Curiosidades

Por que as pessoas vandalizam obras de arte? 

ataque a obra de Van Gogh aquece debate sobre depreciação de patrimônio cultural

Por Thais de Albuquerque - outubro 17, 2022
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O vandalismo a obras e instituições de arte voltou a ser notícia em outubro de 2022 com as redes sociais e os noticiários exibindo cenas da obra “Os Girassois”, de Van Gogh, sendo atacado com uma lata de sopa de tomate. O ataque foi feito por duas ativistas, de 20 e 21 anos, na National Gallery, em Londres. Em seguida, elas se colaram à moldura do quadro e discursaram sobre mudanças climáticas, questionando se arte vale mais do que a vida.

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Foto: Divulgação

Essa é a sexta vez que o mesmo grupo de ativistas ataca obras de arte famosas, como forma de alcançar visibilidade e engajamento. O quadro não foi danificado pois é protegido por uma tela de vidro.

Patrimônio cultural

As obras de arte, assim como todas as linguagens artísticas, prédios e monumentos históricos, sítios arqueológicos, entre outras manifestações, representam nossa história e identidade enquanto sociedade, bem como os nossos laços com o passado, presente e futuro. São verdadeiras heranças culturais que demonstram a identidade da humanidade.
Por isso, tanto a conservação quanto a destruição de obras de arte e monumentos históricos podem ser consideradas uma veneração ou uma afronta à memória e à sociedade.

Vandalismo

O nome “vandalismo” deriva do povo vândalo, um dos povos germânicos cujas invasões e ataques ao Império Romano contribuíram para sua queda. Historicamente, o vandalismo foi definido pelo pintor Gustave Courbet como “a destruição de monumentos que simbolizam guerra e conquista”.
Hoje em dia, essa palavra é empregada com tom pejorativo contra grupos que atacam monumentos, prédios e instituições urbanas públicas e privadas, mas originalmente ativistas usavam a tática de destruição de patrimônio cultural como forma de protestos políticos e sociais.

O cenário e a obra

National Gallery é um museu de arte em Trafalgar Square, em Westminster, no centro de Londres – Reino Unido. Fundada em 1824, abriga uma coleção de mais de 2 300 pinturas que datam de meados do século XIII a 1900. Está entre os museus de arte mais visitados no mundo, depois do Museu do Louvre, o Museu Britânico e do Museu Metropolitano de Arte.

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Fachada da National Gallery, em Londres

Pintada em 1888, a obra “Os Girassois” é uma das principais de Van Gogh, avaliada em mais de 500 milhões de reais.

“Os Girassois” (1888) – Van Gogh

Leia também: 10 das obras mais famosas de Vincent Van Gogh

Motivação

No início de 2022 nasceu no Reino Unido um grupo de ativistas que quer “garantir que o governo se comprometa a encerrar todas as novas licenças e consentimentos para a exploração, desenvolvimento e produção de combustíveis fósseis no Reino Unido”.

As primeiras ações foram ataques diretos a petroleiros. Após cerca de 1.600 prisões a repressão fez com que o grupo desse uma pausa nessas ações e partisse para uma nova fase. Com intenção de ganhar manchetes e visibilidade, o grupo definiu como alvo museus e galerias de arte. Desde junho de 2022, seis instituições e obras de arte foram atacadas pelo grupo:

“My Heart’s in the Highlands”, do artista Horatio McCulloch, na Kelvingrove Art Gallery and Museum;

“Peach Trees in Blossom” (1889), de Van Gogh, na Courtauld Gallery.

“Harpa Eólia de Tomson”, de 1809, de JMW Turner, na Manchester Art Gallery

“A Carroça de Feno”, de 1821, do artista britânico John Constable, na National Gallery.

“A Última Ceia” de Leonardo Da Vinci, na Royal Academy.


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