Curiosidades

Video-mapping: As técnicas de alterações estéticas no rosto

Por Paulo Varella - maio 1, 2020
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Projeto de vídeo-mapping realizado no japão traz o uso de novas tecnologias para ampliar o universo artístico. OMOTE trata-se de uma instalação utilizando a técnica do vídeo-mapping (técnica utilizada para mapear superfícies) e da projeção para alterar as imagens do rosto de uma mulher. O rosto transforma-se de diversas maneiras, alterando as cores, as materialidades e a forma como vemos a pessoa.

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O trabalho reafirma como novas tecnologias trazem consigo novas possibilidades de expressão e vai à publico no próximo dia 28 em uma galeria em Tokyo. Para nós que estamos aqui do outro lado, podemos ao menos conferir o vídeo abaixo:

OMOTE / REAL-TIME FACE TRACKING & PROJECTION MAPPING. from something wonderful on Vimeo.

O projeto foi realizado por uma equipe de 7 pessoas e podemos encontrar os créditos para elas na descrição do vídeo.

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O QUE É OMOTE?

OMOTE é uma palavra japonesa para rosto ou máscara. O rosto é considerado como um ESPELHO que reflete a alma humana, uma separação entre Omote (exterior) e Ura (interior) e, em Nogaku, as peças musicais clássicas do Japão, os artistas usam máscaras Omote para expressar uma infinidade de emoções dramáticas.

À medida que passamos mais tempo no projeto, tornamo-nos mais conscientes de suas semelhanças com as máscaras Omote de Nogaku e exploramos outras possibilidades através da integração das mais recentes tecnologias e da arte clássica japonesa.

O que despertou o projeto OMOTE?

Inicialmente, o Omote deveria ser um projeto para uma empresa de cosméticos, mas o projeto nunca decolou. Sentimos o forte potencial do conceito, por isso decidimos avançar como um projeto pessoal.

Após três meses, fizemos os primeiros testes e depois percebemos o quão promissor era. Então decidimos investir mais tempo para fazer algo novo e bem polido, que ninguém viu antes.

O conceito de arte

O vídeo-mapping do rosto permite expressar efeitos e truques que não são expressáveis com maquiagem física: mover, brilhar, mudar…

Um ponto importante para nós, também foi permitir que as pessoas percebessem a beleza e a moda das mulheres por trás da tecnologia.

Tecnologida do vídeo-mapping

O sistema geral foi projetado e desenvolvido por Paul Lacroix. É tecnicamente muito difícil rastrear e depois projetar em tempo real.

Ninguém fez isso antes nesse nível, porque o processo é bastante complexo: capturar marcadores de rosto com sensores, processar os dados do marcador, estimar a posição e a orientação do rosto, renderizar o modelo de CG de rosto com textura animada e finalmente enviar a imagem pelo projetor.

Para detectar os marcadores, Paul decidiu usar o sistema de captura de movimento OptiTrack. Ele fornece uma resposta rápida. Ele também criou um software de mapeamento de projeção facial original chamado Live Mapper.

Para reduzir a latência e chegar em tempo real, todo o processo de rastreamento de rosto e mapeamento de projeção foi integrado em um único programa.

PAUL LACROIX

Depois de se formar na Universidade Paul Sabatier de Toulouse, na França, com um Mestrado em Engenharia de Imagem Digital, ele foi para o Japão, onde mora há 10 anos.

Ele trabalha como diretor técnico e arquiteto de sistemas da Transit Digital Works Inc. Especializado em processamento de imagens, visão computacional e renderização em tempo real, ele traz sua experiência para filmes em 3D (Ghost in the Shell 2.0), séries de TV (Tron: Uprising) , mapeamentos de projeção, conteúdo interativo e também desenvolve sistemas originais (montagem de roupas de AR, personagem 3D de palco ao vivo). Mais recentemente, ele criou o software de rastreamento de rosto e mapeamento de projeção em tempo real usado em “Omote” e “Face Hacking”

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Estudou cinema na NFTS (UK), administração na FGV e química na USP. Trabalhou com fotografia, cinema autoral e publicitário em Londres nos anos 90 e no Brasil nos anos seguintes. Sua formação lhe conferiu entre muitas qualidades, uma expertise em estética da imagem, habilidade na administração de conteúdo, pessoas e conhecimento profundo sobre materiais. Por muito tempo Paulo participou do cenário da produção artística em Londres, Paris e Hamburgo de onde veio a inspiração para iniciar o Arteref no Brasil. Paulo dirigiu 3 galerias de arte e hoje se dedica a ajudar artistas, galeristas e colecionadores a melhorarem o acesso no mercado internacional.

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