Arte no Mundo

Hans Bellmer e suas bonecas perturbadoras

Seu polêmico trabalho destacava temas do subconsciente, sonhos, sexualidade, luxúria e morte.

Por Equipe Editorial - outubro 11, 2019
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Hans Bellmer (1902 – 1975) foi um fotógrafo, escultor, escritor e pintor associado ao movimento surrealista. Nascido em Katowice, Polônia, Bellmer foi coagido por seu pai a trabalhar em uma fábrica de aço e numa mina de carvão, mesmo depois de passar nos exames de admissão na universidade.

Ele começou a estudar engenharia na Technische Hochschule, em Berlim, mas saiu para buscar seu interesse em arte e política. Bellmer tornou-se especialmente próximo de George Grosz, um de seus instrutores de desenho, cuja perspectiva crítica da sociedade influenciou seus estudos e interesses.

Em 1924, o artista trabalhou como ilustrador e impressor de livros em Malik Verlag, onde demonstrou talento artístico e contribuiu com desenhos para romances dadaístas.

No final da década de 1920, Bellmer visitou vários países, incluindo França, Itália e Tunísia. Com o surgimento do fascismo e do nazismo no contexto da Segunda Guerra Mundial (1939 – 45), ele parou de trabalhar como meio de resistência, recusando-se a dar apoio ao Estado.

Hans Bellmer
Hans Bellmer

As bonecas de Hans Bellmer

Ele começou a produzir suas bonecas como forma de revolta contra a autoridade de seu pai e o crescente estado fascista. Essas formas biomórficas, mas propositadamente perturbadoras, geralmente tinham múltiplos membros crescendo entre si, apareciam sem cabeça ou perdiam partes do corpo e eram frequentemente apresentadas nuas em poses vagamente sexuais.

Quando os nazistas declararam seu trabalho degenerado, ele fugiu para a França, onde encontrou camaradagem artística com o círculo surrealista liderado por André Breton. Durante os primeiros anos da guerra, ele ajudou a resistência francesa produzindo passaportes falsos e foi preso brevemente no Camp des Milles, em Aix-en-Provence. Por fim, ele se estabeleceu em Paris pelo resto de sua vida.

As bonecas de Hans Bellmer, pareciam naturalistas e fantásticos ao mesmo tempo, evocando uma série de respostas emocionais, do reconhecimento e excitação ao medo e repulsa.



Após a guerra, ele abandonou a fabricação de bonecas; seu trabalho pós-guerra se concentrou em fotografias, gravuras e pinturas de garotas no período da puberdade em posições ou contextos sexualmente explícitos. Suas representações de mulheres eram simultaneamente monstruosas, sexualizadas e oníricas — temas que confirmaram seu lugar no movimento surrealista.

Bellmer mudou-se para Paris em 1938. Ele continuou a desenhar de maneira figurativa única, e seu trabalho destacava temas do subconsciente, sonhos, sexualidade, luxúria e morte.

Sua primeira exposição individual ocorreu em 1943 na livraria Librairie Trentin, em Toulouse, França. Após isso o artista teve exposições significativas a partir do início dos anos 1960, no Museu de Arte Contemporânea, Chicago; o Centre Pompidou, Paris; o Centro Internacional de Fotografia, Nova York; e muitas outras instituições.

Seus objetos, fotografias e impressões continuam a atrair uma grande variedade de colecionadores. O autorretrato com A Boneca (1934) foi vendido por US $ 375.000, enquanto o La Poupée (A Boneca / The Doll) foi vendido por US $ 325.000, ambos na Sotheby’s.

Algumas produções de anime, como Ghost in the Shell 2, ou videogames, incluindo Silent Hill, incluíram algumas das bonecas de Bellmer ou se voltaram ao seu trabalho como inspiração.


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