Opinião

MAM na medida do tempo

Por José Henrique Fabre Rolim - fevereiro 8, 2019
4071 0
Pinterest LinkedIn

O acervo de um museu representa em si a sua própria história, o percurso de uma instituição que atua na preservação e difusão dos valores culturais, apesar das dificuldades, propondo reflexões e estudos aprimorados da arte na sua ampla dimensão.

O Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) é uma dessas instituições que se caracterizam por uma efetiva programação cultural e educativa, aprimorando o olhar e a sensibilidade do público.

avaf-transgeoma-c-trica

A mostra “Passado/Futuro/Presente: Arte contemporânea brasileira no acervo do Museu de Arte Moderna” foi o resultado de uma preciosa colaboração entre o Phoenix Art Museum (Arizona, EUA) e o MAM, tendo sido inicialmente montada nos Estados Unidos entre setembro e dezembro de 2017, tendo como curadores a norte-americana Vanessa K.Davidson e o brasileiro Cauê Alves.

A instigante exposição reúne 72 obras de 59 artistas concebidas desde os anos 90 até 2010, proporcionando ao público uma reflexão sobre a relação vital entre o passado e o futuro, suas consequências no presente com todas as influencias advindas do contexto social e cultural com suas transformações radicais.

beatriz-milhazes_mam-são-paulo
beatriz-milhazes_mam-são-paulo

Dividida em cinco temas: O Corpo/ O Corpo Social, Identidades Mutáveis, Paisagem Reimaginada, Objetos Impossíveis, e Reinvenção do Monocromo, o visitante se defrontará com diversas linguagens e suportes, com conotação universal, espelhando o fluxo renovador da arte brasileira envolta em constantes desafios.

Uma panorâmica bem expressiva da arte contemporânea brasileira com destaques marcantes como Adriana Varejão, Beatriz Milhazes, Tunga, Dora Longo Bahia, Waltércio Caldas, Leda Catunda, Anna Bella Geiger, Carmela Gross, Nelson Leirner, José Leonilson, José Damasceno, Regina Silveira, Valeska Soares, Ana Maria Tavares, Carlito Carvalhosa, Rosangela Rennó, Lenora de Barros, Rosana Paulino, Antonio Dias entre tantos consagrados artistas que deram esse caráter internacional da nossa arte.

Paralelamente, na Sala Paulo Figueiredo, acontece a mostra Novas Aquisições – MAM que reúne obras adquiridas pela instituição nos últimos cinco anos. O precioso acréscimo é resultado de doações de particulares cobrindo períodos marcantes como a abstração geométrica com um desenho de Lothar Charoux, datado de 1958. O visitante poderá também apreciar o projeto de livro de artista de Julio Plaza, manuseando a peça e se deleitar com a tapeçaria de Jacques Douchez, envolta numa geometria lírica.

Rosana Paulino
Rosana Paulino

Analisando as obras expostas percebe-se sutileza nos detalhes como a foto de Mauro Restiffe em que Brasília é cenário do velório de Oscar Niemeyer, uma cidade que é exemplo do geométrico abstrato na sua profunda raiz, o rigor estético e poético das obras de Almandrade e a simbologia na obra de Mestre Didi, por outro lado chama a atenção, entre tantos destaques, as fotos de Marcelo Moscheta, Erika Verzutti e Luiz Roque, as pinturas de Rodrigo Andrade, de Sandra Cinto, de José Roberto Aguilar e pela série de fotos do coletivo 3NÓS3 denominada Ensacamento (1979), um registro das ações de cobrir estátuas públicas com sacos que denunciavam a tortura, enquanto o quadro de avaf ( assume vivid astro focus) caminha para uma estrutura anárquica em contrapondo com um racionalismo envolvente. Avaf foi fundado por Eli Sudbrack em 2001, mas ocasionalmente se transforma em dupla com o artista parisiense Cristophe Hamaide-Pierson (Paris, 1973) e as vezes num coletivo dependendo dos projetos a serem executados.

Uma excelente oportunidade de rever aspectos diversificados da arte contemporânea brasileira, numa apurada montagem, confrontando as nuances da relatividade do tempo.

Veja também:

Comentários

Please enter your comment!
Please enter your name here