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8 curiosidades sobre a Semana de Arte Moderna que você não sabia

Fique por dentro de eventos pouco comentados da Semana de 22.

Por Paulo Varella - novembro 14, 2019
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Separamos algumas curiosidades sobre a Semana de Arte Moderna de 1922, um evento marcante na história da arte e do Brasil. Nela diversos artistas apresentaram o movimento modernista brasileiro, entre eles Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade e Heitor Villa-Lobos.


1. “Os Sapos” foi vaiado

Durante a leitura do poema “Os Sapos”, de Manuel Bandeira, o público presente no Teatro Municipal fez coro e atrapalhou a leitura, mostrando desta forma uma desaprovação.


2. Villa-Lobos de Chinelo

No dia 17 de fevereiro, Villa-Lobos fez uma apresentação musical. Entrou no palco calçando num pé um sapato e em outro um chinelo. O público vaiou, pois considerou a atitude futurista e desrespeitosa. Depois, foi esclarecido que Villa-Lobos entrou desta forma, pois estava com um calo no pé.

heitor villa-lobos

3. A Semana de Arte Moderna foi financiada pela oligarquia paulista

Após as críticas de Monteiro Lobato, Mário de Andrade e Oswald de Andrade, buscaram expor o Modernismo e defendê-lo. Surgiu, então, a ideia de fazer a Semana de Arte Moderna no Teatro Municipal de São Paulo, no mesmo ano em que a declaração de Independência completaria 100 anos. A data escolhida foi simbólica e representaria a “segunda” independência do Brasil – mas, desta vez, no sentido artístico.

Nesse momento, o apoio da elite paulista foi fundamental. Nesse contexto pertencente da República Velha, a oligarquia paulista tinha interesse em tornar São Paulo uma referência em criação cultural, posto que era ocupado pelo Rio de Janeiro.

Além disso, o início da efervescência paulista passou a se contrapor ao conservadorismo carioca, que era bem mais tradicional no ramo das artes. Assim, a Semana de Arte Moderna foi amplamente financiada pela elite cafeeira, que tomou a frente do evento que teria projeção nacional.

Teatro Municipal de São Paulo, inaugurado em 1911 - divulgação
Teatro Municipal de São Paulo, inaugurado em 1911

4. Os tomates de Oswald

Em muitos momentos durante o evento, principalmente em seu primeiro dia, os organizadores surpreenderam o público com os conceitos artísticos e estéticos que apresentavam.

No caso de Oswald de Andrade, a questão foi puramente de extravagância. Os boatos que correm no meio acadêmico, entre os estudiosos da semana, é que ele, um dos idealizadores do evento, pagou para que estudantes do Largo São Francisco, escola de direito da USP, atirassem tomates nele próprio durante a declamação de um poema. Simplesmente pela polêmica.


5. Era para ser uma semana, mas só durou três dias

Talvez porque a intenção fosse, de fato, experimentar e provocar mudanças, a Semana de Arte Moderna, na verdade, durou apenas três dias, alternados.

O evento esteve anunciado e programado para ocorrer entre os dias 11 e 18 de fevereiro, mas o Teatro foi aberto para as exposições nos dias 13, 15 e 17. Em cada dia, as apresentações foram divididas por tema: no dia 13, pintura e escultura; no dia 15, a literatura; e no dia 17, a música.

Ironicamente, alguns dos nomes mais importantes do Modernismo não estiveram presentes na Semana. É o caso de Tarsila do Amaral, provavelmente a pintora mais conhecida do movimento, que estava em Paris, e Manuel Bandeira, que ficou doente e faltou à declamação do seu próprio poema, Os sapos, no segundo dia.


6. Anita Malfatti x Monteiro Lobato

Um dos principais nomes do evento, Anita Malfatti, foi duramente criticada por Monteiro Lobato. Em 1917, ele publicou um artigo no jornal O Estado de S. Paulo criticando a exposição de Anita, que tinha acabado de voltar da Europa e estava repleta de obras modernistas.

Como consequência, muitas das obras dela que tinham sido vendidas foram devolvidas, algumas delas inclusive destruídas.


7. O público não gostou da Semana de Arte Moderna

Toda aquela modernidade não agradou o público. As pinturas e esculturas de formas estranhas, fizeram os visitantes se perguntarem se os quadros estavam pendurados da maneira certa. Os poemas modernistas eram declamados entre vaias e gritos da plateia.

A reação dos visitantes ecoou entre os especialistas, que trataram o movimento como desimportante e retomaram às críticas vorazes de Monteiro Lobato.

De fato, à época, a Semana de Arte Moderna não teve tanta importância. Mas, nos anos seguintes, o evento passou a ser considerado o marco que inaugurou o Modernismo no país e provocou os efeitos sentidos em todos os aspectos da cultura brasileira.


8. Vicente do Rêgo Monteiro, o único pernambucano da Semana de Arte Moderna

Divulgador das vanguardas europeias no Brasil, Vicente do Rêgo Monteiro (1899-1970) foi um precursor das ideias que nortearam a Semana de 22, com seu interesse nas lendas amazônicas e na produção de cerâmica marajoara desde a década anterior.

Deixou oito obras para serem expostas na Semana de Arte Moderna, mas, na época, vivia em Paris. Foi amigo de modernistas notáveis, como a pintora Anita Malfatti, o escultor Victor Brecheret e o pintor Di Cavalcanti, o que rendeu o convite à Semana.


Mário de Andrade e A Escrava que não era Isaura

Durante a Semana de Arte Moderna, Mário de Andrade fez a apresentação do esboço de um texto que seria publicado na íntegra apenas em 1925, chamado A escrava que não era Isaura. No ensaio, ele defende um maior aprofundamento do verso livre, da síntese no uso das palavras e frases e defende uma maior valorização do que há de brasileiro na língua (características centrais que aparecem no movimento modernista).


Documentário sobre a Semana de Arte Moderna de 1922


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Pedro
Visitante
Pedro

Seria bacana colocar alguma fonte de onde a informações foram tiradas (livros, testemunhos, jornais), pois “curiosidades” – em se tratando de um evento histórico – fica com um tom meio superficial e parcial. O problema de ser parcial é sempre por que estes aspectos da Semana de Arte foram escolhidos e não outros (os que foram omitidos). Enfim… achei simpático, mas, se tivem as fontes de informação eu iria direto nelas para ler e conferir.
Abraços.