua decisão

Dentre as fórmulas mais usadas, você pode cobrar por:

  • centímetro quadrado (que é o comprimento vezes a largura da sua peça)
  • centímetro linear (que é o comprimento mais a largura da sua peça)

Não há método certo ou errado; escolha o que funciona para você e continue com isso em cada peça que você criar. Então, quando estiver pronto para aumentar seus preços, será fácil e simples para você e seus colecionadores entenderem.


Não flutue seu preço

como precificar a sua arte; flutuação de preços
Via |Getty images

Não reduza seus preços para uma feira de arte e em seguida, aumente-o de volta para uma exposição em uma galeria. Isso não é profissional e pode ser prejudicial para seus relacionamentos com galerias posteriormente.

Além disso, você deve vender seu trabalho em seu site pelo mesmo preço que você o vende em uma galeria, numa feira de arte ou exposição privada informal.

Os colecionadores estarão mais propensos a comprar sua arte se reconhecerem a consistência e não estiverem preocupados com a possibilidade de perderem uma oferta através de um canal de vendas diferente do qual não estiverem cientes.


Cuidado com os preços dos seus múltiplos

Se você está vendendo impressões, não coloque o preço muito baixo. Seu preço deve cobrir o custo da impressão em si e te dar lucro. Em contrapartida, impressões com preços muito próximos do original não são bem vistos pelos colecionadores.

Procure um meio-termo nessa situação.


Baseie seus preços em fatos, não em sentimentos

Não confunda: o que você acha sobre como o mundo da arte deveria ser não vai alterar a realidade.

Se você estiver dizendo coisas como “As pessoas não entendem o meu trabalho” ou “As pessoas não me apreciam” ou “Eu sou tão bom quanto Jeff Koons, mesmo que ele seja famoso e eu não sou” ou “Mais cedo ou mais tarde vou encontrar o galerista perfeito e viver feliz para sempre”, você pode estar fazendo alguns erros de julgamento.

Convide algumas pessoas a olharem para sua arte e dizerem o que pensam – de preferência profissionais que sabem algo sobre arte – não seus melhores amigos ou maiores fãs.

Rabbit Jeff Koons
Jeff Koons. Rabbit (coelho), 1986.
Dimensões: 104,1 × 48,3 × 30,5 cm
Escultura em aço inoxidável. Trabalho mais caro vendido por um artista vivo em leilão, 91 milhões de dólares em maio de 2019.

Não pense que a exclusividade é crucial na precificação

Digamos que sua arte seja única e que seja diferente de qualquer outra jamais criada.

Os colecionadores e compradores experientes encontrarão uma maneira de compará-la, categorizá-la e relacioná-la às outras artes a fim de avaliar seu significado e sua viabilidade mercadológica.


Baseie seus preços no que sua obra vende, não no que ela deixa de vender

Por exemplo, suponha que você reduziu seu nicho concorrente a um punhado de artistas cuja arte é avaliada na faixa de R$ 2.000 a R$ 20.000. Se a única arte que vende está na faixa de R$ 2.000 a R$ 5.000, e as peças caras não vendem, isso indica que os compradores não querem pagar pelos preços mais elevados.

Então, R$2000 a R$5000 é, provavelmente, o preço que você mais vai arrecadar com segurança.

Uma estratégia é colocar preços mais elevados nas obras originais. Isso vai fazer com que o comprador inevitavelmente foque nas impressões de preços mais acessíveis. Esta é uma técnica de vendas chamada “Priming” e sempre funcionam muito bem.

Certas galerias ou artistas não se importam se vendem as suas obras mais caras. Impressões com preços mais baixos acabam parecendo mais atraentes para os compradores, quase como se fossem pechinchas

Preços competitivos

Agora vamos olhar para comparação de compras do ponto de vista do comprador. A arte não é diferente de qualquer outro produto ou serviço em que muitas pessoas que compram tendem a comparar preços antes de comprar.

como precificar a sua arte; competitive prices

Suponha que alguém reserve R$ 5000 para comprar uma obra de arte. Digamos que ela vá à algumas galerias e veja um monte de arte. Ela encontra três quadros que gosta igualmente, todos do mesmo tamanho, temas e qualidade similares, de artistas igualmente qualificados.

Se uma dessas peças custa R$ 4.000, uma R$ 4.600 e a outra R$ 5.000, qual você acha que ela comprará (muito provavelmente)?

Precificar um pouco mais abaixo do seu mercado, especialmente se você estiver menos estabelecido, aumenta suas chances de fazer vendas.

Por mais desagradável que isso possa ser, você está competindo com outros artistas. A comparação é inevitável e as pessoas que compram arte fazem isso; você deveria fazer também.

Além disso, provavelmente vão existir pessoas que admiram seu trabalho mas que não podem pagar. Dê a eles uma chance de comprar algo – uma pequena pintura, uma gravura, um desenho, qualquer coisa.

Tenha opções acessíveis. Sua arte é seu cartão de visita. Quanto mais arte você vende, mais pessoas você encontra. Quanto mais lugares você expõe, mais as pessoas passam a te conhecer (tanto online quanto em locais físicos).


Separe em categorias distintas o que foi vendido do que não foi

Misturar arte vendida com a arte de venda não é um bom negócio. Alguns artistas pensam que, se o público souber o quanto foi vendido, eles vão querer se juntar à multidão e conseguir uma obra também, antes que seja tarde demais. É exatamente o oposto acontece.

As pessoas que veem uma mistura de arte vendida e à venda e pensam: “Todos os melhores trabalhos se foram; não sobrou nada além de migalhas”.

As pessoas não querem ver o que perderam, o que não podem ter. Elas querem ter a sensação de exclusividade no ato da compra. O melhor procedimento a se tomar é remover a arte vendida e substituí-la por uma nova ou movê-la para uma categoria chamada “trabalhos anteriores”.

Além de realizar essa separação, fornecer informações sobre seu histórico de vendas (preços, compradores, formatos das obras) faz com que as pessoas se sintam mais seguras sobre a compra de seu trabalho.


Quando aumentar os preços?

À medida que a demanda por seu trabalho cresce e você evolui em sua carreira, não tenha medo de aumentar seus preços. Seu trabalho provavelmente é mais valioso do que você pensa.

Os melhores momentos para fazer isso são quando:

  • Sua arte vende regularmente por pelo menos seis meses a um ano, de preferência mais
  • Em uma exposição sua arte vende pelo menos metade de seus trabalhos
  • Você está vendendo pelo menos metade de sua arte alguns meses depois de produzi-la

Se as vendas forem boas, aumente os preços entre 10 e 25%. Mais perto dos 10% se você estiver vendendo consistentemente e mais perto de 25% se atingir algum marco na carreira após realizar grandes exposições ou receber um prêmio de prestígio.


Conclusão

Quando alguém lhe perguntar sobre um preço, fale sobre as vendas que você fez através de revendedores, galerias, online ou diretamente de seu estúdio. Explique sobre a concorrência.

Quanto mais vendas você mencionar, melhores serão suas chances de convencer o cliente de que um determinado valor que você estipula é um preço justo a pagar pela arte.

As pessoas querem provas; se sentir confiantes em gastar tanto dinheiro e entender o que estão recebendo em troca. Isto é especialmente verdadeiro para os compradores “em cima do muro”, que não conhecem bem o seu trabalho ou que estão apenas começando nesse ramo.


Espero que tenham ficado claras as dicas sobre como proceder no ato da precificação de uma obra de arte. Não é um processo complexo, mas que exige uma certa atenção sobre que está a volta e honestidade consigo mesmo.

Achou que faltou alguma dica? Deixe nos comentários. Assim, poderemos fazer uma matéria mais completa e ajudar mais pessoas.


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Fonte

Art Work Archive

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