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Romero Britto e o ódio por parte da classe artística

Em que se baseiam os críticos do pintor que tem um patrimônio estimado em 20 milhões?

Por Equipe Editorial - agosto 29, 2019
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Romero Britto nasceu em Pernambuco e hoje vive em Miami onde tem sua própria galeria. Ele possui uma série de retratos de artistas famosos, tanto nacionais como internacionais, sendo eles Madonna, Michael Jackson, a ex presidente Dilma, o youtuber Whindersson Nunes e muitos outros.

Sobre a onda de hatters brasileiros o pintor afirma: “Toda vez que falam mal de mim e do meu trabalho, eu vendo mais.” O ódio, portanto, pode ser benéfico ao artista.

Whindersson Nunes e Romero Britto em frente à obra que fez para o youtuber
Whindersson Nunes e Romero Britto em frente à obra que ele fez para o youtuber

Ele é identificado como representante da Pop Arte, porém é possível notar uma vaga influência do cubismo e do fauvismo em suas obras devido ao abuso de formas geométricas e cores vivas.

É válido pensar se tais críticas, tão ferrenhas, são bem sustentadas. O fato dele ser um bom vendedor de sua arte não o torna um mal artista. Andy Warhol também utilizou o método de pintar pessoas famosas para ganhar visibilidade e nem por isso recebeu esta enxurrada de comentários negativos.

“Enquanto as pessoas me criticam, estou criando minha arte”

Romero Britto

1 – Superficialidade

A Pop Arte tem a superficialidade e o consumismo como marcas fundamentais, sendo assim devemos respeitar o caráter comercial de suas obras. É compreensível que isso tenha sido mal recebido pela comunidade artística, que busca apenas o conteúdo conceitual, profundo, e despreza aquilo que é corriqueiro. Tudo isso nos leva a refletir: O sucesso financeiro é sinônimo de sucesso na arte?

Flowers
Flowers

2 – Monotonia

Romero tem muitos “hatters” que se baseiam em sua falta de criatividade. Com uma técnica própria, o artista raramente faz trabalhos fora de seu estilo, que se mantém depois de muitos anos apesar das críticas. Não bastasse isso, os temas também são quase sempre os mesmos: coisas fofas como gatinhos, corações e casais.

Certamente manter o padrão de seu produto é uma técnica de mercado que proporciona resultados e deve motivar este congelamento de sua maneira de pintar. O sucesso repetitivo das obras dele marcam todo tipo de produto o que acabou cansando as pessoas.

Produtos com a marca do pintor
Produtos com a marca do pintor

3 – Sobrevalorização

O valor de suas obras também é alvo de críticas. Um quadro de alguém que só pinta a mesma coisa condiz com seu preço elevado? Porém, esse argumento ignora o fato do mercado de arte ser, em boa parte, acessível para pessoas mais ricas. “Não sou o único artista que as pessoas criticam por ser bem-sucedido”, afirma Britto.

The Hug
The Hug

4 – Fanarts são confundidas com os originais

A simplicidade exagerada nos leva à dificuldade de diferenciar o que são trabalhos originais e quais são produzidos por fãs. Por exemplo, o quadro abaixo não é do artista, mas foi encontrado numa busca básica no Google.

Releitura de Jair Tedesco
Releitura de Jair Tedesco

5 – Comparação com Picasso

Quando fazemos comparações entre artistas quase sempre podemos ser levados a pequenos erros. Quem comparou Britto a Picasso provavelmente foi expulso de seu curso de artes visuais e da sua roda de amigos intelectuais. Seu site fez esta comparação, algo que levantou muita discussão.


E para você?

A crítica tem razão ao afirmar que Romero Britto possui obras simplistas que servem apenas como um produto de mercado? Isso corrompe mesmo o conteúdo de uma obra?


Fontes:

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