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Mulheres artistas representam 2% do mercado. Como mudar isto?

Por Paulo Varella - março 22, 2021
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Para falar sobre o assunto Mulheres no Mercado de Arte, conversei com a artista multimídia Kalina Juzwiak.

Ela produz um trabalho muito legal e também tem um podcast chamado profissão artista. Fizemos um programa misto, tanto no Art talks quanto canal dela.


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Abaixo, disponibilizamos todos os links e assuntos conversados durante o programa.

kalina juzwiak_kaju
Sou uma artista e empreendedora criativa, que busca inspirar e provocar reflexões por meio de composições que se destacam pelo equilíbrio e cuidado estético. Minhas criações refletem diretamente a maneira como vivo: a precisão e fluidez das linhas são também a disciplina e criatividade presentes no meu cotidiano.

Assim, mais do que viver da arte, escolho viver a minha arte, todos os dias. Nesse processo, pessoas e empresas de vanguarda já me escolheram para criar experiências disruptivas e viabilizar projetos com relevante impacto social

Informações dadas durante a conversa

  • Em 18 dos maiores museus dos EUA, 87% têm sua coleção produzida por homens e 85% por brancos.
  • Nas feiras Art Basel (Basel, Miami e Hong Kong), as mulheres representaram menos de 1/4 dos artistas expostos nos últimos quatro anos.

Papel das galerias na propagação desse problema

As galerias também são responsáveis por corrigir esses preconceitos. 

Há um problema estrutural em que as galerias não representam mulheres  o suficiente em seus programas. Educar os colecionadores é a função do galerista. 

  • David Zwirner: de 66 artistas da galeria, 29 % são mulheres (19 de 66)
  • Pace Gallery: 21% (19 de 92)
  • Lisson Gallery: 20% (13 de 65) 
  • Hauser & Wirth: 34% sendo que estas respondem por 33 % das vendas da galeria
  • Nara Roesler: 11 mulheres; 36 homens
  • Fortes D’aloia & Gabriel: 10 mulheres; 30 homens

kalina juzwiak_kaju_fab e drika 2
Kaju e a sua arte

Precificação

O preconceito está embutido na forma como as obras são precificadas.

O valor de uma obra de arte é geralmente decidido por meio de uma comparação com artistas de épocas ou escolas semelhantes. Mas nas transações de mercado, as mulheres artistas ficam isoladas.

Enquanto os homens são comparados a outros artistas que têm perfis e trajetórias semelhantes, alguns participantes do mercado dizem que é uma prática comum comparar mulheres apenas entre si.

Há menos pesquisas publicadas sobre o trabalho das mulheres, o que torna mais difícil criar valor ao seu redor.

Mas também há ampla evidência de uma explicação ainda mais simples: parcialidade. 

Estudos acadêmicos encontraram diferenças de preços maiores entre artistas onde há mais desigualdade de gênero. A correlação “sugere que não é a qualidade da arte que importa”, “É discriminação.”

O gênero está nos olhos de quem vê? Identificando Atitudes Culturais com Preços de Leilão de Arte (Renee B. Adams -University of Oxford; ABFER)

Esse sistema de crenças ficou evidente em um estudo conduzido pela mesma Renée Adams, professora de finanças da Universidade de Oxford em 2017.

Ela descobriu que os homens ricos, em particular, tendem a ter menos consideração pela arte pelas mulheres. 

Ela pediu a 2.000 participantes que classificassem pinturas geradas por computador que receberam nomes fictícios de homens e mulheres. Homens ricos – especialmente aqueles que disseram que visitam uma galeria de arte pelo menos algumas vezes por ano e, portanto, mais propensos a colecionar arte – consistentemente classificaram trabalhos com nomes femininos em níveis inferiores aos do resto.


Mudanças à frente?

A esperança não está perdida. Embora continue sendo uma pequena fatia do todo, o mercado de arte feminino está passando por uma tendência de crescimento, mais do que dobrando de US $ 230 milhões para US $ 595 milhões desde 2008. 

É uma taxa de crescimento mais rápida do que o mercado de arte como um todo , que aumentou 72 por cento no mesmo período.

Como qualquer área esquecida do mercado, a arte produzida por mulheres representa uma oportunidade. 

Segundo William Goetzmann, professor de finanças da Yale School of Managemen:

Nossa pesquisa sugere que você pode obter arte de alta qualidade a um preço de banana”, 

Agora é um ótimo momento para reequilibrar sua coleção.”

Nos últimos anos, o mundo da arte só valorizou um punhado de artistas mulheres porque colecionadores e museus têm sido muito conservadores, copiando uns aos outros como se fosse um grande concurso de popularidade”. 

Mas eu acredito que alguns players vão  quebrar o molde logo: “E vai acontecer uma corrida do ouro porque algumas artes maravilhosas e artistas fenomenais foram negligenciadas”.


Quando o Guggenheim em Nova York se propôs a apresentar uma exposição do trabalho pouco conhecido da pintora mística sueca chamada Hilma af Klint no ano passado, a direção achou que seria um fracasso.

“Eles achavam que as pessoas ficariam infelizes por não virem a um show do Klimt. Em vez disso, a mostra atraiu mais de 600.000 pessoas, tornando-se a mostra mais assistida de todos os tempos do museu. 

Também atraiu o público mais jovem de qualquer exposição desde que o museu começou a medir a demografia dos visitantes. O mesmo aconteceu aqui em São Paulo com esta mesma exposição que o Johen Voltz organizou.


Números bons

De 2011 a 2017, a Bienal de Veneza contou com 26–43% de artistas mulheres. A edição de 2019 da maior mostra internacional de arte contemporânea finalmente alcançou a paridade de gênero, com 53% de mulheres artistas.

A lista Power 100 de 2018 da ArtReview das “pessoas mais influentes no mundo da arte contemporânea” incluía 40% de mulheres – uma ligeira melhora em relação a 2017 (38%) e 2016 (32%).

https://artreview.com/power-100/


Frase final

A subordinação de um sexo pelo outro é errada e um dos principais obstáculos ao aperfeiçoamento humano; Ela tem que ser substituída por um princípio de igualdade perfeita, não admitindo nenhum poder ou privilégio de um lado, nem deficiência do outro.


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Estudou cinema na NFTS (UK), administração na FGV e química na USP. Trabalhou com fotografia, cinema autoral e publicitário em Londres nos anos 90 e no Brasil nos anos seguintes. Sua formação lhe conferiu entre muitas qualidades, uma expertise em estética da imagem, habilidade na administração de conteúdo, pessoas e conhecimento profundo sobre materiais. Por muito tempo Paulo participou do cenário da produção artística em Londres, Paris e Hamburgo de onde veio a inspiração para iniciar o Arteref no Brasil. Paulo dirigiu 3 galerias de arte e hoje se dedica a ajudar artistas, galeristas e colecionadores a melhorarem o acesso no mercado internacional.

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2 Comentários
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Wagner Marcelo
Wagner Marcelo
8 meses atrás

Ótimo conteúdo, muito bom a abordagem ao frisar que artista tb paga a conta e a importância da iniciativa privada.